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Zhang Heng construiu um detector de terremotos na China em 132 d.C.

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Um vaso de bronze com cerca de 2 metros de diâmetro, oito dragões voltados para as oito direções, cada um com uma bola de bronze na boca, e um sapo de boca aberta embaixo de cada dragão. Quando a terra tremia, uma única bola caía, e o dragão que a soltou indicava a direção do abalo. Assim a História dos Han Posteriores descreve o instrumento que o astrônomo Zhang Heng construiu em 132. O aparelho se perdeu, e ninguém sabe ao certo o que havia lá dentro.

Zhang Heng (78–139) foi o astrônomo-chefe da corte dos Han do Leste e escreveu sobre astronomia, matemática e poesia. O instrumento, chamado houfeng didong yi, é conhecido apenas por texto: a biografia de Zhang Heng na História dos Han Posteriores (Hou Hanshu), compilada por Fan Ye, dedica a ele 196 caracteres, e outras obras históricas acrescentam detalhes. O relato diz que, certa vez, um dragão soltou a bola sem que ninguém na capital sentisse nada. Os sábios estranharam; dias depois chegou um mensageiro com a notícia de um terremoto em Longxi, a oeste. A partir de então, os historiadores da corte passaram a registrar a direção dos abalos com o aparelho. O texto descreve o exterior com precisão, mas sobre o interior diz só que havia um pilar central e oito caminhos ligados a mecanismos escondidos. Por isso cada reconstrução moderna é uma hipótese.

O mesmo homem calculou o céu

Zhang Heng construiu uma esfera armilar para mapear as estrelas e escreveu o Ling Xian, tratado de astronomia que discute a origem do céu e da Terra e explica o eclipse lunar. Na matemática, propôs para a razão entre circunferência e diâmetro o valor da raiz quadrada de 10, cerca de 3,162.

Quem foi Zhang Heng

Nascido em 78, em Nanyang, Zhang Heng estudou nas capitais Chang'an e Luoyang e entrou no serviço da corte dos Han do Leste. Foi astrônomo-chefe, cargo que cuidava das observações do céu, do calendário e dos instrumentos de medir o tempo. Construiu uma esfera armilar, escreveu o tratado Ling Xian, trabalhou com geometria e deixou poemas que a literatura chinesa conserva. Morreu em 139, ainda servindo como ministro.

O instrumento descrito

O texto fala em bronze fundido, 8 chi de diâmetro, tampa abaulada e decoração com inscrições e animais. Por fora, oito dragões nas oito direções, cada um com uma bola de bronze na boca, e sob cada um, um sapo de boca aberta. Por dentro, um pilar central e oito caminhos que acionavam mecanismos escondidos. A bola caía na boca do sapo com um som que avisava o encarregado. Só um dragão disparava, e os outros sete ficavam imóveis.

O teste de Longxi

O único caso descrito é o de um dragão que disparou sem que ninguém na capital sentisse o chão tremer. Dias depois, um mensageiro confirmou um terremoto em Longxi. Feng Rui e Yu Yanxiang propuseram em 2006 que o abalo foi em 13 de dezembro de 134, com magnitude em torno de 7 na região de Tianshui, e calcularam que o chão no local do instrumento teria se movido só alguns milímetros. A data tradicional, 138, ainda aparece em várias referências.

Reconstruções e o debate

O japonês Fukube desenhou o exterior em 1875; John Milne, que levou o texto ao Ocidente, fez o seu desenho em 1883 e testou pêndulos no Japão. Wang Zhenduo construiu modelos em 1936 e 1963; Sleeswyk e Sivin publicaram outro em 1983; Feng Rui e colegas, outro em 2006. Para Hsiao e Yan (2009), vários deles fariam cair mais de uma bola ou poderiam apontar o lado oposto ao epicentro. O aparelho funcionava por inércia, mas como exatamente continua em aberto.

Como sabemos

A descrição e o episódio de Longxi vêm de tradução do Hou Hanshu num periódico de engenharia sísmica e de um estudo da Administração de Terremotos da China; a data do terremoto é disputada e o mecanismo é desconhecido, o que o post diz.

Em debate: Mecanismo interno. O texto antigo só menciona um pilar central e oito caminhos. Wang Zhenduo propôs um pêndulo suspenso em 1936 e uma haste em pé que tomba em 1963; Sleeswyk e Sivin (1983) suspenderam o próprio vaso; Feng Rui e colegas (2006) voltaram ao pêndulo suspenso. Hsiao e Yan (2009) mostram que boa parte dos modelos faria cair mais de uma bola ou poderia apontar para o lado oposto ao epicentro. Sem achado arqueológico, nenhum modelo é definitivo.

Em debate: Data do terremoto de Longxi. O Hou Hanshu não dá a data. A identificação tradicional com o terremoto de Jincheng-Longxi de 28 de fevereiro de 138 (ainda citada pela MacTutor) foi contestada por Feng e Yu (2006), que propõem 13 de dezembro de 134.

Fontes

  1. MacTutor History of Mathematics, Universidade de St Andrews — Zhang Heng
    consultada em 05/10/2026
  2. Universidade Nacional Cheng Kung (Taiwan) / Japan Association for Earthquake Engineering — The review of reconstruction designs of Zhang Heng's seismoscope (Journal of Japan Association for Earthquake Engineering, vol. 9, n. 4, 2009)
    consultada em 05/10/2026
  3. Instituto de Geofísica, Administração de Terremotos da China — ZHANG Heng's Seismometer and Longxi earthquake in AD 134 (Acta Seismologica Sinica, vol. 19, pp. 704–719, 2006)
    consultada em 05/10/2026
  4. Progress in Earthquake Sciences (Administração de Terremotos da China) — Eastern Han: A great invention of Zhang Heng's seismoscope (Progress in Earthquake Sciences, vol. 54, n. 4, pp. 299–310, 2024)
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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