Ecologia

Da introdução à invasão: as etapas, o teste da regra dos dez e o que se consegue prever

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

A invasão biológica é uma sequência de filtros: transporte e introdução, estabelecimento, dispersão e impacto. A "regra dos dez" (cerca de 10% das espécies introduzidas se estabelecem e cerca de 10% destas se espalham) não se confirmou em vertebrados da Europa e da América do Norte, onde cada passo teve cerca de 50%. O fator mais consistente para o estabelecimento é a pressão de propágulos; o espalhamento e o impacto de espécies novas são difíceis de prever.

Espécie exótica é a que foi levada por ação humana para fora de sua área natural. Nem toda espécie transportada forma uma população que se sustenta sozinha (estabelecimento), e nem toda espécie estabelecida se torna invasora: numa revisão de 2020, invasora é o subconjunto das exóticas que se espalha muito e afeta o ambiente ou o sustento das pessoas. Os pesquisadores tratam o processo como uma série de filtros, cada um com fatores próprios e margem de previsão própria. Os números abaixo vêm de contagens globais de registros e de testes com grupos específicos; valem para o que foi medido, não para todas as espécies.

Mais de 1,5 espécie nova por dia

No ano de pico do banco de dados global, 1996, foram 585 primeiros registros de espécies exóticas estabelecidas, em média mais de 1,5 por dia. É um piso: o banco não cobre todas as regiões.

Quatro filtros em sequência

Jeschke e Strayer descrevem três passos para uma espécie se tornar invasora: introdução, estabelecimento e dispersão. Antes deles vem o transporte, em que pessoas levam organismos para fora de sua área de origem. Estabelecimento quer dizer população que se sustenta sozinha, mesmo sem se expandir; dispersão é o espalhamento. O impacto é uma dimensão separada: a revisão de 2020 aponta que muitas vezes só aparece quando a espécie já está bem estabelecida e ocupa área grande.

Como sabemos: o teste da regra dos dez

A regra de Williamson diz que cerca de 10% das espécies introduzidas se estabelecem e cerca de 10% destas se espalham. Em 2005, Jeschke e Strayer contaram, para todos os peixes de água doce, mamíferos e aves nativos da Europa ou da América do Norte, quantos chegaram ao outro continente, quantos se estabeleceram e quantos se espalharam. Acharam cerca de 50% em cada passo, e só cerca de 5% das nativas introduzidas. O resultado vale para esses vertebrados; plantas e insetos não entraram no teste.

O que pesa no estabelecimento: a pressão de propágulos

Pressão de propágulos é o número de indivíduos liberados em cada evento mais o número de eventos. Uma metanálise de 2018 reuniu 56 estudos e encontrou efeito médio positivo sobre o estabelecimento (Zr = 0,47; intervalo de 95% de 0,34 a 0,59), sem indício de viés de publicação. O efeito variou bastante entre estudos e foi menor em plantas. Os autores propõem, para manejo, reduzir o número de liberações e de indivíduos.

Como sabemos: o que o banco de primeiros registros mostra

Seebens e colegas reuniram 45.813 primeiros registros de 16.926 espécies exóticas estabelecidas. O número acumulado cresce sem saturação em todos os grupos; só a taxa de mamíferos e peixes caiu. Em algas e invertebrados, a taxa acompanha o valor das importações. Os autores avisam que o banco subestima as invasões reais e que os registros recentes chegam com atraso. Por isso, projetar o futuro pelo passado tende a subestimar, como lembra a revisão de 2020.

Como sabemos

Cinco fontes institucionais de acesso aberto, lidas nas partes relevantes, com limites declarados; o quadro de quatro etapas de Blackburn et al. (2011) não pôde ser aberto e a regra dos dez é testada aqui por um único estudo com vertebrados.

Fontes

  1. Nature Communications — No saturation in the accumulation of alien species worldwide
    Seebens, H.; Blackburn, T. M.; Dyer, E. E.; et al. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/ncomms14435
  2. Proceedings of the National Academy of Sciences — Invasion success of vertebrates in Europe and North America
    Jeschke, J. M.; Strayer, D. L. · 2005 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.0501271102
  3. PLOS Biology — Dissecting the null model for biological invasions: A meta-analysis of the propagule pressure effect
    Cassey, P.; Delean, S.; Lockwood, J. L.; Sadowski, J. S.; Blackburn, T. M. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.2005987
  4. Biological Reviews — Scientists' warning on invasive alien species
    Pyšek, P.; Hulme, P. E.; Simberloff, D.; et al. · 2020 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/brv.12627
  5. PLOS Biology — A unified classification of alien species based on the magnitude of their environmental impacts
    Blackburn, T. M.; Essl, F.; Evans, T.; et al. · 2014 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.1001850
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 9; conferência de trechos automatizada)

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