História da África

Nasser nacionalizou o Canal de Suez em 1956 e Reino Unido, França e Israel invadiram o Egito

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Assuntos: Sionismo

Em 26 de julho de 1956, Gamal Abdel Nasser anunciou em Alexandria que a Companhia do Canal de Suez, franco-britânica desde o século XIX, passava ao Egito. Três meses depois, Reino Unido, França e Israel, que haviam combinado tudo em segredo em Sèvres, invadiram o país. Não conseguiram o que queriam: sob pressão dos EUA e da ONU, retiraram-se, e o canal seguiu egípcio.

O canal foi cavado a partir de 1859 com corveia: cerca de 400 mil camponeses egípcios foram mobilizados até 1862, e dezenas de milhares teriam morrido, segundo estimativa do CNRS. A Companhia, de concessão francesa, tornou-se franco-britânica quando o Egito, falido, vendeu suas ações em 1875, e a concessão iria até 1968. Em 1956, os EUA e o Reino Unido retiraram o financiamento da Represa de Assuã, e Nasser respondeu nacionalizando a Companhia, com indenização aos acionistas, para pagar a obra com a receita do canal. Londres e Paris viram nisso uma ameaça à sua influência e fecharam em segredo, com Israel, o plano de Sèvres. A invasão veio em 29 de outubro, e o cessar-fogo, em 6 e 7 de novembro.

A primeira força de paz armada da ONU

A UNEF I, criada em novembro de 1956 para acompanhar a saída das tropas invasoras, reuniu contingentes de dez países, entre eles o Brasil. Chegou a cerca de 6 mil militares e ficou no Sinai até maio de 1967, quando o Egito pediu sua retirada.

O canal e a corveia

A autorização a Ferdinand de Lesseps é de 1854 e o contrato, de 1856. Quando a obra começou, em 1859, o vice-rei recorreu à corveia, sistema tradicional que mobilizava camponeses para obras de canais no Nilo. Segundo o CNRS, cerca de 400 mil fellahin foram mobilizados entre 1859 e 1862 e dezenas de milhares teriam morrido. O canal foi inaugurado em 1869, com concessão prevista até 1968.

De Companhia franco-egípcia a franco-britânica

Em 1875, falido, o Egito vendeu suas ações, que o Reino Unido comprou. A Companhia passou a ser franco-britânica em capital e em governo, e o canal que atravessa território egípcio rendia seus lucros a acionistas europeus. A Convenção de Constantinopla (1888) garantiu a passagem de navios de todas as bandeiras, na paz e na guerra.

26 de julho de 1956

Depois que EUA e Reino Unido recusaram financiar a Represa de Assuã, Nasser anunciou em Alexandria a nacionalização da Companhia. O decreto criava uma agência egípcia sob o Ministério do Comércio e previa pagar os acionistas pela cotação do dia anterior na Bolsa de Paris. A receita do canal, disse ele, bancaria a represa. Para Londres e Paris, era uma ameaça à influência na região.

Sèvres, a invasão e a saída

Em 24 de outubro, França, Reino Unido e Israel assinaram em segredo o Protocolo de Sèvres. Israel invadiu o Sinai em 29 de outubro, e britânicos e franceses bombardearam e desembarcaram em Port Said, cerca de 80 mil soldados no total. Os EUA, que temiam empurrar o mundo árabe para a órbita soviética, votaram contra na ONU e travaram o crédito britânico. A ONU criou a UNEF I, e as tropas saíram até março de 1957. O canal reabriu em abril, sob controle egípcio.

Como sabemos

Datas e fatos centrais vêm de fontes governamentais, da ONU e de museu; o número de mortos na obra é estimativa e faltou fonte egípcia primária.

Em debate: Quantos egípcios morreram na construção do canal: o CNRS fala em dezenas de milhares entre os 400 mil mobilizados até 1862; Nasser citou 120 mil, número sem respaldo em arquivos precisos.

Em debate: A data do discurso aparece como 23 de julho em um artigo do CNRS; as fontes do Departamento de Estado dos EUA indicam 26 de julho.

Fontes

  1. Departamento de Estado dos EUA, Office of the Historian — The Suez Crisis, 1956
    consultada em 05/10/2026
  2. Departamento de Estado dos EUA, Office of the Historian — Nationalization of the Suez Canal (nota editorial, FRUS 1955-1957, vol. XVI)
    consultada em 05/10/2026
  3. CNRS News (Centre national de la recherche scientifique) — The Turbulent History of the Suez Canal
    consultada em 05/10/2026
  4. Organização das Nações Unidas, Operações de Paz — First United Nations Emergency Force (UNEF I): Background
    consultada em 05/10/2026
  5. Israel Studies, vol. 1, n. 2, 1996 (Brandeis University) — The Protocol of Sèvres: British-French-Israeli Collusion against Egypt, 1956
    consultada em 05/10/2026
  6. National Army Museum (Reino Unido) — Suez Crisis
    consultada em 05/10/2026
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