Zoologia

Por que a jubarte vem ao Brasil todo ano e como se acompanha a viagem?

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

Assuntos: Jubarte

As jubartes que passam o inverno no Brasil parem e acasalam em águas rasas e mornas, sobretudo no Banco dos Abrolhos (BA/ES), onde se concentra cerca de 85% da população. Depois seguem para o sul: etiquetas de satélite colocadas ali mostraram que elas cruzam o Atlântico em 40 a 58 dias até a região da Geórgia do Sul e das Ilhas Sandwich do Sul, onde se alimentam. Fotos da cauda ajudam a reconhecer cada baleia.

No inverno e na primavera austrais, de julho a novembro, as jubartes ocupam a costa brasileira para reprodução; no verão estão em águas frias do Atlântico Sul, entre cerca de 50 e 60 graus de latitude sul. A rota entre os dois lugares só foi comprovada no século XXI. Em 2003 e 2005, equipes brasileiras e norte-americanas prenderam transmissores a baleias no sul do Banco dos Abrolhos. Sete delas foram acompanhadas entre 16 e 205 dias, percorrendo de 902 a 7.258 km. Um estudo posterior, com 22 adultas marcadas até 2019, confirmou a rota. Em paralelo, o Projeto Baleia Jubarte, criado em 1988 em Caravelas (BA), mantém um catálogo de fotos de caudas. A população quase desapareceu: de cerca de 27 mil animais em 1830 a uns 450 em meados da década de 1950. Hoje estaria perto do tamanho original, segundo um modelo de 2019.

A cauda é a identidade

A parte de baixo da cauda de cada jubarte tem um padrão de pigmentação único. É o que os pesquisadores fotografam para reconhecer indivíduos. Filhotes ficam de fora do catálogo, porque o padrão deles muda rápido.

Por que Abrolhos

O Banco dos Abrolhos é uma plataforma rasa, com média de cerca de 30 m e raramente mais de 40 m de profundidade, e água de 22 a 24 °C no inverno. Esse perfil é típico de áreas de reprodução da jubarte. Por isso é descrito como a área mais importante de parto e reprodução da espécie no Atlântico Sul ocidental, usada de julho a novembro. A pesquisa mostra o que elas fazem ali, não explica sozinha por que águas rasas e mornas ajudam os filhotes.

A viagem de 40 a 58 dias

Em 2003 e 2005, os transmissores mostraram saídas de fim de outubro a fim de dezembro, entre 20 e 25 °S, com rumo médio de 170 graus e velocidade de 80,2 km por dia. Na área de alimentação, o ritmo cai: o deslocamento é errático, cerca de 22 km por dia. Um estudo com 22 adultos até 2019 achou dois fluxos: um ao longo da plataforma brasileira e outro em mar aberto.

A ciência brasileira por trás

O Projeto Baleia Jubarte nasceu em 1988, em Caravelas (BA), junto à criação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. A telemetria de 2003 e 2005 foi feita a partir de Conceição da Barra (ES) e Nova Viçosa (BA), com autores brasileiros como Artur Andriolo, da UFJF, e o Instituto Aqualie. Fotos de cauda e etiquetas de satélite se complementam: uma mostra a identidade de cada animal, a outra o caminho.

A recuperação

Um modelo de 2019 estima que a população do Atlântico Sul ocidental tinha cerca de 27 mil baleias em 1830 e caiu para cerca de 450 em meados da década de 1950. Com a proteção, estaria hoje em 93% do tamanho original, com intervalo de 73 a 100%. Os autores alertam que, com tantas baleias, o consumo de krill-antártico pode crescer e mudar a comunidade nas áreas de alimentação.

Como sabemos

Rota, tempos e recuperação populacional vêm de artigos científicos de pesquisadores brasileiros e norte-americanos; a estimativa de recuperação tem incerteza declarada.

Em debate:

Fontes

  1. Journal of Cetacean Research and Management (Zerbini et al., 2011) — Migration and summer destinations of humpback whales (Megaptera novaeangliae) in the western South Atlantic Ocean
    consultada em 11/10/2026
  2. IUCN Joint SSC/WCPA Marine Mammal Protected Areas Task Force — Southwest Atlantic Humpback Migratory Corridor IMMA Factsheet
    consultada em 11/10/2026
  3. Journal of Cetacean Research and Management (Freitas et al., 2004) — Abundance of humpback whales on the Abrolhos Bank wintering ground, Brazil
    consultada em 11/10/2026
  4. Royal Society Open Science (Zerbini et al., 2019) — Assessing the recovery of an Antarctic predator from historical exploitation
    consultada em 11/10/2026
  5. Instituto Baleia Jubarte — O Projeto e Pesquisa (fotoidentificação)
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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