Paleontologia

Arbúsculos de cerca de 407 milhões de anos no Rhynie chert estão entre as evidências mais antigas de micorriza

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Fungos

Cortes finos do Rhynie chert, na Escócia, mostram em plantas do Devoniano Inferior estruturas ramificadas de fungo dentro das células, os arbúsculos, com a forma dos atuais. A rocha tem 407,1 ± 2,2 milhões de anos e, segundo um artigo de 2025, guarda a evidência geológica mais antiga dessa simbiose. O fóssil mostra a associação, não a troca de nutrientes.

Micorriza é a associação entre um fungo e tecidos de uma planta. Na micorriza arbuscular, o fungo penetra nas células vegetais e forma ali o arbúsculo, uma estrutura ramificada em forma de arbusto. O Rhynie chert, perto da vila de Rhynie (Aberdeenshire), é uma rocha de sílica formada em fontes termais: plantas, fungos e animais foram silicificados perto de onde viviam e ficaram preservados em detalhe celular. Em 1994, arbúsculos foram descritos na planta Aglaophyton major; em 2025, outro fungo foi descrito na mesma espécie em Windyfield, unidade vizinha do chert. O que o fóssil prova é a forma da associação; o que ela fazia é inferido de plantas vivas.

Dois grupos de fungos na mesma planta

Na planta Horneophyton lignieri, do Rhynie chert, foram vistos dois tipos de fungo em tecidos diferentes, atribuídos a Glomeromycotina e a Mucoromycotina, dois grupos que hoje formam micorrizas com plantas.

Como a rocha guarda esses fungos

O chert se formou de águas hidrotermais ricas em sílica que cobriram uma comunidade de áreas úmidas e preservaram os organismos em detalhe. A idade vem de datação radiométrica 40Ar/39Ar: 407,1 ± 2,2 milhões de anos. O Windyfield chert é outra unidade estratigráfica, sem diferença significativa de idade segundo os autores de 2025. O Rhynie é, assim, uma janela rara para os primeiros ecossistemas de terra firme.

Por que a prova é rara e como se reconhece um arbúsculo

Segundo o artigo de 2025, arbúsculos, a marca da micorriza arbuscular, foram documentados em apenas duas plantas do Rhynie, e fungos e outros microrganismos são difíceis de documentar pelo tamanho e pelos limites da microscopia de campo claro. O reconhecimento depende da forma: tronco basal e tufo ramificado dentro da célula, como nas micorrizas vivas. O Raman, em 2025, mostrou que a química atual do fóssil não separa fungo de planta.

Da prova fóssil à hipótese da colonização da terra

As raízes só evoluíram depois da transição para a terra, e a hipótese clássica diz que fungos simbiontes ajudaram as plantas iniciais a obter o que precisavam do solo. É hipótese, não resultado. Os arbúsculos de 407 milhões de anos mostram que a associação já existia, e os autores de 1994 viram neles indício de que uma troca de nutrientes pode ter existido quando as plantas invadiram a terra.

O que o fóssil não mostra e o debate sobre o parceiro

O chert registra a estrutura, não o fluxo de nutrientes, e não diz quando a simbiose começou, só que ela já existia. O parceiro original também é discutido: a ideia de que foram os Glomeromycotina foi contestada pela descoberta de associações com Mucoromycotina em linhagens antigas, e uma análise de 2018 deu a eles papel importante no início. A rede entre árvores é outro assunto.

Como sabemos

Datação, forma dos arbúsculos e contexto estão bem documentados; a função da simbiose e o parceiro original seguem em debate.

Em debate: A ideia tradicional aponta os Glomeromycotina; a descoberta de associações com Mucoromycotina em linhagens antigas de plantas a desafiou, e o Rhynie chert tem registros atribuídos a ambos (a9, a12).

Fontes

  1. New Phytologist — An arbuscular mycorrhiza from the 407-million-year-old Windyfield Chert identified through advanced fluorescence and Raman imaging
    Strullu-Derrien, C.; Wightman, R.; McDonnell, L. P.; Evans, G.; Fercoq, F. A.; Kenrick, P.; Ferrari, A. C.; Schornack, S. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/nph.70655
  2. Proceedings of the National Academy of Sciences (EUA) — Four hundred-million-year-old vesicular arbuscular mycorrhizae
    Remy, W.; Taylor, T. N.; Hass, H.; Kerp, H. · 1994 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.91.25.11841
  3. Nature Communications — A fungal plant pathogen discovered in the Devonian Rhynie Chert
    Strullu-Derrien, C.; Goral, T.; Spencer, A. R. T.; Kenrick, P.; Aime, M. C.; Gaya, E.; Hawksworth, D. L. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-023-43276-1
  4. Scientific Reports — Evolutionary dynamics of mycorrhizal symbiosis in land plant diversification
    Feijen, F. A. A.; Vos, R. A.; Nuytinck, J.; Merckx, V. S. F. T. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-018-28920-x
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 3; conferência de trechos automatizada)

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