Oceanografia

Colapso do bacalhau de Newfoundland: moratória em 1992, mortalidade medida e recuperação ainda incompleta

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Conservação com evidências

A causa é debatida. Estudos citados pela agência canadense de pesca (DFO) atribuem o colapso sobretudo à pesca, inclusive ilegal; o modelo atual da DFO mostra a mortalidade natural subindo a um pico de 2,5 em 1992–94, junto com o colapso do capelin, presa do bacalhau. A recuperação é lenta: em 2025 os reprodutores somavam 2,0 vezes o ponto de referência, mas sem crescer desde 2017.

O "bacalhau do norte" é o estoque de Gadus morhua das divisões 2J3KL da NAFO, na costa leste de Newfoundland e Labrador. Biomassa reprodutora (SSB) é o peso dos peixes maduros. Mortalidade por pesca (F) e mortalidade natural (M) são taxas instantâneas anuais: quanto maiores, mais peixes morrem por ano. O ponto de referência limite (LRP) marca a zona crítica; para este estoque, a DFO o define como 40% da biomassa reprodutora no rendimento máximo sustentável. Capelin (Mallotus villosus) é um peixe pequeno de cardume, alimento rico em energia para o bacalhau. Moratória é a proibição da pesca dirigida, aqui decretada em 1992; pescarias costeiras limitadas continuaram na maior parte dos anos.

O mesmo peixe, dois destinos

O bacalhau do Mar de Barents, na Noruega, também caiu nos anos 1980, mas voltou rápido e hoje está em níveis recordes. O de Newfoundland continua baixo. Um modelo da DFO e de colegas noruegueses liga a diferença sobretudo à disponibilidade de capelin.

Como sabemos o que se perdeu

Não há contagem direta de bacalhau no mar. A DFO combina navios de pesquisa, peixes marcados, desembarques e dados de capelin num modelo que reconstrói o estoque desde 1954. Nele, os reprodutores atingiram o mínimo em 1995 e a mortalidade natural chegou a um pico de 2,5 em 1992–94. São estimativas com intervalo de confiança, e a própria DFO lista limites: capturas não declaradas e marcas não devolvidas podem deslocar parte do que o modelo atribui à natureza.

Pesca ou ambiente? Onde as leituras divergem

A mortalidade por pesca superou a natural até os anos 1980, e depois o quadro se inverteu: desde o colapso, a natural supera a por pesca. O colapso do capelin em 1991 e a alta de mortalidade natural coincidem, e a DFO vê aí parte da explicação. Estudos anteriores, descritos pela DFO, atribuem o colapso em grande parte à pesca ilegal. As duas leituras não se excluem, mas a divisão de pesos é incerta e segue em investigação.

Por que a recuperação demora

A DFO aponta três freios medidos: capelin muito abaixo do nível anterior ao colapso na avaliação de 2024, produção excedente perto de zero ou abaixo desde 2018 e peixes menores por idade. Uma simulação para bacalhau de águas do norte sugere ainda que espécies de vida longa e maturação tardia respondem devagar e podem se estabilizar abaixo do nível de antes da pesca. Isso é hipótese; no estoque real, o peso de cada freio não está estabelecido.

Estado atual e o que mudou com o ponto de referência

Em 2025, a biomassa reprodutora era 2,0 vezes o ponto de referência limite, sem crescer desde 2017. Parte dessa mudança vem da régua: em 2023 o ponto de referência foi revisado e o antigo era cerca de 40% maior. Com a nova régua, a DFO vê o estoque fora da zona crítica desde 2016 e a moratória foi suspensa em 2024. Para os próximos anos, as projeções não mostram nenhum nível de captura com alta probabilidade de crescimento.

Como sabemos

Números de estado e mecanismos vêm de relatórios da DFO lidos por inteiro, mas a causa do colapso é debatida e os artigos originais do debate não foram abertos.

Em debate: Estudos publicados descritos pela DFO atribuem o colapso em grande parte à pesca, inclusive ilegal. O modelo atual da DFO, que estima a mortalidade natural com dados de marcação e de capelin, atribui à natureza uma parte maior, e admite que o pico de mortalidade natural pode esconder captura não declarada. O debate sobre as proporções continua.

Fontes

  1. Fisheries and Oceans Canada, Canadian Science Advisory Secretariat (Science Advisory Report 2025/043) — NAFO Divisions 2J3KL Northern Cod (Gadus morhua) Stock Assessment to 2025
    Fisheries and Oceans Canada (DFO) · 2025 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  2. Fisheries and Oceans Canada, Canadian Science Advisory Secretariat (Research Document 2025/048) — Assessment of the Northern Cod (Gadus morhua) Stock in NAFO Divisions 2J3KL in 2024
    Regular, P. M. et al. · 2025 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  3. Fisheries and Oceans Canada, Canadian Science Advisory Secretariat (Science Advisory Report 2022/041) — Stock Assessment of Northern Cod (NAFO Divisions 2J3KL) in 2021
    Fisheries and Oceans Canada (DFO) · 2022 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  4. Frontiers in Marine Science — Comparative Modeling of Cod-Capelin Dynamics in the Newfoundland-Labrador Shelves and Barents Sea Ecosystems
    Koen-Alonso, M.; Lindstrøm, U.; Cuff, A. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.3389/fmars.2021.579946
  5. Evolutionary Applications — Implications of fisheries-induced evolution for stock rebuilding and recovery
    Enberg, K.; Jørgensen, C.; Dunlop, E. S.; Heino, M.; Dieckmann, U. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1111/j.1752-4571.2009.00077.x
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)

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