Ciências da Terra
Derreter gelo que já flutua quase não eleva o mar; o que o eleva é o gelo que sai de cima da terra
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Assuntos: Água na Terra
Quando gelo que já flutua derrete, o nível do mar quase não muda: pelo princípio de Arquimedes, o gelo desloca água de massa igual à sua, e o degelo ocupa esse mesmo espaço. Sobra um efeito pequeno, de cerca de 3% do que a mesma massa de gelo apoiado em terra causaria, porque o degelo é água doce e o mar é mais denso. O que mais eleva o oceano é o gelo de terra que chega a ele.
Pelo princípio de Arquimedes, um corpo que flutua desloca um volume de líquido cujo peso é igual ao seu. Por isso, um cubo de gelo derretendo num copo não muda o nível da água. No oceano há três casos: o gelo marinho, que é água do mar congelada e flutua; as plataformas de gelo e os icebergs, que já flutuam; e as geleiras e mantos de gelo apoiados em terra, que ainda não estão na água. Só o terceiro grupo traz massa nova ao oceano. A diferença em relação ao copo é a salinidade: o degelo é água doce, menos densa que a do mar, e por isso ocupa um pouco mais de espaço do que o gelo deslocava.
Centenas de km³ de gelo flutuante somem por ano
Um estudo de 2019 cita perdas de cerca de 300 ± 100 km³ por ano no gelo marinho do Ártico e de 310 ± 37 km³ por ano nas plataformas da Antártida (2003–2012). Em primeira aproximação, essa perda não eleva o mar; só um resíduo de salinidade conta.
O copo d'água e o oceano: Arquimedes em uma frase
A força de empuxo sobre um corpo é igual ao peso do líquido que ele desloca. Um bloco de gelo que flutua desloca, portanto, água com a mesma massa que ele tem. Ao derreter, vira exatamente essa massa de água, que preenche o espaço antes ocupado pela parte submersa. Num copo, o nível não muda. Um estudo de 2019 sobre o balanço de água do oceano parte dessa lógica: a variação do gelo flutuante não altera o nível do mar, ao contrário da água que vem do continente.
O pequeno resto: água doce no mar salgado
A NASA explica que o gelo flutuante é feito de água doce, menos densa que a do mar. Ao derreter, ocupa um pouco mais de volume do que a água do mar que deslocava, e o nível sobe de leve. A agência estima o efeito em cerca de 3% do causado por gelo apoiado em terra. Conta nossa: 1 km³ de gelo a 917 kg/m³ desloca 0,892 km³ de mar a 1.028 kg/m³ e vira 0,917 km³ de água doce, diferença de 0,025 km³, ou 2,7% do degelo. A conta ignora a mistura com o mar.
Como sabemos: medir o gelo que flutua e o que não flutua
O volume do gelo flutuante é medido à distância: altímetros de radar em satélites estimam a variação das plataformas da Antártida, e o gelo marinho do Ártico vem de um modelo (PIOMAS) e de observações de satélite. Um estudo de 2019 cita perdas de 310 ± 37 km³ por ano nas plataformas (2003–2012) e cerca de 300 ± 100 km³ por ano no Ártico. Em primeira aproximação, isso não eleva o mar. A salinidade entra como correção fina: a NASA cita cerca de 1,1 mm entre 1994 e 2017, sem o estudo de origem.
O que de fato eleva o mar: o gelo que sai da terra
Gelo apoiado em terra soma massa nova ao oceano. Se todo o manto da Groenlândia derretesse, o nível subiria cerca de 7,4 m; o da Antártida, cerca de 58 m, segundo o NSIDC. As plataformas, por já flutuarem, não contribuem diretamente ao se romper; o efeito indireto é que as geleiras que as alimentam aceleram. Para Gavin Schmidt, da NASA, uma geleira enorme que cai no mar eleva mais o nível do que uma plataforma flutuante derretendo.
Como sabemos
O princípio e o mecanismo estão bem fontados; o valor de cerca de 3% e o de 1,1 mm vêm de uma página de divulgação da NASA, sem o estudo de origem.
