Ecologia

Quantas extinções de aves e mamíferos a conservação evitou? De 28 a 48 desde 1993, estimadas por contrafactual

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

A conservação evitou a extinção de 21 a 32 aves e de 7 a 16 mamíferos entre 1993 e 2020, segundo uma estimativa de especialistas: de 28 a 48 espécies. No mesmo período, 15 espécies desses grupos se extinguiram ou são suspeitas de ter se extinguido. A conta é contrafactual: para cada espécie, estima-se a chance de ela ter desaparecido se as ações tivessem parado. É um julgamento de especialistas com faixa de incerteza, não uma contagem.

Contrafactual é a pergunta "o que teria acontecido sem a intervenção?". Como ninguém observa um mundo sem conservação, a resposta é estimada. No estudo de Bolam e colegas (2020), partiu-se das aves e mamíferos da Lista Vermelha da IUCN classificados como extintos na natureza (só existem sob cuidado humano), criticamente em perigo ou em perigo; ficaram os que tiveram menos de 250 indivíduos maduros e ameaças persistentes com ações em andamento. Especialistas estimaram a probabilidade de cada espécie ter se extinguido na natureza até 2020 se as ações tivessem cessado em 1993 ou em 2010. O balanço mede a meta 12 de Aichi, da Convenção sobre Diversidade Biológica: evitar extinções de espécies ameaçadas conhecidas.

Extinta na natureza entra na conta com 100%

Espécies classificadas como extintas na natureza, que só existem em cativeiro, recebem probabilidade de 100%: sem criação em cativeiro, já teriam desaparecido. De 1993 a 2020, o estudo contou seis aves e três mamíferos nessa situação.

Como se estima o que não aconteceu

O estudo de 2020 não contou espécies salvas; calculou probabilidades. Para cada candidata, especialistas receberam um resumo de população, ameaças e ações e deram três números: a menor probabilidade plausível, a maior e a melhor estimativa de que ela teria se extinguido na natureza se as ações tivessem cessado em 1993 ou 2010. Os resultados foram compartilhados, discutidos em teleconferências e revisados. A mediana das notas define se a espécie entra na faixa: de ao menos 90% (limite inferior) a mais de 50% (superior).

Os números de 1993–2020 e de 2010–2020

Desde 1993, houve 15 extinções confirmadas ou suspeitas e, pela estimativa, 28 a 48 evitadas. Desde 2010, a estimativa é de 11 a 25 evitadas, contra uma extinção documentada, a de Philydor novaesi, ave de Alagoas. Daí vem a razão de 12 a 26 vezes, que os autores tratam com cautela: extinções recentes podem ainda não ter sido detectadas. Se o ritmo de 1993–2009 (8,2 por década) tivesse continuado, a razão cairia para 2 a 4 vezes.

Onde mora a incerteza

Há limites declarados. Os avaliadores são os autores do estudo, e as espécies fora da lista de candidatas valem zero, o que tende a subestimar. O estudo não mostra quais ações funcionaram em cada caso. E "evitada" não significa "salva": a vaquita ainda declina. Os autores citam ainda 70 espécies de outros grupos extintas na natureza que ficaram de fora. Vale ler a faixa como ordem de grandeza, não como placar.

A estimativa de 2010 mediu outra coisa

O estudo da IUCN de 2010 não contou extinções evitadas: comparou a mudança de categoria de risco na Lista Vermelha com o que teria ocorrido sem os sucessos de conservação, e achou a deterioração ao menos um quinto maior. Em 2015, lógica parecida foi aplicada a 235 espécies de ungulados, com cenários de fim da conservação em 1996: a piora seria quase 8 vezes maior. São contrafactuais de status, não de extinção, e se complementam.

Como sabemos

Números e método têm fonte lida em texto integral, mas são estimativas por julgamento de especialistas feitas pelos próprios autores, sem verificação independente.

Fontes

  1. Conservation Letters (Society for Conservation Biology / Wiley) — How many bird and mammal extinctions has recent conservation action prevented?
    Bolam, F. C. et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/conl.12762
  2. Science — The impact of conservation on the status of the world's vertebrates
    Hoffmann, M. et al. · 2010 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1194442
  3. Conservation Biology — The difference conservation makes to extinction risk of the world's ungulates
    Hoffmann, M. et al. · 2015 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/cobi.12519
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 7; conferência de trechos automatizada)

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