Ciências da Terra

Lagos sob o gelo da Antártida: radar e satélite os revelaram; em 2013 a perfuração amostrou o Whillans

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Água na Terra

Mais de 400 lagos de água líquida são conhecidos sob o gelo da Antártida. Os primeiros foram detectados de longe, por radar de aeronave a partir do fim dos anos 1960; depois vieram a altimetria por satélite e dados sísmicos. A primeira amostragem bem-sucedida de um deles ocorreu em janeiro de 2013, no lago Whillans, sob cerca de 800 m de gelo, por um furo de água quente.

Sob quilômetros de gelo, o calor geotérmico de fundo, conservado pelo isolamento térmico do próprio gelo, pode levar a base ao ponto de fusão sob pressão e acumular água em depressões do leito. Esses lagos subglaciais não se veem da superfície, então foram reconstruídos por métodos remotos. O radar de sondagem de eco de rádio manda ondas pelo gelo e lê o eco: água lisa dá um reflexo brilhante e plano. Satélites medem a altura da superfície, que fica notavelmente plana sobre um lago e muda quando ele enche ou esvazia. Medidas sísmicas, como as feitas pelos russos em Vostok, ajudam a medir espessura e profundidade. A amostragem veio depois, e o desafio era furar sem contaminar o que se queria estudar.

Uma estação na borda de um lago

Os dados de satélite mostraram, por coincidência, que a estação Vostok, onde se perfurou um testemunho de gelo profundo para estudar o clima passado, ficava na margem sul do maior lago subglacial antártico, o Vostok.

Primeiro o radar, depois o satélite

Os primeiros lagos subglaciais foram vistos pelo radar no fim dos anos 1960. Nos anos 1980 o interesse caiu, porque se achava que a água corria devagar demais no leito para afetar o gelo. No início dos anos 1990 o satélite ERS-1 reacendeu a questão ao mostrar uma superfície plana sobre o Vostok. Hoje satélites também detectam lagos ativos: a premissa é que uma mudança curta e localizada na altura do gelo seja água se movendo embaixo.

O Vostok: um lago grande estimado de longe

Em 1996, Kapitsa e colegas combinaram altimetria, radar e sísmica para estimar um lago de cerca de 10.000 km² sob cerca de 4 km de gelo, doce, com profundidade média de pelo menos 125 m e água com idade média de cerca de 1 milhão de anos. São estimativas indiretas: a água não foi analisada. A revisão de 2016 cita profundidade de pelo menos 500 m, e os números dependem do método.

O Whillans: a primeira amostra direta

O Whillans tem cerca de 2 m de coluna de água e fica sob cerca de 800 m de gelo. Foi identificado por satélite e amostrado em janeiro de 2013 por um furo de água quente. A água continha micro-organismos ativos em um ecossistema movido por quimiossíntese, e as comunidades eram distintas das da água de perfuração, o que reduz a dúvida sobre contaminação.

O que ainda é incerto

O DNA mostra quem está lá, não necessariamente o que faz. O ciclo do metano é hipótese dos autores. Um lago raso e conectado como o Whillans pode não representar um lago grande como o Vostok. E os mais de 400 lagos são uma contagem de inventário, sujeita a revisão.

Como sabemos

Detecção remota e amostragem do Whillans bem documentadas em fontes abertas; Kapitsa 1996 e Christner 2014 lidos só nos resumos.

Em debate: Estudos de gelo de acreção do Vostok sugeriram micro-organismos viáveis, mas dúvidas de contaminação deixaram a evidência em debate; no Whillans a amostragem foi direta e com controles.

Fontes

  1. Philosophical Transactions of the Royal Society A — Recent advances in understanding Antarctic subglacial lakes and hydrology
    Siegert, M. J.; Ross, N.; Le Brocq, A. M. · 2016 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsta.2014.0306
  2. Nature — A large deep freshwater lake beneath the ice of central East Antarctica
    Kapitsa, A. P.; Ridley, J. K.; Robin, G. de Q.; Siegert, M. J.; Zotikov, I. A. · 1996 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/381684a0
  3. Nature — A microbial ecosystem beneath the West Antarctic ice sheet
    Christner, B. C.; Priscu, J. C.; Achberger, A. M. et al. · 2014 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/nature13667
  4. Frontiers in Microbiology — Microbial Community Structure of Subglacial Lake Whillans, West Antarctica
    Achberger, A. M.; Christner, B. C.; Michaud, A. B.; Priscu, J. C.; Skidmore, M. L.; Vick-Majors, T. J.; WISSARD Science Team · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3389/fmicb.2016.01457
  5. Frontiers in Microbiology — Physiological Ecology of Microorganisms in Subglacial Lake Whillans
    Vick-Majors, T. J.; Mitchell, A. C.; Achberger, A. M.; Christner, B. C. et al. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3389/fmicb.2016.01705
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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