Zoologia
A andorinha-do-mar-ártica voa em média 70.900 km por ano, a maior migração animal já registrada eletronicamente
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Assuntos: Jubarte
Em 2010, geolocalizadores de 1,4 g mostraram que andorinhas-do-mar-árticas (Sterna paradisaea) voam em média 70.900 km por ano entre as colônias da Groenlândia e da Islândia e o oceano Austral. É a maior migração de ida e volta já registrada eletronicamente para um animal. Estudos posteriores acharam trajetos ainda maiores: cerca de 90 mil km em aves da Holanda e 96 mil km em uma ave da Inglaterra.
O trajeto está longe de ser reto. Saindo das colônias, as aves pararam por cerca de 25 dias numa região de águas profundas do Atlântico Norte e depois seguiram para o sul, sete delas pela costa da África e quatro pela costa do Brasil. Passaram o verão austral, de dezembro a março, ao sul de 58° S, no setor atlântico do oceano Austral. A volta, a partir de abril, descreveu um S: no sentido anti-horário no Atlântico Sul e horário no Atlântico Norte. Como a espécie pode viver mais de 30 anos, os autores estimaram que uma ave pode percorrer mais de 2,4 milhões de km na vida, cerca de três idas e voltas à Lua. As distâncias têm margem de erro, porque os geolocalizadores calculam a posição com precisão de cerca de 185 km.
Outras rotas, distâncias maiores
Andorinhas-do-mar-árticas da Holanda, rastreadas em 2011–2012, passaram o verão austral em Wilkes Land, na Antártida, e voaram 90.000 ± 2.000 km fora da colônia, cruzando três oceanos. Em 2016, pesquisadores de Newcastle registraram 96 mil km em uma ave das ilhas Farne, na Inglaterra.
Geolocalizadores de 1,4 g
Os aparelhos usados em 2010 pesavam 1,4 g, pouco para uma ave de menos de 125 g. Eles registram a luz do ambiente, e a hora do nascer e do pôr do sol permite estimar a posição, com precisão de cerca de 185 km. Foram instrumentadas 11 aves: 10 em colônias do alto Ártico da Groenlândia e uma na Islândia. Esse erro e o modo de ligar os pontos influenciam a distância calculada.
Um percurso em zigue-zague
No fim da estação reprodutiva as aves foram para o sudoeste e ficaram em média 24,6 dias numa zona de águas profundas do Atlântico Norte, entre 41° e 53° N. Em setembro de 2007 seguiram para a costa oeste da África. Ao sul das ilhas de Cabo Verde, as rotas se dividiram: sete aves seguiram pela costa africana e quatro cruzaram para o litoral do Brasil.
Ida lenta, volta rápida
A viagem para o sul teve em média 34.600 km, percorridos em cerca de 93 dias, 330 km por dia. A volta teve 25.700 km em cerca de 40 dias, 520 km por dia. No verão austral, as aves ficaram ao sul de 58° S, numa região do mar de Weddell rica em krill, e voltaram em S, dando a volta nos giros dos oceanos Atlântico Sul e Norte. Só os movimentos no inverno somaram em média 10.900 km.
Recordes que continuam mudando
Estudos posteriores com outras colônias acharam números maiores: 90.000 ± 2.000 km em aves da Holanda, que cruzaram três oceanos até Wilkes Land, e 96 mil km em uma ave das ilhas Farne. As diferenças vêm em parte de rotas próprias de cada colônia e em parte do método de medir, por isso os valores não devem ser comparados diretamente. O que se pode afirmar é que as andorinhas-do-mar-árticas rastreadas estão entre os animais que mais distância percorrem por ano.
Como sabemos
Os números principais vêm do artigo original na PNAS e de um resumo de estudo posterior; o recorde de 96 mil km vem de comunicado de universidade.
Em debate: Os números variam conforme o estudo e a colônia: 70.900 km (Groenlândia e Islândia, 2010), cerca de 90 mil km (Holanda, 2013) e 96 mil km (uma ave da Inglaterra, 2016). Parte da diferença vem de rotas distintas e parte do método, já que geolocalizadores têm erro de posição e a distância medida depende do passo usado no cálculo.
- Fato estabelecido: A andorinha-do-mar-ártica tem menos de 125 g. [1]
- Fato estabelecido: Em 2010, 11 aves (10 da Groenlândia e 1 da Islândia) foram rastreadas com geolocalizadores de 1,4 g. [1]
- Estimativa: A distância anual média foi de 70.900 km (faixa de 59.500 a 81.600 km), de agosto ao retorno em maio ou junho. [1]
Distâncias calculadas por geolocalização, com erro de cerca de 185 km por posição; os autores alertam que não são diretamente comparáveis a estudos anteriores. - Evidência forte: Foi a maior migração de ida e volta de um animal registrada eletronicamente até aquele estudo. [1]
- Fato estabelecido: As aves pararam em média 24,6 dias numa região do Atlântico Norte entre 41° e 53° N, e depois sete seguiram pela costa africana e quatro pela costa do Brasil. [1]
- Fato estabelecido: O verão austral (dezembro a março) foi passado ao sul de 58° S, no setor atlântico do oceano Austral. [1]
- Fato estabelecido: A migração de volta seguiu uma rota em S, anti-horária no Atlântico Sul e horária no Atlântico Norte. [1]
- Estimativa: A espécie pode viver mais de 30 anos, e a distância total na vida pode passar de 2,4 milhões de km. [1]
Extrapolação dos autores a partir da distância anual e da longevidade. - Evidência forte: Aves da Holanda rastreadas em 2011–2012 passaram o verão austral em Wilkes Land, Antártida, e percorreram 90.000 ± 2.000 km, passando por três oceanos. [2]
- Evidência forte: Uma ave das ilhas Farne, na Inglaterra, percorreu 96 mil km ida e volta até o mar de Weddell, segundo pesquisadores de Newcastle. [3]
Informação de comunicado da universidade sobre dados de geolocalizadores, não de artigo revisado por pares consultado.
Fontes
- Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Tracking of Arctic terns Sterna paradisaea reveals longest animal migration
consultada em 04/10/2026 - NERC Open Research Archive / Ardea — Arctic Terns Sterna paradisaea from the Netherlands migrate record distances across three oceans to Wilkes Land, East Antarctica
consultada em 04/10/2026 - Newcastle University — Record-breaking bird migration revealed in new research
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 3 imagem(ns) real(is) do Commons
- Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)