Zoologia
Jubartes cercam presas com redes de bolhas, e um estudo de 2024 trata essas redes como ferramentas fabricadas
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
Assuntos: Jubarte
A jubarte solta ar pelo orifício respiratório enquanto nada em círculo abaixo da superfície. As bolhas sobem em cortinas e, vistas de cima, formam um ou mais anéis. Os peixes ou o krill ficam presos no meio, e a baleia sobe de boca aberta pelo centro. Às vezes várias jubartes fazem isso juntas. Em 2024, um estudo no Alasca concluiu que baleias sozinhas controlam o tamanho, a profundidade e o espaçamento das bolhas da rede.
A jubarte filtra krill e peixes pequenos, e para isso precisa que a presa esteja concentrada. Ela usa bolhas, sons, o fundo do mar e até as nadadeiras para encurralar cardumes. A agência oceânica dos Estados Unidos (NOAA) descreve a forma em grupo: várias baleias soltam cortinas de bolhas que apertam o cardume, que é empurrado para a superfície e engolido quando elas sobem pelo meio do círculo. Há variações: anéis bem desenhados, nuvens de bolhas soltas de uma vez, ou bolhas combinadas com batidas de cauda. A NOAA nota que essas técnicas parecem variar de região para região. Uma delas, a alimentação com batida de cauda, espalhou-se numa população do Atlântico Norte por aprendizado social ao longo de 27 anos. O estudo de 2024 olhou de perto as redes feitas por baleias solitárias.
Ferramenta feita de ar
Poucas espécies fabricam ou modificam ferramentas para comer, como chimpanzés, orangotangos e corvos-da-nova-caledônia. Os autores do estudo de 2024 argumentam que a jubarte entra nesse grupo: a rede de bolhas é solta do corpo, usada fora dele e ajustada pela baleia.
Anel, nuvem e batida de cauda
A rede clássica é um anel ou uma espiral de colunas de bolhas, feita enquanto a baleia nada em círculo e solta ar. Há também a nuvem, uma massa de bolhas solta de uma só vez, e combinações com batidas de cauda na superfície antes do mergulho. A NOAA observa que essas técnicas parecem variar de uma região para outra, o que combina com a ideia de que parte delas é aprendida.
Sozinhas ou em grupo
No Alasca e no Atlântico Norte, grupos de jubartes caçam juntos: uma ou mais soltam as bolhas, e todas sobem pelo centro de boca aberta. O estudo de 2024 olhou para outra situação, comum no sudeste do Alasca: mais de 70 baleias fazendo cada uma a sua rede. Redes em que uma segunda baleia interagia foram tiradas da análise, para medir só o trabalho individual.
Uma ferramenta feita de ar?
Para os autores, a rede cumpre os critérios de ferramenta: é solta do corpo, usada fora dele e ajustada. As redes tinham anéis internos menores e bolhas mais próximas no centro. Se toda a presa do anel externo acabar no interno, a concentração sobe em média mais de sete vezes. É um cálculo teórico: ninguém mediu o krill dentro da rede. A respiração e o ritmo de investidas não indicaram gasto extra de energia.
O que ainda falta saber
O estudo usou cinco baleias com etiqueta, num só lugar e num só mês, comendo krill. Os próprios autores dizem não assumir que redes feitas em grupo ou para peixes funcionem igual. Também não se sabe com que frequência populações do Hemisfério Sul, como a que se reproduz no Brasil, usam redes de bolhas nas áreas de alimentação antárticas, nem como cada baleia aprende a técnica.
Como sabemos
Descrição do comportamento é consenso; o ganho de sete vezes e a classificação como ferramenta são interpretação dos autores, apresentada como tal.
