Zoologia

Queda de 76% na biomassa de insetos voadores na Alemanha: o que o estudo de 27 anos mediu e o que não prova

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

Armadilhas Malaise em 63 áreas protegidas alemãs, entre 1989 e 2016, indicam queda estimada de 76% na biomassa de insetos voadores na estação, 82% no pleno verão. O resultado vale para áreas de baixa altitude do oeste do país e não identifica a causa nem diz quais espécies diminuíram.

Biomassa é o peso total dos insetos capturados, sem separar espécies. A Entomological Society Krefeld usou a mesma armadilha (Malaise, uma tenda de tela que intercepta insetos em voo) e o mesmo protocolo de pesagem durante décadas. Cada local foi quase sempre amostrado em um ou dois anos, e a tendência vem de um modelo estatístico que junta os 96 pares de local e ano, corrigindo por estação e tipo de habitat. A queda é uma estimativa desse modelo, com intervalo de incerteza.

O que a armadilha deixa passar

A Malaise intercepta insetos que voam até cerca de 1 m do solo. Uma armadilha de sucção a 12,2 m de altura, usada no Reino Unido, capta outro conjunto de insetos e mostrou queda em só um de quatro locais.

Como sabemos: o que a armadilha mede

A Malaise intercepta insetos em voo e os guarda em álcool a 80%. Cada coleta foi pesada com protocolo fixo: a amostra escorre numa peneira inclinada até as gotas espaçarem 10 segundos. Foram 1.503 coletas, em média 16 por local e ano, num total de 53,54 kg. O dado é peso, não contagem de indivíduos nem de espécies.

Onde o desenho limita a conclusão

Dos 63 locais, 37 foram amostrados num só ano e 26 mais de uma vez. O modelo estima a tendência do conjunto, não de cada reserva. Os autores refizeram a conta com os 26 locais repetidos e chegaram a queda parecida. O estudo cobre baixadas do oeste alemão, em sua maioria em Renânia do Norte-Vestfália, e não permite falar de outros países ou biomas.

Causa: o que foi testado e o que não foi

Tempo, habitat e cobertura do solo em raio de 200 m não explicaram a queda. Manejo agrícola, uso de agrotóxicos e adubação ficaram de fora por falta de dados. Os autores sugerem, como hipótese, que o entorno agrícola esvazie as reservas. É hipótese: o estudo não a testou, e por isso a queda é um achado sobre o que aconteceu, não sobre o porquê.

Outros estudos e o que veio depois

Um estudo alemão de 2008 a 2017 em pastagens e florestas também achou queda de biomassa de artrópodes, maior em paisagens com mais área agrícola. Em 2020 e 2021, uma repetição em 21 reservas encontrou biomassa baixa, sem recuperação, mas só dois anos não permitem apontar tendência.

Como sabemos

Os números centrais estão no artigo lido por inteiro, mas a causa é aberta e a crítica externa ao estudo de 2017 não foi lida em texto integral.

Fontes

  1. PLOS ONE — More than 75 percent decline over 27 years in total flying insect biomass in protected areas
    Hallmann, C. A. et al. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0185809
  2. Nature — Arthropod decline in grasslands and forests is associated with landscape-level drivers
    Seibold, S. et al. · 2019 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-019-1684-3
  3. Ecology and Evolution — No recovery in the biomass of flying insects over the last decade in German nature protected areas
    Müller, A. et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1002/ece3.11182
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)

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