Ciências da Terra

A ZCIT: a faixa de chuva que dá a volta ao equador e comanda a chuva do Nordeste

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Perto do equador, os ventos alísios do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul se encontram. O ar quente e úmido é forçado a subir, esfria e forma uma faixa contínua de nuvens e tempestades ao redor da Terra: a Zona de Convergência Intertropical, ou ZCIT. Ela não fica parada. Acompanha o Sol ao longo do ano, e sua posição sobre o Atlântico ajuda a explicar a chuva no norte do Nordeste do Brasil, de fevereiro a maio.

A ZCIT é uma faixa de baixa pressão que, em geral, fica perto do equador. Nela, os alísios de nordeste e de sudeste convergem e o ar sobe, formando tempestades que podem passar de 16 km de altura. Esse ar segue em altitude para os subtrópicos e desce, num circuito chamado célula de Hadley. A faixa se desloca com as estações, seguindo a posição mais direta do Sol com 1 a 2 meses de atraso, e o deslocamento é maior sobre os continentes do que sobre o oceano. Sobre o Atlântico, em março e abril, ela fica perto de 2° S e é o principal sistema que traz chuva à região estudada no Ceará.

O mar também manda na chuva

Num estudo sobre o Ceará, os anos de muita chuva coincidiram com um gradiente negativo de temperatura do mar entre os dois hemisférios do Atlântico, e os anos secos com gradiente positivo. A chuva média semanal do estado tem pico na 13ª semana, em março.

Onde os ventos se encontram

Os alísios sopram dos subtrópicos em direção ao equador: do nordeste no Hemisfério Norte e do sudeste no Hemisfério Sul. Ao se encontrarem, não têm para onde ir na horizontal e o ar sobe. Por isso a faixa tem pouco vento na superfície e muita nuvem em altura. Essa calmaria é a que os marinheiros chamam de doldrums, onde um navio a vela podia ficar parado por semanas.

Uma faixa que acompanha o Sol

A ZCIT não é fixa. Ela migra seguindo o ponto de maior aquecimento solar, com atraso de 1 a 2 meses em relação ao Sol. Sobre os continentes o vaivém é maior, porque a terra esquenta mais rápido que a água. Entre julho e agosto a faixa alcança o norte da África, a Ásia e a América Central; em janeiro e fevereiro, a América do Sul, a África central e a Austrália.

O que muda no Nordeste

Sobre o Atlântico, a faixa fica perto de 2° S em março e abril, próxima ao litoral norte do Nordeste. Daí a associação com a quadra chuvosa. Em alguns anos a ZCIT assume configuração de banda dupla e, junto com o ar úmido vindo do oceano, favorece nuvens de chuva sobre o Nordeste, como o INMET descreveu em fevereiro de 2023.

Por que o Atlântico Norte importa

A posição da faixa depende em parte da diferença de temperatura do mar entre o Atlântico Norte e o Sul. Num estudo sobre o Ceará, anos chuvosos e secos se separaram por esse gradiente. É uma relação estatística de um trabalho local, não uma regra para toda a região, e outros fatores também pesam sobre a seca no sertão.

Como sabemos

Mecanismo central confirmado em NOAA e Met Office; a relação com o Nordeste apoiada em INMET e em um trabalho da UFC, sem artigo revisado por pares aberto.

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — What are the doldrums?
    consultada em 06/10/2026
  2. Met Office (Reino Unido) — Intertropical Convergence Zone (ITCZ)
    consultada em 06/10/2026
  3. INMET — Região Nordeste terá chuva até o fim de fevereiro
    consultada em 06/10/2026
  4. Universidade Federal do Ceará (F. L. S. Maciel, 2023) — Relação da anomalia semanal de temperatura da superfície do mar com a chuva no Ceará
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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