Zoologia
Possivelmente a maior migração animal da Terra é vertical: zooplâncton e peixes sobem à noite e descem de dia
Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026
Assuntos: Jubarte
Todos os dias, nos oceanos, uma multidão de animais sobe de centenas de metros de profundidade até perto da superfície ao anoitecer e desce ao amanhecer. São copépodes, krill, salpas, peixes-lanterna e outros. Pesquisadores a descrevem como possivelmente a maior migração animal do planeta em biomassa. Ela não cruza continentes: o percurso é vertical, de algumas centenas de metros, e se repete a cada 24 horas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, operadores de sonar notaram um falso fundo do mar, a cerca de 300 a 500 m, que ficava mais fundo de dia e mais raso à noite. Em 1945, o oceanógrafo Martin Johnson amostrou o plâncton e ligou a camada a animais vivos. Hoje ela é chamada de camada de dispersão profunda. Os animais ficam no escuro de dia, onde são menos vistos por predadores, e sobem à noite para comer perto da superfície. O movimento é chamado de migração vertical diária. Estudos de acústica em escala global medem sua amplitude, e a migração também afeta o carbono que chega ao fundo.
A lua e as nuvens mexem na migração
Em noites de lua cheia, os migrantes evitam subir aos 80–100 m superiores, onde a luz os deixaria visíveis. E o zooplâncton abaixo de cerca de 300 m pode mudar de profundidade em até cerca de 60 m quando nuvens alteram a luz fraca que o alcança.
O falso fundo do mar
Na Segunda Guerra, os primeiros sonares mostraram um fundo que não era fundo. A cerca de 300 a 500 m, uma camada refletia o som e mudava de profundidade ao longo do dia. A pista foi o ritmo: um fundo de rocha ou lama não sobe ao anoitecer. Em 1945, Martin Johnson relacionou a camada a animais vivos coletados em amostras de plâncton.
Quem sobe e por quê
Zooplâncton como copépodes, krill e salpas sobe junto com larvas de peixes e peixes-lanterna. De dia, as águas fundas e escuras protegem de predadores que dependem da luz; à noite, a superfície oferece alimento. O gatilho principal é a luz: o pôr e o nascer do sol, mas também a lua e até nuvens.
O carbono que desce de carona
Os migrantes comem perto da superfície e liberam fezes em profundidade. Isso leva carbono para baixo de forma ativa. Segundo uma revisão de 2023, esse fluxo ativo responde por cerca de 10% do transporte descendente global da bomba biológica, mas é muito maior em águas produtivas do Atlântico.
O que ainda não se sabe
A biomassa de peixes mesopelágicos pode estar subestimada por um fator de até dez, segundo os autores de um estudo de 2016. Nem todo animal migra, e nem toda espécie é captada por um único canal de sonar. Por isso o rótulo de maior migração é tratado com cautela na literatura.
Como sabemos
A migração e seu mecanismo geral estão bem fundamentados; o rótulo de 'maior' e os números de biomassa e de carbono são estimativas.
Em debate:
- Consenso científico: A migração vertical diária é descrita na literatura científica como a maior migração animal da Terra em termos de biomassa. [3] [4]
Os artigos usam 'possivelmente a maior' (Klevjer et al.) e 'a maior' (Hernández-León); não há medição direta que compare com todas as outras migrações. - Fato estabelecido: Operadores de sonar na Segunda Guerra viram um falso fundo a cerca de 300–500 m, mais profundo de dia e mais raso à noite; era a camada de dispersão profunda. [1] [2]
- Fato estabelecido: Em 1945, o oceanógrafo Martin Johnson amostrou o plâncton e associou a camada a animais vivos. [1]
- Fato estabelecido: A camada inclui peixes, lulas, águas-vivas e outros organismos; muitos peixes têm bexiga natatória, que reflete bem o som. [2]
- Consenso científico: Os animais sobem à noite para se alimentar perto da superfície e descem de dia para águas mais fundas e escuras, onde evitam predadores. [2] [4]
- Fato estabelecido: Entre os migrantes estão copépodes, krill, salpas, larvas de peixes e peixes-lanterna. [1] [4]
- Fato estabelecido: Nos dados de ecossonda de 38 kHz da expedição Malaspina, a profundidade média diurna dos peixes mesopelágicos foi de cerca de 486 m e a amplitude média da migração, de cerca de 183 m. [3]
Medida de um único canal de frequência, que detecta sobretudo peixes com bexiga natatória. - Fato estabelecido: Cerca de metade do retroespalhamento mesopelágico migrou, variando de cerca de 20% no Oceano Índico a cerca de 90% no Pacífico leste. [3]
- Estimativa: A estimativa global de biomassa de peixes mesopelágicos (cerca de 1.000 milhões de toneladas) pode estar subestimada em até dez vezes, segundo os autores. [3]
Os próprios autores consideram a subestimação possível, não comprovada. - Estimativa: O fluxo ativo de carbono dos migrantes responde por cerca de 10% do transporte descendente total da bomba biológica, contra cerca de 70% da sedimentação por gravidade e 20% da mistura física. [4]
Valor global aproximado; no Atlântico varia de cerca de 25% em águas pobres em nutrientes a cerca de 80% em águas produtivas. - Evidência forte: Em noites de lua cheia os migrantes evitam os 80–100 m superiores. [4]
- Evidência forte: Zooplâncton abaixo de cerca de 300 m pode mudar de profundidade em até cerca de 60 m conforme nuvens alteram a luz fraca que chega a ele. [1]
A fonte dá o valor em pés (cerca de 1.000 pés de profundidade e 200 pés de deslocamento); convertido.
Fontes
- Scientific American — Greatest Migration on Earth Happens under Darkness Every Day
consultada em 11/10/2026 - NOAA Ocean Exploration — What is the deep scattering layer?
consultada em 11/10/2026 - Scientific Reports (Klevjer et al., 2016), PMC — Large scale patterns in vertical distribution and behaviour of mesopelagic scattering layers
consultada em 11/10/2026 - iScience (Hernández-León, 2023), PMC — Diel vertical migration and the biological carbon pump (revisão)
consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão