Zoologia

A caça reduziu as jubartes do Brasil a algumas centenas; modelos indicam que hoje estão perto do tamanho original

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Jubarte

As jubartes que se reproduzem no Brasil foram caçadas do século XIX até 1972. Um modelo de 2019 estima que a população caiu de cerca de 27 mil animais em 1830 para uns 450 em meados da década de 1950. Com a proteção, cresceu rápido: o mesmo modelo calcula cerca de 24.900 baleias em 2019, perto de 93% do tamanho anterior à caça. Uma reanálise de 2021 chegou a números menores para o passado.

A população do Atlântico Sul ocidental se reproduz na costa do Brasil, sobretudo em Abrolhos, e se alimenta perto da Geórgia do Sul e das Ilhas Sandwich do Sul. Foi caçada em duas frentes. Na costa brasileira, estações baleeiras mataram jubartes durante todo o século XIX. A partir de 1904, a caça industrial na Geórgia do Sul fez dela o primeiro grande alvo da caça comercial na Antártida. Ninguém contou as baleias naquela época. Os números do passado vêm de modelos que juntam registros de captura, contagens recentes e dados genéticos e biológicos. Por isso são faixas largas, e modelos diferentes dão valores diferentes. O que todos mostram é a mesma curva: queda abrupta, quase 40 anos com menos de mil animais e recuperação forte depois da proteção.

A genética quase não sentiu

Um estudo de 2018 com DNA de 420 jubartes do Atlântico Sul ocidental encontrou diversidade genética alta. O cenário que melhor explicou os dados foi o de tamanho efetivo constante durante a caça comercial, e os autores concluem que a população resistiu bem à redução.

Duas caçadas

A primeira foi costeira: do século XIX até 1924, estações no litoral brasileiro mataram de 11 mil a 33 mil jubartes, segundo uma reconstrução baseada em capturas anuais e no óleo vendido. A segunda foi industrial: a partir de 1904, estações na Geórgia do Sul mataram quase 25 mil em 12 anos. No fim da década de 1920, as jubartes já eram raras no Atlântico Sul ocidental.

Como o modelo funciona

O modelo de 2019 parte de uma população original desconhecida e subtrai, ano a ano, as capturas registradas, mais uma estimativa de baleias feridas e perdidas. Depois testa milhares de cenários e guarda os que batem com as contagens recentes, com a taxa de crescimento observada e com um piso dado pela diversidade genética. O resultado é uma distribuição de valores, não um número exato.

Números que mudam com o método

Uma avaliação da Comissão Baleeira Internacional na década de 2000 dizia que a população estava em só 30% do tamanho original. O modelo de 2019 incluiu a caça costeira e as baleias perdidas e chegou a 93%. Uma reanálise de 2021, com outro método, estimou uma população original de uns 22.900 e um mínimo de uns 305. Os intervalos se sobrepõem; a tendência de recuperação forte é comum a todos.

Depois da recuperação

O Brasil proibiu a caça e o molestamento de cetáceos em 1987, e o Projeto Baleia Jubarte começou em 1988. Em 2014 a espécie saiu da lista nacional de ameaçadas. Com cerca de 25 mil baleias, o consumo de krill nas áreas de alimentação pode chegar a milhões de toneladas por temporada, e os autores do modelo pedem monitoramento do efeito sobre o ecossistema e das ameaças atuais.

Como sabemos

Datas e capturas vêm de registros compilados; tamanhos populacionais são estimativas de modelo, apresentadas com intervalos e com a divergência entre modelos.

Fontes

  1. Royal Society Open Science 6: 190368 — Assessing the recovery of an Antarctic predator from historical exploitation
    Zerbini, A. N.; Adams, G.; Best, J.; Clapham, P. J.; Jackson, J. A.; Punt, A. E. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsos.190368
  2. PLOS ONE 11(10): e0164596 — Whale, Whale, Everywhere: Increasing Abundance of Western South Atlantic Humpback Whales (Megaptera novaeangliae) in Their Wintering Grounds
    Bortolotto, G. A.; Danilewicz, D.; Andriolo, A.; Secchi, E. R.; Zerbini, A. N. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0164596
  3. PLOS ONE 16(11): e0259541 — Alternative method for assessment of southwestern Atlantic humpback whale population status
    Bortolotto, G. A.; Thomas, L.; Hammond, P.; Zerbini, A. N. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0259541
  4. Genetics and Molecular Biology 41(1 supl.) — Effective population size and the genetic consequences of commercial whaling on the humpback whales (Megaptera novaeangliae) from Southwestern Atlantic Ocean
    Cypriano-Souza, A. L.; da Silva, T. F.; Engel, M. H. et al. · 2018 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1590/1678-4685-gmb-2017-0052
  5. Planalto (Casa Civil) — Lei nº 7.643, de 18 de dezembro de 1987: proíbe a pesca de cetáceo nas águas jurisdicionais brasileiras
    Brasil, Presidência da República · 1987-12-18 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  6. Instituto Baleia Jubarte / Projeto Baleia Jubarte — O Projeto; A Baleia Jubarte
    Instituto Baleia Jubarte · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  7. Instituto Baleia Jubarte / Projeto Baleia Jubarte — A Baleia Jubarte
    Instituto Baleia Jubarte · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 12/10/2026 — Correção de registro: trecho do estudo de 2021 copiado literalmente e fonte certa para a retirada da lista de ameaçadas (2014)
  • Versão 1 · 12/10/2026 — primeira versão

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