Oceanografia

Tara Oceans: como 210 estações amostraram o plâncton do planeta e o que os estudos de 2015 mostraram

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Micróbios

Entre 2009 e 2013, a goleta Tara coletou mais de 35.000 amostras de água e plâncton em 210 estações, de vírus a larvas de peixes, repetindo em cada ponto um protocolo de camadas e tamanhos. Os estudos de 2015 sobre parte do material reuniram mais de 40 milhões de sequências de genes e estimaram cerca de 150.000 unidades de diversidade de eucariotos, um terço sem grupo conhecido.

Plâncton é o conjunto de organismos levados pela correnteza, de vírus a larvas de peixes. Este post trata sobretudo da parte microbiana: vírus, bactérias e arqueias (procariontes) e protistas (eucariontes unicelulares). Metagenômica é sequenciar o DNA de toda a água filtrada, sem cultivar os organismos (ver o post sobre estudar micróbios sem cultivá-los). A Tara Oceans coletou na camada epipelágica (0 a 200 m) e na mesopelágica (200 a 1.000 m). O que os micróbios fazem com o carbono está nos posts sobre a alça microbiana e os vírus marinhos; aqui o foco é como se amostrou e o que a primeira série de 2015 mostrou.

Onze pessoas numa goleta de 36 m

A bordo havia sempre cinco marinheiros e seis cientistas. Um guincho com 2.400 m de cabo descia os equipamentos pela popa, e um laboratório em contêiner no convés filtrava a água para concentrar o plâncton em membranas.

O que uma estação coletava

Uma estação completa reunia água de camadas definidas por sensores: a camada de superfície (entre 3 e 7 m), o máximo profundo de clorofila e a zona mesopelágica. A água era bombeada ou tomada em garrafas Niskin e filtrada a bordo em peneiras de 200, 20 e 5 µm. Plâncton maior vinha de redes. Das 210 estações, 40 tiveram as três camadas; 57 coletaram só a superfície. Em todas, sensores registravam o ambiente.

Um catálogo de genes e uma pergunta sobre temperatura

O estudo de Sunagawa e colegas (2015) analisou 243 amostras de 68 locais e montou um catálogo com mais de 40 milhões de sequências de genes não redundantes, na maioria inéditas. Em 139 amostras de procariontes, a composição da comunidade na camada iluminada acompanhou sobretudo a temperatura. O núcleo de funções comuns ao oceano mostrou mais de 73% de sobreposição, em abundância, com o do intestino humano: é semelhança de funções, não de espécies.

Eucariontes e vírus: o que a primeira série acrescentou

Para os eucariontes unicelulares e pequenos animais, de Vargas e colegas (2015) estimaram que a diversidade de 18S saturava em cerca de 150.000 unidades, um terço sem grupo conhecido, e que a maior parte vinha de protistas heterotróficos, muitos parasitas ou hospedeiros de simbiontes. Para os vírus, 43 amostras mostraram comunidades levadas por correntes e filtradas pelo ambiente, o que apoia a hipótese do banco de sementes. O papel dos vírus no carbono está no post sobre vírus marinhos.

O que o instantâneo não mostra

Cada estação é uma foto de um momento, e as estações são esparsas frente ao tamanho do oceano; os próprios coordenadores listaram isso como limite. Os estudos de 2015 usaram só uma fração das amostras, e os resumos que lemos não detalham os critérios de agrupamento das sequências. Por isso 'catalogar o plâncton do planeta' é um objetivo em andamento: o que existe é um retrato comparável e aberto, não um inventário completo.

Como sabemos

Método e totais vêm de dois artigos lidos na íntegra; os resultados de 2015 vêm só dos resumos, e 'espécie' nesses resumos é unidade por sequência.

Fontes

  1. Scientific Data (Nature Portfolio) — Open science resources for the discovery and analysis of Tara Oceans data
    Pesant, S.; Not, F.; Picheral, M.; Kandels-Lewis, S.; Le Bescot, N.; Gorsky, G.; Iudicone, D.; Karsenti, E.; Speich, S.; Troublé, R.; Dimier, C.; Searson, S.; Tara Oceans Consortium Coordinators · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/sdata.2015.23
  2. PLoS Biology — A holistic approach to marine eco-systems biology
    Karsenti, E.; Acinas, S. G.; Bork, P.; Bowler, C.; De Vargas, C.; Raes, J.; et al.; Tara Oceans Consortium · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.1001177
  3. Science (resumo no PubMed, NCBI/NLM) — Structure and function of the global ocean microbiome
    Sunagawa, S.; Coelho, L. P.; Chaffron, S.; et al.; Tara Oceans coordinators · 2015 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1126/science.1261359
  4. Science (resumo no PubMed, NCBI/NLM) — Eukaryotic plankton diversity in the sunlit ocean
    de Vargas, C.; et al.; Tara Oceans Coordinators · 2015 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1126/science.1261605
  5. Science (resumo no PubMed, NCBI/NLM) — Patterns and ecological drivers of ocean viral communities
    Brum, J. R.; et al.; Tara Oceans Coordinators · 2015 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1126/science.1261498
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)

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