Biologia

A lista da OMS de 2022 põe 19 fungos em três níveis; antifúngicos e diagnósticos são poucos

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Fungos

Em 25 de outubro de 2022, a OMS publicou sua primeira lista de fungos prioritários: 19 espécies ou grupos em três níveis, crítico (4), alto (7) e médio (8). O critério combina impacto na saúde pública e risco de resistência. A OMS conta só quatro classes de antifúngicos disponíveis, poucos candidatos em teste clínico e diagnóstico rápido pouco acessível para a maioria desses fungos.

Fungos causam sobretudo infecções de pele e mucosas, mas alguns provocam doença invasiva grave, em geral em pessoas com defesas reduzidas (câncer, HIV/aids, transplante, doença respiratória crônica, tuberculose prévia). A lista não ordena os fungos por frequência: classifica-os por impacto e por risco de resistência, para orientar onde pesquisa e vigilância mais faltam. Candida auris, do nível crítico, tem texto próprio aqui; o foco deste é a lista inteira e o motivo de haver tão poucas armas contra esses fungos.

Quatro classes? Depende de quem conta

A OMS fala em quatro classes de antifúngicos. Uma revisão de 2026 lista três para infecções invasivas graves (azóis, equinocandinas, polienos) e outra, de 2025, cinco, ao incluir análogos de pirimidina e alilaminas. A conta muda com o critério.

Os 19 e os três níveis

Crítico: Cryptococcus neoformans, Candida auris, Aspergillus fumigatus e Candida albicans. Alto: Nakaseomyces glabratus (Candida glabrata), Histoplasma, agentes de eumicetoma, Mucorales, Fusarium, Candida tropicalis e Candida parapsilosis. Médio: Scedosporium, Lomentospora prolificans, Coccidioides, Pichia kudriavzevii (Candida krusei), Cryptococcus gattii, Talaromyces marneffei, Pneumocystis jirovecii e Paracoccidioides. A OMS ressalva que o nível global não vale igual em toda região: patógenos endêmicos podem pesar mais no local.

Como a lista foi montada, e o que ela não mede

Segundo o comunicado e um editorial, os fungos foram ordenados sobretudo por impacto em saúde pública e risco de resistência; entre os critérios de pesquisa estão mortalidade, acesso a diagnóstico e incidência anual. A própria OMS diz que a carga real das doenças fúngicas é desconhecida por falta de dados, então a lista é um julgamento estruturado sobre evidência incompleta, não uma contagem de casos. Não lemos o relatório completo, só o resumo oficial e fontes que o descrevem.

Por que há tão poucos antifúngicos

Uma revisão de 2025 aponta duas razões: fungos são eucariotos e compartilham muitas vias celulares com humanos, o que torna difícil achar um composto que os mate sem ferir o paciente; e o desenvolvimento é caro e arriscado, com retorno incerto. A OMS conta quatro classes disponíveis, outras fontes três ou cinco, conforme o critério. Em 2025 a OMS contou 22 programas pré-clínicos, 9 deles no estágio inicial: o pipeline é frágil. Duas moléculas de mecanismo novo, fosmanogepix e olorofim, estão em fase avançada.

Diagnóstico e dados: a outra lacuna

Para a maioria desses fungos faltam diagnósticos rápidos e sensíveis, e os existentes não são amplamente acessíveis. Sem diagnóstico e vigilância, a carga real fica invisível: uma estimativa de 2024 fala em 6,5 milhões de infecções invasivas e 3,8 milhões de mortes por ano, mas é estimativa, não contagem. As ações recomendadas pela OMS vão nessa direção: reforçar laboratórios e vigilância, sustentar investimento em pesquisa e melhorar prevenção e controle.

Como sabemos

A estrutura da lista e as declarações da OMS conferem em fontes abertas; o relatório completo da OMS não pôde ser lido e a contagem de classes varia entre fontes.

Fontes

  1. Organização Mundial da Saúde — WHO fungal priority pathogens list to guide research, development and public health action
    World Health Organization · 2022-10-25 · Documento institucional · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026
  2. Organização Mundial da Saúde / Saudi Medical Journal — WHO releases first-ever list of health-threatening fungi
    World Health Organization (comunicado reproduzido no Saudi Medical Journal) · 2022-11 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Medical Science Monitor — Editorial: The World Health Organization (WHO) Fungal Priority Pathogens List in Response to Emerging Fungal Pathogens During the COVID-19 Pandemic
    Medical Science Monitor (editorial) · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.12659/msm.939088
  4. The Lancet Microbe — WHO assessment of the preclinical antifungal pipeline: evaluating innovation and preparedness in the face of emerging fungal threats
    Lancet Microbe (revisão com dados da OMS) · 2026 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1016/j.lanmic.2025.101331
  5. Mycology — Research advances and public health strategies in China on WHO priority fungal pathogens
    Mycology (revisão) · 2025 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1080/21501203.2025.2561612
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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