Fenômenos naturais
Num vulcão, o que decide entre um rio de lava e uma explosão é o gás preso no magma
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Todo magma carrega gás dissolvido, sobretudo vapor d'água, gás carbônico e gases de enxofre, mantido ali pela pressão das rochas. Quando o magma sobe, a pressão cai e o gás forma bolhas, como num refrigerante aberto. No Kilauea, no Havaí, o magma é fluido e as bolhas escapam com facilidade: a lava escorre. No Monte Santa Helena, nos EUA, o magma é viscoso, as bolhas ficam presas e, em 1980, rasgaram o magma em cinza.
A diferença está na sílica, o dióxido de silício que é o principal componente dos magmas. Suas moléculas se ligam em cadeias que se embaraçam como espaguete e aumentam a resistência ao fluxo. O basalto do Kilauea tem cerca de 52% de sílica e 0,5% de água; o dacito lançado pelo Santa Helena em 1980 tinha cerca de 64% de sílica e 4% de água. Num magma fluido, as bolhas sobem, crescem com a queda de pressão e escapam para o ar; a erupção é efusiva, feita sobretudo de derrames de lava. Num magma viscoso, elas chegam à superfície presas e ainda sob pressão maior que a do ar, e despedaçam o magma em incontáveis fragmentos de cinza: a erupção é explosiva. A temperatura acompanha a química: o basalto havaiano pode passar de 1.200 °C, enquanto magmas riolíticos, os mais ricos em sílica, podem chegar à superfície abaixo de 900 °C.
Até a erupção calma tem fontes de fogo
O gás também move as erupções efusivas. Em 17 de dezembro de 1959, na cratera Kilauea Iki, fontes de lava chegaram a cerca de 580 m de altura, as mais altas registradas no Havaí no século XX, segundo o Observatório Vulcanológico do Havaí.
O gás que move tudo
Em profundidade, a pressão das rochas mantém dissolvidos no magma vapor d'água, gás carbônico e gases de enxofre, com quantidades menores de hidrogênio e ácidos clorídrico e fluorídrico. É pouco gás em peso: no basalto do Kilauea, cerca de 0,5% de água. Quando o magma sobe, a pressão cai, o gás sai da solução e forma bolhas que se expandem e empurram o magma para cima. Segundo o USGS, mais de 99% das moléculas de gás emitidas numa erupção são vapor d'água, CO2 e SO2.
Sílica, a substância que engrossa o magma
A sílica forma cadeias moleculares que se embaraçam e dificultam o fluxo. O basalto tem de 45% a 53% de sílica; o dacito, de 62% a 69%; o riolito, 69% ou mais. Quanto mais sílica, mais viscoso o magma. Magmas ricos em sílica também tendem a ser mais frios e mais ricos em gás, e por isso costumam ser explosivos. Os pobres em sílica, como os do Havaí, costumam produzir erupções efusivas, de derrames e fontes de lava.
A viagem do magma no Kilauea
Pelas estimativas do Observatório Vulcanológico do Havaí, o magma chega às raízes do Kilauea vindo do manto a cerca de 1.500 °C e fica a cerca de 1.200 °C no reservatório sob o cume. Na erupção, a lava sai a cerca de 1.170 °C. Ela não pode esfriar muito antes de solidificar, o que ocorre perto de 1.000 °C. Mesmo esse vulcão de fama tranquila teve pequenas explosões com cinza na cratera Halema'uma'u em 2008 e em 2018.
18 de maio de 1980
No Monte Santa Helena, um terremoto de magnitude acima de 5, às 8h32, soltou o flanco norte do vulcão no maior deslizamento da história registrada. A retirada dessa massa despressurizou de uma vez o magma de dacito, rico em gás. A coluna eruptiva passou de 24 km de altura em 15 minutos, e a fase pliniana durou 9 horas. Mais de 540 milhões de toneladas de cinza cruzaram os Estados Unidos em três dias.
Como sabemos
Mecanismo e números conferidos em páginas do Serviço Geológico dos EUA (Observatório Vulcanológico do Havaí, glossário e Observatório do Monte Santa Helena) e da Sociedade Geológica de Londres; é física de vulcões consolidada.