- Fato estabelecido: A jubarte faz a rede de bolhas soltando ar pelo orifício respiratório enquanto nada em círculo abaixo da superfície; as bolhas sobem em cortinas verticais que, vistas de cima, parecem um ou mais anéis. [1] Introdução, §2
Contexto: Descrição geral do comportamento. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Jubartes filtram krill e peixes pequenos e usam bolhas, sons, o fundo do mar e as nadadeiras peitorais para encurralar e desorientar presas. [2] seção Behavior and Diet
Contexto: Todas as populações. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Consenso científico: Na rede de bolhas coordenada em grupo, cortinas de bolhas concentram o cardume, que é empurrado para a superfície e engolido quando as baleias sobem pelo meio do círculo. [2] seção Behavior and Diet
Contexto: Descrição da NOAA. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Interpretação: Os comportamentos de alimentação com bolhas parecem ter especialização regional entre populações. [2] seção Behavior and Diet
Contexto: Comparação entre populações. · Limitações: A NOAA usa "parece"; não cita estudo. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Jubartes soltam bolhas em redes circulares precisas ou em nuvens sem forma definida, e as bolhas fazem o cardume se juntar; em algumas caçadas várias baleias trabalham juntas. [3] item Cooperative Feeding
Contexto: Santuário de Stellwagen Bank (Atlântico Norte). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Hipótese: Em outra técnica, a jubarte bate a parte de trás do corpo na água antes de descer sob a rede de bolhas; o choque ou o som da batida pode atordoar ou confundir os peixes. [3] item Kickfeeding
Contexto: Atlântico Norte. · Limitações: A função da batida é uma possibilidade, não um resultado medido. · A fonte usa "pode" (may); efeito sobre os peixes não foi medido. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Evidência forte: A alimentação com batida de cauda espalhou-se por uma população de jubartes ao longo de 27 anos, e modelos com transmissão social tiveram de 6 a 23 ordens de grandeza mais apoio que modelos sem ela. [4] Resumo
Contexto: Uma população do Atlântico Norte, 27 anos de observações. · Limitações: A distribuição da presa também influenciou a velocidade de adoção, segundo os autores. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em julho de 2019, no sudeste do Alasca, pesquisadores acompanharam um agrupamento de mais de 70 jubartes que faziam redes de bolhas sozinhas e instrumentaram cinco delas com etiquetas de vídeo e sensores, que registraram 321 redes. [1] Resultados, 3.2
Contexto: Baleias se alimentando de krill. · Limitações: Cinco baleias com etiqueta, um único local e um único mês. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Com drones, a equipe documentou 103 redes de bolhas feitas por 23 baleias; as redes são formadas por anéis tangentes por dentro, e os autores sugerem que as baleias controlam o número de anéis, o tamanho e a profundidade da rede e o espaçamento entre as bolhas. [1] Resumo
Contexto: Baleias solitárias no sudeste do Alasca. · Limitações: Controle ativo é inferido da consistência e da variação das redes, não demonstrado por experimento. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Os autores argumentam que a rede aumenta em média cerca de sete vezes a quantidade de presa obtida em cada investida, sem aumentar o gasto de energia medido pela respiração e pelos movimentos. [1] Discussão
Contexto: Cálculo a partir da diferença de área entre o anel externo e o interno. · Limitações: O ganho de sete vezes é teórico: os autores não mediram a presa dentro da rede. · Estimativa teórica; o gasto de energia foi inferido de respiração e cinemática em cinco baleias. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Os autores concluem que a rede de bolhas cumpre os critérios gerais de fabricação e uso de ferramenta, porque é solta do corpo e usada externamente; poucas espécies fabricam ou modificam ferramentas. [1] Resumo
Contexto: Interpretação dos autores com base em definições usadas para outros animais. · Limitações: Classificar bolhas como ferramenta depende da definição adotada. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Pesquisadores já notaram diferenças de tamanho e forma das redes dentro de uma mesma população, em parte ligadas ao número de baleias e ao tipo de presa, como arenque-do-pacífico, salmões jovens e krill. [1] Introdução, §2
Contexto: Revisão de estudos anteriores feita na introdução de f1. · Limitações: É correlação; não mostra que o tipo de presa causa a forma da rede. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Incerto: Os autores não assumem que redes feitas em grupo ou com outras presas tenham a mesma estrutura e recomendam comparar esses contextos. [1] Discussão, último parágrafo
Contexto: Limite declarado do estudo. · Questão aberta apontada pelos próprios autores. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Hipótese: Outras formas de caça com bolhas incluem nuvens de bolhas soltas numa só expiração, que concentram a presa e podem confundi-la ou esconder a baleia. [5] seção Food Habits
Contexto: Obra de referência de 2000. · Limitações: As funções da nuvem são hipóteses; texto antigo. · A fonte lista possibilidades (may). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: No estudo de 2024, drones com telêmetro a laser mediram a área dos anéis e a distância entre bolhas, cada baleia foi identificada pela cauda, e a ecossonda do barco indicou presas em média entre 10 e 37 m de profundidade perto das baleias; 83 redes feitas por baleias sozinhas entraram na análise. [1] Resultados, 3.1
Contexto: Métodos do estudo no sudeste do Alasca. · Limitações: A camada de presas detectada pela sonda é uma medida aproximada da profundidade do alimento. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Royal Society Open Science 11(8): 240328 — Solitary humpback whales manufacture bubble-nets as tools to increase prey intake
Szabo, A.; Bejder, L.; Warick, H.; van Aswegen, M.; Friedlaender, A. S.; Goldbogen, J.; Kendall-Bar, J. M.; Leunissen, E. M.; Angot, M.; Gough, W. T. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsos.240328 - NOAA Fisheries (EUA) — Humpback Whale (Megaptera novaeangliae)
NOAA Fisheries · 2026-10-01 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NOAA (EUA) — Whale Behaviors
NOAA Office of National Marine Sanctuaries, Stellwagen Bank National Marine Sanctuary · s.d. · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Science 340(6131): 485–488 (PMID 23620054) — Network-based diffusion analysis reveals cultural transmission of lobtail feeding in humpback whales
Allen, J.; Weinrich, M.; Hoppitt, W.; Rendell, L. · 2013 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1231976 - Animal Diversity Web, University of Michigan Museum of Zoology — Megaptera novaeangliae (humpback whale)
Kurlansky, M.; Shefferly, N. (ed.) · 2000 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
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