Biologia

Resistência a antibióticos: enzimas, alvo alterado, bombas de efluxo e menor permeabilidade

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Micróbios

Revisões agrupam a resistência bacteriana em quatro mecanismos: inativar a droga, alterar o alvo, bombeá-la para fora (efluxo) e limitar sua entrada. A inativação é feita por enzimas, como as β-lactamases, que destroem o anel β-lactâmico. No alvo, uma mutação ou uma modificação química reduz a ligação da droga. O gene pode vir de mutação própria ou de DNA obtido de outras bactérias.

Um antibiótico age ligando-se a uma molécula-alvo da bactéria; os β-lactâmicos, por exemplo, atuam sobre as PBPs, enzimas que montam a parede celular. Para funcionar, a droga precisa entrar, ficar na célula e encontrar o alvo intacto, e cada etapa pode ser bloqueada. A resistência pode ser intrínseca, um traço de toda a espécie, ou adquirida por uma população antes sensível, por mutação ou por DNA recebido de outras bactérias (transferência horizontal de genes). Este artigo trata dos mecanismos moleculares. O experimento que mostra a resistência evoluindo está no post da megaplaca; o papel dos biofilmes, no post sobre biofilmes.

Mais velhas que a penicilina

As β-lactamases foram descritas no início dos anos 1940, um ano antes de a penicilina chegar ao mercado. A revisão de Munita e Arias ainda cita indícios de que essas enzimas existam há milhões de anos.

Enzimas que inativam a droga

Muitas bactérias fabricam enzimas que alteram o antibiótico. As β-lactamases destroem a ligação amida do anel β-lactâmico; em Gram-negativas são, segundo Reygaert, o mecanismo mais comum contra esses antibióticos. As enzimas também mudam: a TEM-3 derivou da TEM-1 por duas substituições de aminoácidos e passou a hidrolisar cefalosporinas de terceira geração, perfil chamado de ESBL (β-lactamase de espectro estendido).

Alvo alterado

O alvo pode mudar por mutação pontual, por modificação química do sítio (como a adição de grupos metila) ou por substituição. Na rifampicina, mutações no gene rpoB bastam num só passo e a polimerase segue funcionando; nas fluoroquinolonas, a resistência clínica costuma exigir mudanças acumuladas. No MRSA, a bactéria adquire a PBP2a, que tem baixa afinidade por β-lactâmicos.

Bombas de efluxo

As bombas expulsam o composto tóxico da célula. Há cinco famílias principais, e as RND, comuns no cromossomo de Gram-negativas, dão resistência intrínseca a várias drogas, como a AcrAB-TolC de enterobactérias e a MexAB-OprM de Pseudomonas aeruginosa. Nas Tet, da família MFS, a energia vem da troca de prótons, e elas expulsam tetraciclinas.

Menor permeabilidade

Na membrana externa das Gram-negativas, β-lactâmicos, tetraciclinas e algumas fluoroquinolonas passam por porinas, canais cheios de água. A bactéria pode trocar o tipo de porina, reduzir sua quantidade ou prejudicar a função. Segundo Reygaert, as Gram-positivas recorrem menos a esse mecanismo, porque não têm a membrana externa com LPS.

Como sabemos: estrutura da bomba e isolados antes e depois

Wang e colegas (2017) obtiveram por crio-microscopia eletrônica a estrutura da bomba AcrAB-TolC de E. coli, com mapas de 3,6 Å, e identificaram três estados de AcrB no transporte. Já a troca OmpK35 por OmpK36 em K. pneumoniae vem de isolados colhidos antes e depois de terapia, citados por Munita e Arias. Limites: a estrutura é de um complexo isolado, e o dado dos isolados é uma correlação.

Como sabemos

Os quatro mecanismos vêm de duas revisões abertas lidas na íntegra e a estrutura da bomba de um artigo original, mas o exemplo de K. pneumoniae e a figura da capa são de segunda mão ou parciais.

Fontes

  1. Microbiology Spectrum (American Society for Microbiology) — Mechanisms of Antibiotic Resistance
    Munita, J. M.; Arias, C. A. · 2016 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1128/microbiolspec.VMBF-0016-2015
  2. AIMS Microbiology — An overview of the antimicrobial resistance mechanisms of bacteria
    Reygaert, W. C. · 2018 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3934/microbiol.2018.3.482
  3. eLife — An allosteric transport mechanism for the AcrAB-TolC multidrug efflux pump
    Wang, Z.; Fan, G.; Hryc, C. F. et al. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.7554/eLife.24905
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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