Biologia

Leeuwenhoek: o comerciante de tecidos de Delft cujas cartas de 1676 descreveram protistas e bactérias

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Micróbios

Antonie van Leeuwenhoek (1632-1723), comerciante de tecidos de Delft, fez centenas de microscópios de uma só lente e, em cartas à Royal Society, descreveu "animálculos" na água. A carta de outubro de 1676 é tida por Nick Lane (2015) como a primeira descrição detalhada de protistas e bactérias. Ele nunca revelou como fazia as lentes.

Protistas são organismos de uma só célula, com núcleo; bactérias são células menores e sem núcleo. "Animálculos" era o nome que Leeuwenhoek dava a esses seres minúsculos. Os microscópios dele eram "simples", com uma só lente, enquanto os "compostos", com mais de uma lente, já existiam. Ele escrevia em holandês, e a Royal Society de Londres publicava versões traduzidas e abreviadas nos Philosophical Transactions, seu periódico. Este texto separa o que os instrumentos conservados mostram, o que as cartas dizem e o que historiadores modernos interpretam, com a data de cada coisa.

O ano de 1676 de Leeuwenhoek

Em 1676 ele escreveu a carta sobre os animais na água da chuva, do poço e do mar. No mesmo ano foi administrador da herança do pintor Jan Vermeer, falido. Berkeley diz que os dois, nascidos no mesmo ano, talvez fossem amigos.

O instrumento: uma lente, duas placas de latão

Os microscópios de Leeuwenhoek que se conhecem eram lupas fortes: uma única lente presa num furo entre placas de latão e a amostra num alfinete à frente dela, com dois parafusos para posição e foco. Segundo Berkeley, o conjunto tinha de 7,5 a 10 cm (3 a 4 polegadas, conversão nossa) e ampliava mais de 200 vezes. Dos mais de 500 que teria feito, restam menos de dez. Os dois examinados em 2021 ampliam 118 e 266 vezes.

Como sabemos: o que a tomografia de nêutrons mostrou

Em 2021, dois instrumentos originais foram examinados por tomografia de nêutrons, que enxerga o vidro mesmo preso entre as placas de latão, o que os raios X, segundo os autores, fariam pior. A lente do instrumento de 118 vezes é uma lentilha moída e polida. A do de 266 vezes é um glóbulo de 1,3 mm com um fio de vidro, que os autores atribuem a vidro derretido, método divulgado por Hooke. Limites: são dois instrumentos entre menos de dez, e a resolução da tomografia é de cerca de 150 µm.

As cartas: o que ele escreveu e como foi recebido

A primeira carta à Royal Society, de 1673, tratava do ferrão da abelha. Em setembro de 1674 apareceu a primeira menção a pequenos animais, na água de um lago. A carta de outubro de 1676 relata animais em água da chuva, do poço e do mar e em infusão de pimenta; nela, ele cuidava de contaminação, repondo água com água de neve. O secretário Oldenburg pediu que ele explicasse o método, e ele recusou. Grew não reproduziu os resultados; Hooke os viu em 1677.

Datas e "primeira vez": o que cabe afirmar

Segundo Lane (2015), a carta de 1676 traz a primeira descrição detalhada de protistas e bactérias; a de setembro de 1683 sobre a placa dos dentes é, para Berkeley, das primeiras observações de bactérias vivas registradas. O desenho tido como o primeiro de bactérias é uma cópia de Henry Baker, pois o original não sobreviveu. E a identificação da "faixa verde" de 1674 é discutida: Spirogyra para Dobell, cianobactéria Dolichospermum para Van Egmond (2016). Ford (1981) mediu resolução menor que 1 µm; a medida anterior era de 1,35 µm.

Como sabemos

Biografia, instrumentos e datas das cartas têm fontes abertas lidas na íntegra; as cartas originais não foram abertas e o motivo do sigilo é hipótese.

Em debate: Por que Leeuwenhoek manteve segredo sobre as lentes

Fontes

  1. Philosophical Transactions of the Royal Society B (University College London) — The unseen world: reflections on Leeuwenhoek (1677) 'Concerning little animals'
    Lane, N. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rstb.2014.0344
  2. Science Advances (Rijksmuseum Boerhaave; Technische Universiteit Delft) — Neutron tomography of Van Leeuwenhoek's microscopes
    Cocquyt, T.; Zhou, Z.; Plomp, J.; van Eijck, L. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.abf2402
  3. Antonie van Leeuwenhoek (Delft University of Technology) — Antoni van Leeuwenhoek 1723-2023: a review to commemorate Van Leeuwenhoek's death, 300 years ago
    Robertson, L. A. · 2023 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1007/s10482-023-01859-4
  4. Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, Berkeley — Antony van Leeuwenhoek (1632-1723)
    University of California Museum of Paleontology · s.d. · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 14; conferência de trechos automatizada)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos