Ecologia

Degradação florestal na Amazônia: a perda parcial que o corte raso do PRODES não registra

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

Degradação é a perda parcial da floresta: as árvores seguem de pé, mas por fogo, extração de madeira, efeito de borda ou seca extrema a mata perde funções ecológicas. Segundo Lapola et al. (2023), cerca de 38% da floresta amazônica restante está degradada, com emissões de até 0,2 Pg C por ano, comparáveis às do desmatamento.

Desmatamento é a remoção total da cobertura de árvores. Degradação é um estado de funcionamento ecológico reduzido sem remoção completa, e vem de causas que se combinam: fogo, extração seletiva de madeira, efeito de borda (alterações na margem de um fragmento de floresta) e seca extrema. Como a floresta continua em pé, a perda escapa do número anual do PRODES, que é a taxa oficial de desmatamento por corte raso. O assunto se mede por outros sistemas: o DEGRAD, do INPE, até 2016, e depois classes do DETER, além de dados globais de perda florestal.

O DEGRAD saiu do ar em 2016

O DEGRAD, sistema do INPE que mapeava áreas atingidas por fogo e exploração seletiva de madeira, foi descontinuado em 2016 e substituído pelo DETER. Por isso, a série de degradação depois de 2016 vem de outro sistema e exige cautela na comparação.

O que conta como degradação

Degradação é um estado de funcionamento ecológico reduzido que não inclui a remoção completa das árvores. Para Lapola et al., fogo, efeito de borda, extração de madeira e seca extrema a causam, e os autores citam perda de biodiversidade e menor evapotranspiração, isto é, menos água devolvida à atmosfera na estação seca. A área afetada é grande: cerca de 38% da floresta restante, segundo a estimativa deles.

Fogo, madeira e borda: o que dominou e quando

Em Pará, Rondônia e Mato Grosso, o efeito de borda e os fragmentos isolados, ligados ao desmatamento, responderam pela maior parte da degradação, com quase 80% em 1996. Depois o peso do fogo e da extração de madeira cresceu, em parte porque o desmatamento caiu entre 2008 e 2012 e em parte pelas secas de 2005 e 2010. A repartição vem de Matricardi et al., citados por Cammelli et al., e a explicação é interpretação dos autores.

Como sabemos: do DEGRAD aos dados globais

O DEGRAD, do INPE, mapeava áreas com fogo e exploração seletiva desordenada de madeira; foi descontinuado em 2016 e substituído pelo DETER. A degradação é registrada no ano em que ocorre e a mesma área pode ser atingida várias vezes. Já os dados globais de perda florestal, de 30 m, captam fogo, madeira e perdas pequenas, mas misturam degradação e desmatamento. Cada sistema responde a uma pergunta diferente, e os totais não são intercambiáveis.

Fragmentação: perdas pequenas que o PRODES não vê

O PRODES conta a remoção completa da floresta primária, não conta manchas menores que 6,25 hectares e deixa de fora fogo e extração seletiva ilegal. Entre 2001 e 2017, Montibeller et al. mostraram que as grandes manchas de perda florestal diminuíram e as menores que 1 hectare aumentaram. A perda medida inclui desmatamento e perturbações, então o resultado indica mais fragmentação, mas não isola a degradação.

Quanto pesa, e por que a política não resolve sozinha

De 2006 a 2019, a área degradada na Amazônia brasileira (194.058 km²) foi quase o dobro da desmatada (99.630 km²), mas a soma conta repetições. Lapola et al. estimam emissões de até 0,2 Pg C por ano, com intervalo que se sobrepõe ao do desmatamento. Para Cammelli et al., políticas que reduziram o desmatamento não reduziram a degradação humana, o que vale para três estados, não para toda a Amazônia.

Como sabemos

As definições e a medição vêm de artigos abertos lidos; os totais de área e carbono dependem de dados e métodos que variam entre estudos, e a síntese de Lapola et al. só foi lida no resumo.

Fontes

  1. Science — The drivers and impacts of Amazon forest degradation
    Lapola, D. M.; Pinho, P.; Barlow, J.; Aragão, L. E. O. C. et al. · 2023 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.abp8622
  2. Science Advances (INPE) — Projections of future forest degradation and CO2 emissions for the Brazilian Amazon
    Assis, T. O.; Aguiar, A. P. D.; von Randow, C.; Nobre, C. A. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.abj3309
  3. Proceedings of the National Academy of Sciences — Deforestation-focused policies do not reduce degradation in the Brazilian Amazon
    Cammelli, F.; Gibbs, H. K.; Gollnow, F.; Levy, S. A.; Stigler, M.; Garrett, R. D. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2507793123
  4. Scientific Reports — Increasing fragmentation of forest cover in Brazil's Legal Amazon from 2001 to 2017
    Montibeller, B.; Kmoch, A.; Virro, H.; Mander, Ü.; Uuemaa, E. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-020-62591-x
  5. Proceedings of the National Academy of Sciences — The role of forest conversion, degradation, and disturbance in the carbon dynamics of Amazon indigenous territories and protected areas
    Walker, W. S. et al. · 2020 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1913321117
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 15; conferência de trechos automatizada)

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