- Consenso científico: Os principais gases dissolvidos no magma são vapor d'água, dióxido de carbono e gases de enxofre; eles ficam dissolvidos pela grande pressão em profundidade. [2] [3]
- Consenso científico: Quando o magma sobe, a pressão cai e o gás dissolvido forma bolhas, como o gás de um refrigerante quando a tampa é aberta. [2] [3]
- Consenso científico: A sílica é o principal constituinte dos magmas; suas moléculas formam cadeias que se embaraçam e aumentam a viscosidade. [1] [4]
- Fato estabelecido: O basalto do Kilauea tem cerca de 52% de sílica e 0,5% de água; o dacito do Monte Santa Helena em 1980 tinha cerca de 64% de sílica e 4% de água. [1]
- Consenso científico: Em magma pouco viscoso, as bolhas sobem e escapam para a atmosfera; em magma viscoso, chegam à superfície presas e sob pressão maior que a atmosférica e fragmentam o magma em cinza. [1] [5]
- Fato estabelecido: Erupção efusiva produz principalmente derrames e domos de lava; erupção explosiva produz principalmente cinza, pedra-pomes e fragmentos balísticos. A pedra-pomes é magma espumado pelos gases que escapam. [4]
- Fato estabelecido: O basalto contém de 45% a 53% de sílica; o dacito, de 62% a 69%; o riolito, 69% ou mais. [4]
- Consenso científico: Alguns basaltos havaianos passam de 1.200 °C; magmas riolíticos podem chegar à superfície abaixo de 900 °C. Magmas ricos em sílica costumam ser ricos em gás e explosivos; os pobres em sílica, efusivos. [5]
- Estimativa: A temperatura de erupção da lava do Kilauea é de cerca de 1.170 °C; o magma chega às raízes do vulcão vindo do manto a cerca de 1.500 °C, fica a cerca de 1.200 °C no reservatório sob o cume, saía a cerca de 1.150 °C em Pu'u 'Ō'ō e solidifica perto de 1.000 °C. [6] [7]
Valores de geotermômetros químicos e medições; o USGS dá 1.170 °C como temperatura de erupção e 1.150 °C para o magma de Pu'u 'Ō'ō. - Fato estabelecido: Mais de 99% das moléculas de gás emitidas numa erupção são vapor d'água, CO2 e SO2; na erupção de 2018 do Kilauea, as emissões de SO2 passaram de 100 mil toneladas por dia. [6]
- Fato estabelecido: Em 18 de maio de 1980, um terremoto de magnitude acima de 5 às 8h32 provocou o maior deslizamento de detritos da história registrada, que despressurizou o sistema de magma do Monte Santa Helena; a coluna eruptiva passou de 24 km em 15 minutos e a fase pliniana durou 9 horas; mais de 540 milhões de toneladas de cinza se espalharam pelos Estados Unidos em três dias. [8]
- Fato estabelecido: Em 17 de dezembro de 1959, no episódio 15 da erupção do Kilauea Iki, fontes de lava chegaram a cerca de 580 m, as mais altas registradas no Havaí no século XX. [9]
- Fato estabelecido: Pequenas explosões com emissão de cinza ocorreram na cratera Halema'uma'u, no Kilauea, em 2008 e em 2018. [6]
Fontes
- U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — Volcano Watch — Why are Mount St. Helens' eruptions generally more explosive than those of Kīlauea?
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — Volcano Watch — Gases are what drives volcanoes' spectacular fountains
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — Volcano Watch — Dissolved gases improve our understanding of eruptive processes
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey — Volcano Hazards Program Glossary
consultada em 05/10/2026 - The Geological Society of London — Viscosity of Magmas
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — Kīlauea - FAQs
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — Volcano Watch — Magma: What's hot and what's not
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Cascades Volcano Observatory — 1980 Cataclysmic Eruption
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — 1959 Kīlauea Iki Eruption
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +3 imagem(ns)
- Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão