Geografia

PRODES, DETER e MapBiomas Alerta: por que os números de desmatamento diferem e quando comparar

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

Cada sistema responde a uma pergunta. O PRODES, do INPE, dá a taxa anual oficial da Amazônia Legal; o DETER emite avisos para a fiscalização e não é taxa; o MapBiomas Alerta valida alertas de outros sistemas. Mudam as imagens (de 3,7 a 64 m), a área mínima (de 0,3 a 6,25 ha), o período, o território e a vegetação mapeada. Por isso os totais não se somam nem se comparam diretamente.

Desmatamento, aqui, é a supressão de vegetação nativa vista por satélite. Três nomes aparecem nas notícias. O PRODES, do INPE, mapeia os incrementos de cada ano e produz a taxa anual oficial. O DETER, também do INPE, gera avisos quase diários para apoiar fiscais: mostra onde olhar, não quanto se perdeu. O MapBiomas é uma rede de universidades, ONGs e empresas de tecnologia; seu MapBiomas Alerta não detecta, e sim reúne alertas de outros sistemas (inclusive DETER e PRODES), confere cada um em imagens de maior resolução e publica laudos. O MapBiomas também faz mapas anuais de cobertura e uso da terra, outro produto. Como as perguntas diferem, os métodos diferem, e um número só tem sentido ao lado do método que o produziu.

2025: 5.731 km² e 289.478 hectares, ambos sobre a Amazônia

O PRODES consolidou 5.731 km² para os nove estados da Amazônia Legal em 2025. O relatório do MapBiomas Alerta registrou 289.478 ha no bioma Amazônia, cerca de 2.895 km² (cálculo nosso). Territórios, períodos e regras diferem; o post não decompõe a diferença.

Três perguntas diferentes

O PRODES responde quanta floresta foi cortada em um ano, na série oficial do INPE desde 1988. O DETER responde onde fiscalizar agora: gera avisos diários, e o INPE diz que sua área não deve ser lida como taxa mensal. O MapBiomas Alerta responde quais alertas são reais, onde exatamente ficam e em que imóveis caem, com laudo para cada um. Nenhuma das três perguntas é a da outra, e cada resposta é desenhada para sua pergunta.

O que muda de um sistema para outro

Com o mesmo satélite no fundo, o resultado depende de escolhas: a resolução da imagem (do DETER, de 56 a 64 m, ao PRODES, de 20 a 30 m), a área mínima (de 0,3 a 6,25 ha), o período (agosto a julho ou janeiro a dezembro), o território (Amazônia Legal ou bioma), a vegetação contada e o tratamento das nuvens. Em 2025, 5.731 km² do PRODES e 289.478 ha do Alerta para a Amazônia mostram o efeito somado: cada número é correto para o seu recorte.

Quando comparar e quando não

As fontes pedem cautela: o INPE desaconselha comparar o DETER mês a mês, o DETER não substitui o PRODES, e o MapBiomas Alerta diz não ser adequada a comparação direta com os dados anuais. Uma regra prática, síntese nossa a partir dessas orientações: compare o sistema com ele mesmo, no mesmo recorte e período; para outro sistema, só depois de alinhar território, datas e área mínima. As séries de cada sistema, dentro de si, são comparáveis ao longo do tempo.

Como sabemos se desmatadores evitam a detecção

Richards e colegas (2017) compararam o PRODES com o Global Forest Change e com focos de fogo. Até 2008 as séries andavam juntas; depois, o PRODES caiu mais. Parte da diferença vinha de clareiras menores que 6,25 ha, florestas secas, secundárias e ribeirinhas. Os autores veem sinais de deslocamento do corte para o que o sistema não vê, mas chamam a evidência de sugestiva. Os dados vão só até 2013 e 2014, e o desenho estatístico não prova a intenção de cada desmatador.

Como sabemos

Os parâmetros de cada sistema vêm dos documentos oficiais do INPE e do MapBiomas Alerta; a hipótese de evasão vem de um único estudo de 2017 e a comparação numérica de 2025 não foi decomposta.

Em debate: Desmatadores evitam a detecção? Richards e colegas (2017) apresentam evidência sugestiva de que, depois de 2008, parte do desmatamento teria migrado para áreas e tamanhos que o PRODES não mapeia, mas é uma inferência estatística com dados até 2013 e 2014, e os próprios autores reconhecem que a fiscalização baseada no PRODES provavelmente conteve o corte de grandes manchas de floresta primária.

Fontes

  1. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — Metodologia utilizada nos sistemas PRODES e DETER - 2a edição (atualizada)
    Almeida, C. A.; Maurano, L. E. P.; Valeriano, D. M.; Câmara, G.; Vinhas, L. et al. · 2022 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. MapBiomas Alerta — Método MapBiomas Alerta
    MapBiomas Alerta · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. Conservation Letters — Are Brazil's Deforesters Avoiding Detection?
    Richards, P.; Arima, E.; VanWey, L.; Cohn, A.; Bhattarai, N. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1111/conl.12310
  4. MapBiomas Alerta — Desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares em 2025 (RAD2025)
    MapBiomas Alerta · 2026-05-27 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. INPE / Programa BiomasBR — Novos dados do Prodes são atualizados pelo Programa BiomasBR
    Programa BiomasBR (INPE/MCTI) · 2026-03-10 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  6. MapBiomas — MapBiomas: apresentação da iniciativa
    Rede MapBiomas · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 14; conferência de trechos automatizada)

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