Oceanografia

A pluma do Amazonas: o rio que adoça e colore o Atlântico por milhares de quilômetros

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Água na Terra

A água do Amazonas não para na foz: a pluma de água doce e barrenta se estende por milhares de quilômetros do Atlântico e, no pico da vazão, pode cobrir até 1,3 milhão de km², segundo uma estimativa citada em estudo de 2017. O rio lança ao mar cerca de 200 mil m³ por segundo e leva sedimento, nutrientes e matéria orgânica que mudam a salinidade, a cor e a vida da água.

Pluma é a massa de água de baixa salinidade que se forma quando um grande rio desemboca no mar: a água doce é menos densa e flutua sobre a salgada, e só vai se misturando aos poucos. No caso do Amazonas, a pluma é também barrenta, porque o rio carrega sedimento (argila, silte e areia fina) das terras que drena, e rica em nutrientes e matéria orgânica. Como ela se estende por regiões onde a água do mar é naturalmente pobre em nutrientes, muda a produção de algas, a temperatura da superfície e a troca de gases com a atmosfera. A pluma não é uma mancha fixa: cresce e encolhe com as chuvas na bacia e é arrastada por correntes que a levam ao norte, rumo ao Caribe, ou a desviam para leste.

Uma camada de água doce que guarda calor

A água pouco salgada da pluma forma uma camada na superfície que dificulta a mistura com a água fria de baixo. Estudos citados num artigo de 2020 ligam esse calor retido a condições favoráveis para a formação de furacões no Atlântico tropical.

O ritmo do rio e o tamanho da pluma

A vazão medida em Óbidos, no Pará, atinge o máximo em junho e o mínimo em novembro, cerca de três meses depois dos extremos de chuva na bacia. A salinidade da superfície na região da pluma acompanha: é menor de maio a julho e maior de dezembro a fevereiro. Entre 1979 e 2018, segundo reanálises e modelos, o ciclo sazonal das chuvas se ampliou e as oscilações da vazão e da salinidade também. A tendência de salinidade é pequena, na casa de 0,05 PSU por década.

O que a pluma leva: sedimento, nutrientes, carbono

O sedimento do Amazonas é da ordem de 1 gigatonelada por ano, embora estimativas por satélite deem 560 a 610 milhões de toneladas e a medida in situ listada pelos autores seja 778. Os nutrientes sustentam microalgas que mudam com a idade da água, de criptófitas e diatomáceas na água nova a picocianobactérias na velha. Parte da pluma foi descrita como sumidouro de CO₂ atmosférico, resultado que lemos apenas citado.

Para onde a água vai: correntes, não só o rio

Em campanhas de 2018 e 2021 a pluma apareceu até 15°N. Segundo estudos citados, as correntes a levam ao Caribe, ao Golfo do México e, a leste, à costa africana. Simulações de 2026 indicam que a vazão sozinha não explica a dispersão: a pluma é cortada em filamentos e há vários caminhos ao mesmo tempo. Essa camada de água doce também retém calor na superfície, condição favorável a furacões, mas não causa deles.

Como sabemos o que acontece no mar aberto

Cada número vem de um método com limites. A vazão sai de uma estação fluviométrica; a salinidade em escala de décadas vem de reanálises, que combinam modelos e observações. O sedimento é medido in situ ou estimado por satélite, pela variação do campo de gravidade. A idade e a composição da pluma vêm de navios, que coletam água em poucos pontos. A extensão máxima depende da salinidade escolhida como limite da pluma e é, por isso, aproximada.

Como sabemos

Fatos centrais firmes em fontes abertas lidas, mas a área máxima da pluma e o sumidouro de CO₂ vêm de estudos citados, não lidos.

Fontes

  1. Nature Communications — Amplified seasonal cycle in hydroclimate over the Amazon river basin and its plume region
    Liang, Y.-C. et al. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-020-18187-0
  2. Scientific Reports — Ocean scale dispersion of Amazon river plume by chaotic advection
    Iacometti, R. et al. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-026-45016-z
  3. Frontiers in Microbiology — Bacterial Biogeography across the Amazon River-Ocean Continuum
    Doherty, M. et al. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3389/fmicb.2017.00882
  4. Nature Communications — Assessing modern river sediment discharge to the ocean using satellite gravimetry
    Mouyen, M. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-018-05921-y
  5. Communications Biology — Mixotrophy emerges as an optimal strategy in mature waters of the Amazon River plume
    Fernández-Carrera, A. et al. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s42003-026-09893-4
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)

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