História do Brasil
Zumbi foi a última grande liderança dos Palmares, o quilombo mais duradouro do Brasil, e morreu em 1695
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Zumbi foi a última grande liderança dos Palmares, conjunto de mocambos no sul da capitania de Pernambuco, na região da atual Alagoas, que resistiu a expedições por cerca de um século. Quando o governador de Pernambuco fez a paz com Ganga Zumba, em 1678, Zumbi e seus guerreiros ficaram nos matos. A cerca da serra da Barriga, onde ele estava, caiu em fevereiro de 1694; Zumbi foi morto em novembro de 1695. A data, 20 de novembro, é hoje o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Os Palmares nasceram no início do século XVII, quando pessoas escravizadas oriundas da África Central fugiram para as matas e formaram núcleos com casas e roças, os mocambos ou cercas. Em 1678, um relatório descreveu a "cerca real do Macaco" como "a metrópole entre as mais cidades", com mais de 1.500 casas e uma capela, e tratou Ganga Zumba como "rei e senhor" daquele território. Depois do acordo de paz, parte da população mudou-se para Cucaú, mas Zumbi e sua gente de guerra permaneceram nos matos. Em 1680 ele já estava instalado no outeiro da Barriga. Nos documentos coloniais, Zumbi aparece mais vezes como "capitão" e "corsário" do que como "rei". O ano de nascimento (por volta de 1655) é aproximado.
Quilombo, palavra de Angola
A palavra "quilombo" só passou a ser usada pelas autoridades de Pernambuco para as cercas de Palmares a partir de 1680. Do outro lado do Atlântico, já nomeava acampamentos de guerra e capitais de reinos centro-africanos, como Matamba e Kasanje.
O que eram os Palmares
Segundo a historiadora Silvia Lara, os Palmares eram o mais extenso e duradouro assentamento de fugitivos da história da escravidão no Brasil. Os documentos coloniais falam em mocambos e cercas fortificadas, com milhares de casas, e os descrevem como um território político: Ganga Zumba era "rei e senhor", e os moradores eram chamados "palmaristas". Para a autora, as autoridades coloniais reconheciam ali um Estado, com poder sobre terras e gentes.
A paz de 1678 e a recusa de Zumbi
Em 1678, Ganga Zumba negociou com o governador Pedro de Almeida e levou parte do povo para Cucaú, aldeia perto do litoral. Segundo a Agência FAPESP, a paz durou no máximo dois anos. Nem todos aceitaram o acordo: Zumbi e sua "gente de guerra" ficaram nos matos. Em abril de 1680, o governador declarou derrotados todos os mocambos, menos o de Zumbi, que já estava instalado no outeiro da Barriga. O acordo, portanto, dividiu os palmaristas.
Da Barriga a 1695
O Barriga foi atacado em 1681, em 1683 e em 1692, quando a investida de Domingos Jorge Velho fracassou. Em fevereiro de 1694, um texto da época registra a destruição da cerca "onde se achava o negro Zumbi, cabeça de todos os do Palmar". Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695. O artigo de Lara lembra que a história dos Palmares não acabou ali: as fontes registram outros mocambos até as primeiras décadas do século XVIII.
Memória e 20 de novembro
Ao longo do século XX, Palmares e Zumbi tornaram-se referências do movimento negro, que elegeu o 20 de novembro, data da morte de Zumbi, como dia de afirmação. A serra da Barriga teve o tombamento homologado em 20 de novembro de 1985. A Lei 12.519, de 2011, instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, e a Lei 14.759, de 2023, declarou o dia feriado nacional.
Como sabemos
Cronologia apoiada em artigo da historiadora Silvia Lara (Unicamp) com fontes primárias, em leis oficiais e em reportagem da FAPESP; nascimento e população aparecem como estimativas.
Em debate: A localização dos mocambos, inclusive do Macaco e da Barriga, é debatida: nos anos 1990, arqueólogos que procuravam os dez principais mocambos acabaram restringindo as escavações à serra da Barriga por causa das controvérsias. Os mapas tradicionais de Palmares foram construídos a partir de fontes de épocas diferentes, misturadas sem atenção à cronologia (Silvia Lara, Unicamp).
