Ecologia

Invasoras e extinções: a Lista Vermelha as cita em 54% das extinções desde 1500, mas não como causa única

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

Na Lista Vermelha da IUCN de 2015, espécies exóticas invasoras aparecem entre as ameaças de 134 das 247 espécies de plantas, anfíbios, répteis, aves e mamíferos extintas ou extintas na natureza (54%), e de 62% dos vertebrados. Cerca de 86% dessas perdas foram de endemismos de ilhas. Cada espécie extinta tinha em média 1,9 ameaças listadas, e a atribuição vem de registros de especialistas.

Uma espécie exótica invasora é a que foi levada pelo ser humano para fora de sua área natural e se estabeleceu onde causa dano. A conta de "quanto da extinção é culpa delas" sai de bases como a Lista Vermelha da IUCN, em que especialistas registram, para cada espécie, as ameaças conhecidas (caça, agricultura, doenças, predadores introduzidos etc.). Por isso o número mede quantas vezes as invasoras são citadas, não quantas extinções ocorreriam sem elas. Os estudos aqui reunidos contam extinções desde 1500 d.C., cobrem sobretudo vertebrados e mostram o peso desigual das invasoras: enorme em ilhas, menor no continente. A sequência de etapas pela qual uma espécie se torna invasora tem artigo próprio.

Segundo lugar por uma espécie

Em 2015, a ameaça mais citada entre 215 espécies extintas foi o uso de recursos biológicos (caça e coleta), em 125; as exóticas vieram logo atrás, em 124. A diferença foi de uma única espécie.

Como sabemos: citação na Lista Vermelha, não experimento

Bellard e colegas pegaram cada espécie extinta ou extinta na natureza da Lista Vermelha de 2015 e anotaram, 1 ou 0, quais das 12 ameaças da IUCN estavam registradas, separando exóticas de outras espécies problemáticas. Doherty e colegas fizeram metanálise de 1.439 casos, dando peso 0,25, 0,75 ou 1,0 conforme a gravidade e a força da evidência. Nenhum dos dois mede o que teria acontecido sem as invasoras: o dado é a citação por especialistas.

Ilhas: onde as invasoras pesam mais

A maior parte das extinções com exóticas citadas foi de endemismos de ilhas (86% de 134 espécies), sobretudo em Austrália, Nova Zelândia e no Pacífico. Em ilhas, a coocorrência é ampla: dos 1.189 vertebrados altamente ameaçados que se reproduzem nelas, vertebrados invasores estavam presentes em 76% das ilhas com informação. Isso mostra que invasores e ameaçados convivem nesses lugares, não prova sozinho que a invasora é a causa em cada caso.

Quem são os invasores citados, e fora das ilhas

Predadores mamíferos (sobretudo ratos e gatos) estão ligados a 142 extinções de aves, mamíferos e répteis, e doenças como a quitridiomicose pesam para anfíbios. No continente a cifra é menor: 14% das extinções com exóticas citadas envolveram espécies com populações continentais, e entre os vertebrados ameaçados a presença das invasoras é maior em ilhas, exceto na Ásia e na América do Sul, segundo Bellard et al. (2016).

Por que a conta é disputada

O ponto em debate é se as invasoras são causa independente ou sintoma de outras pressões, como perda de habitat. Bellard et al. (2016) citam trabalhos anteriores que achavam bem mais espécies ameaçadas por perda de habitat, e eles próprios admitem que a Lista Vermelha pode superestimar o efeito ou subestimá-lo, pela dificuldade de detectar parasitas. Para espécies já extintas, a contribuição exata nunca será conhecida.

Como sabemos

Os números vêm de quatro estudos com base na Lista Vermelha; medem citação de invasoras como ameaça, e a causalidade em cada extinção é debatida.

Em debate:

Fontes

  1. Biology Letters (The Royal Society) — Alien species as a driver of recent extinctions
    Bellard, C.; Cassey, P.; Blackburn, T. M. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsbl.2015.0623
  2. Science Advances (AAAS) — Globally threatened vertebrates on islands with invasive species
    Spatz, D. R. et al. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.1603080
  3. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Invasive predators and global biodiversity loss
    Doherty, T. S.; Glen, A. S.; Nimmo, D. G.; Ritchie, E. G.; Dickman, C. R. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1602480113
  4. Proceedings of the Royal Society B — Global patterns in threats to vertebrates by biological invasions
    Bellard, C.; Genovesi, P.; Jeschke, J. M. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2015.2454
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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