- Consenso científico: Pelo princípio de Arquimedes, a variação do gelo flutuante não afeta o nível do mar, ao contrário da água doce que vem do continente, que acrescenta massa ao oceano. [4] Resumo
Contexto: Aproximação de primeira ordem, usada num balanço de água do oceano de 2005 a 2015. · Limitações: Desconsidera o efeito da diferença de salinidade, tratado em a4 a a6. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A força de empuxo sobre um corpo submerso é igual ao peso do líquido que ele desloca (princípio de Arquimedes); para a água, a densidade é de 1 g/cm³. [5] Archimedes' Principle
Contexto: Princípio físico geral, válido para qualquer fluido em equilíbrio. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Ao derreter cubos de gelo em um copo de água, o nível da água não muda. [1] The question
Contexto: Gelo e água de mesma composição (água doce). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Evidência forte: Como o gelo flutuante é feito de água doce, ele eleva levemente o nível do mar ao derreter no mar salgado, o que não acontece no copo. [1] The answer
Contexto: Gelo flutuante de água doce derretendo em água do mar. · Limitações: A NASA resume "vários estudos" sem citá-los na página; os estudos originais não foram abertos por nós. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Evidência forte: A água doce é menos densa que a salgada; ao derreter, o gelo flutuante ocupa mais volume do que a água do mar que deslocava, o que eleva o nível do mar. [1] The answer
Contexto: Mecanismo físico do efeito de salinidade. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: O efeito do gelo flutuante derretido equivale a cerca de 3% do efeito do derretimento de gelo apoiado em terra. [1] The answer
Contexto: Comparação entre massas iguais de gelo flutuante e de gelo apoiado em terra. · Limitações: Não abrimos o estudo original do qual o valor deriva. · Valor aproximado dado por uma página de divulgação da NASA; confere com a conta nossa de 2,7% (a14). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: O gelo flutuante contribuiu com cerca de 1,1 mm para o nível do mar entre 1994 e 2017. [1] Why it's important
Contexto: Período de 1994 a 2017, nível médio global do mar. · Limitações: A página não diz qual estudo produziu o número nem a incerteza. · Estimativa citada por página de divulgação da NASA, sem o estudo de origem. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Consenso científico: As plataformas de gelo não contribuem diretamente para a elevação do nível do mar quando se rompem, porque já estão flutuando. [2] Why they matter
Contexto: Plataformas de gelo (ice shelves), em termos de efeito direto. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Consenso científico: O colapso de uma plataforma de gelo contribui indiretamente para a elevação do mar, porque as geleiras que fluem para a plataforma aceleram. [2] Why they matter
Contexto: Efeito indireto: menos freio ao gelo de terra a montante. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Gelo marinho é água do mar congelada que flutua na superfície do oceano. [3] Overview
Contexto: Definição de gelo marinho (sea ice). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: Se todo o manto de gelo da Groenlândia derretesse, o nível do mar subiria cerca de 7,4 m; se fosse o da Antártida, cerca de 58 m. [6] Greenland Ice Sheet
Contexto: Cenário hipotético de derretimento total, sem prazo; não é projeção. · Equivalente em nível do mar do gelo atual; o valor da Antártida varia por fonte (58 m no NSIDC). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Interpretação: Segundo Gavin Schmidt, diretor do Goddard Institute for Space Studies da NASA, uma geleira enorme que cai no mar eleva o nível do mar mais do que o derretimento de uma plataforma de gelo flutuante. [1] The answer
Contexto: Declaração de um especialista, citada pela NASA em 2023. · Opinião de especialista citada em página de divulgação; coerente com a8 e a6. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: Estimou-se uma perda de cerca de 300 ± 100 km³ por ano no volume do gelo marinho do Ártico e de 310 ± 37 km³ por ano nas plataformas da Antártida (2003–2012), medida por satélite. [4] Results
Contexto: Valores citados no estudo; o do Ártico vem de modelo (PIOMAS) e observações de satélite, o da Antártida de altimetria de radar. · Limitações: Períodos distintos entre as duas séries; valores de um único estudo. · O estudo ajusta depois o valor do Ártico para 240 ± 100 km³ por ano; usamos o valor citado como estimativa publicada. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Conta nossa: 1 km³ de gelo a 917 kg/m³ desloca cerca de 0,892 km³ de água do mar a 1.028 kg/m³ e vira cerca de 0,917 km³ de água doce a 1.000 kg/m³; a diferença, de 0,025 km³, é cerca de 2,7% do volume do degelo. [4] Results [5] Archimedes' Principle
Contexto: Gelo de água doce em água do mar de densidade média; sem mistura. · Limitações: Desconsidera a mistura do degelo com o mar e a variação regional de salinidade; as densidades vêm de f4 e f5, a conta é nossa. · Cálculo nosso: deslocado = 917/1.028 = 0,892; degelo = 917/1.000 = 0,917; diferença = 0,025 km³ (0,025/0,917 = 2,7%). · Conferida em parte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A NASA descreve como equívoco comum a ideia de que a variação do nível do mar vem só do gelo apoiado em terra, e não do gelo flutuante, embora isso seja em grande parte verdade. [1] The answer
Contexto: Ressalva de que o efeito existe, ainda que pequeno. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- NASA Sea Level Change Portal — Melting Ocean Ice Affects Sea Level – Unlike Ice Cubes in a Glass
Huang, E. (NASA Sea Level Change Team) · 2023-05-02 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NSIDC, University of Colorado Boulder — Why ice shelves matter
National Snow and Ice Data Center · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NSIDC, University of Colorado Boulder — Sea Ice
National Snow and Ice Data Center · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Scientific Reports — Global ocean freshening, ocean mass increase and global mean sea level rise over 2005–2015
Llovel, W. et al. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-019-54239-2 - HyperPhysics, Georgia State University — Buoyancy and Archimedes' Principle (HyperPhysics)
Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NSIDC, University of Colorado Boulder — Ice Sheets
National Snow and Ice Data Center · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)