Em debate: A população dos Palmares é estimada em cerca de 11 mil pessoas segundo algumas fontes; não há censo, e os números dos relatos militares são sujeitos a exagero.
Em debate: O ano de nascimento de Zumbi (c. 1655) é aproximado; os documentos da época que a pesquisa examinou registram sobretudo sua atuação militar, de 1680 a 1695.
- Consenso científico: Os Palmares formaram o assentamento de fugitivos mais extenso e duradouro da história da escravidão no Brasil. [1]
- Fato estabelecido: As primeiras notícias dos Palmares datam do início do século XVII: pessoas escravizadas da África Central refugiaram-se nas matas do sul da capitania de Pernambuco e formaram mocambos ou cercas; a resistência durou cerca de um século. [2]
- Fato estabelecido: Em 1678, a Relação descreveu a cerca real do Macaco com mais de 1.500 casas e uma capela, e Ganga Zumba como "rei e senhor" dos Palmares. [1]
- Fato estabelecido: Em 1678, Ganga Zumba negociou a paz com Pedro de Almeida, governador de Pernambuco; parte da população foi para Cucaú, mas Zumbi e sua gente de guerra permaneceram nos matos. [1] [3]
- Fato estabelecido: A paz durou pouco: em abril de 1680 o governador dizia ter derrotado todos os mocambos, exceto o de Zumbi, que já estava instalado no outeiro da Barriga. [1] [3]
- Fato estabelecido: Em novembro de 1681 a cerca do Barriga foi invadida e mais de 600 pessoas foram aprisionadas; novas ofensivas vieram em 1683 e, sob Domingos Jorge Velho, em 1692. [1]
- Estimativa: Em fevereiro de 1694 a cerca do Barriga, onde estava Zumbi, foi destruída; documentos falam em 232 casas e entre 350 e 500 pessoas aprisionadas. [1]
Os números vêm de relatos de militares e, segundo a autora, podem ser exagerados para desculpar a derrota ou enaltecer a vitória. - Fato estabelecido: Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695. [1] [4] [5]
- Estimativa: Zumbi nasceu por volta de 1655 e foi morto em uma emboscada, depois de traído, na serra Dois Irmãos, em Viçosa (AL). [4]
Ano de nascimento e circunstâncias da morte vêm de tradição historiográfica posterior; a TV Câmara os apresenta como aproximados. - Fato estabelecido: Nos documentos coloniais Zumbi é chamado mais vezes de "capitão" e "corsário" do que de "rei dos Palmares". [1]
- Estimativa: Em torno de 11 mil pessoas viviam em nove mocambos, segundo algumas fontes. [3]
O número é frágil, depende de poucas fontes coloniais e varia na literatura; a pesquisadora Silvia Lara o cita como "de acordo com algumas fontes". - Fato estabelecido: O termo "quilombo" começou a designar as cercas de Palmares em 1680; na África Central nomeava acampamentos de guerra e capitais de reinos como Matamba e Kasanje. [1]
- Fato estabelecido: A Lei 12.519, de 10 de novembro de 2011, instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra em 20 de novembro, data do falecimento de Zumbi; a Lei 14.759, de 2023, fez do dia feriado nacional. [5] [6]
- Fato estabelecido: O tombamento da serra da Barriga foi homologado em 20 de novembro de 1985; três anos depois a serra foi declarada Monumento Nacional. [1]
Fontes
- Afro-Ásia, n. 64 (2021), Universidade Estadual de Campinas — O território dos Palmares: cartografia, história e política
consultada em 04/10/2026 - Universidade Estadual de Campinas (IFCH) — Apresentação — Documenta Palmares
consultada em 04/10/2026 - Agência FAPESP — História de Palmares ganha nova cronologia com análise de fontes originais
consultada em 04/10/2026 - TV Câmara, Câmara dos Deputados — Zumbi dos Palmares
consultada em 04/10/2026 - Presidência da República — Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011
consultada em 04/10/2026 - Presidência da República — Lei nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023
consultada em 04/10/2026
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