Astronomia
O Disco de Ouro das Voyager: 115 imagens, saudações em 55 idiomas e duração estimada de 1 a 5 bilhões de anos
Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026
Cada Voyager leva um disco de cobre banhado a ouro, de 30 cm, com 115 imagens, sons naturais, saudações em 55 idiomas e cerca de 90 minutos de música, escolhidos por um comitê presidido por Carl Sagan. A capa traz diagramas que ensinam a tocá-lo. Cornell cita para o disco uma vida útil de 1 a 5 bilhões de anos, estimativa e não medição.
Em 1977, a NASA lançou as duas Voyager e pôs em cada uma um disco fonográfico como mensagem para quem pudesse encontrá-lo no espaço interestelar. O disco vem numa jaqueta de alumínio, com cartucho e agulha, e a capa traz diagramas que explicam como tocá-lo. As 115 imagens são sinal analógico, um sinal contínuo que o aparelho reconstrói em linhas de imagem; o resto é áudio, para 16 2/3 rotações por minuto. O mapa de pulsares da capa já tinha ido nas placas das Pioneer 10 e 11. A Voyager 1 e Carl Sagan têm artigos próprios; este trata do disco em si: o que há nele, como foi escolhido e quanto tempo pode durar.
Um relógio de urânio na capa
Na capa de alumínio há uma amostra de urânio-238. Segundo a NASA, quem a achasse poderia medir os elementos-filhos do decaimento e calcular quanto tempo passou desde que o disco foi posto na sonda.
Como o conteúdo foi escolhido
A NASA pediu a Carl Sagan, de Cornell, que reunisse a mensagem, e ele teve liberdade de formato e de conteúdo, mas pouco tempo por causa do lançamento. Um comitê presidido por ele selecionou o material. Linda Salzman Sagan organizou as saudações, e os falantes receberam só a orientação de fazer uma saudação breve a possíveis extraterrestres. Houve falhas de cobertura, como a ausência do suaíli, que a própria NASA registra como omissão.
O que há no disco
São 115 imagens, de anatomia, paisagens, construções como o Taj Mahal e a Grande Muralha, e da primatóloga Jane Goodall com chimpanzés. Há sons naturais, como mar, vento, trovão, aves e baleias, e saudações em 55 idiomas, do acádio ao wu. A música soma cerca de 90 minutos e vai de Bach e Beethoven ao gamelão de Java e a Chuck Berry. A saudação em português, na tradução inglesa da NASA, é "Peace and happiness to all".
Como o disco ensina a tocá-lo
A capa de alumínio traz o desenho do disco e da agulha, com a duração de uma volta (3,6 segundos) escrita em binário na unidade de tempo de uma transição do hidrogênio. Outros diagramas mostram como o sinal desenha as imagens em 512 linhas verticais, com uma réplica da primeira imagem, um círculo, para conferir a decodificação. O mapa de 14 pulsares localiza o Sistema Solar, e o urânio-238 serve de relógio para estimar o tempo desde o lançamento.
Quanto dura: o que se sabe e o que não
A NASA descreve a construção, em cobre banhado a ouro com jaqueta de alumínio, mas nas páginas lidas não declara uma duração. A cifra de 1 a 5 bilhões de anos vem de um resumo de Cornell sobre um painel de 2017, sem método nem autoria. Por isso é estimativa atribuída: ninguém mediu o desgaste no espaço, e a conta do urânio (cerca de 4,5 bilhões de anos de meia-vida) mede tempo decorrido, não resistência do disco.
Como sabemos
Conteúdo e instruções estão em páginas da NASA lidas e conferidas, mas a duração de 1 a 5 bilhões de anos vem só de uma notícia de Cornell, sem método.
- Fato estabelecido: O conteúdo do disco foi escolhido, a pedido da NASA, por um comitê presidido por Carl Sagan, da Universidade Cornell. [1] Introdução da página Golden Record Contents: Images
Contexto: Seleção feita em 1977, antes do lançamento das duas Voyager. · Limitações: A página da NASA não detalha como o comitê votou ou quais critérios usou. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Sagan e seus colaboradores reuniram 115 imagens e sons naturais, como mar, vento, trovão, aves e baleias; as 115 imagens foram codificadas em forma analógica. [1] Introdução da página
Contexto: Conteúdo de cada um dos dois discos, o da Voyager 1 e o da Voyager 2. · Limitações: A NASA exibe só 48 das imagens, por restrição de direitos autorais; a lista das demais é só textual. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A NASA lista entre as imagens o Taj Mahal, a Grande Muralha da China, a Ponte Golden Gate e a primatóloga Jane Goodall com chimpanzés. [1] Nota da página
Contexto: Exemplos da lista pública da NASA; não é a lista completa. · Limitações: As imagens são protegidas por direitos autorais e não são reproduzidas aqui; a ponte Golden Gate consta da mesma lista, com crédito a Ansel Adams. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O disco traz saudações faladas em 55 idiomas, numa sequência que começa com o acádio, falado na Suméria há cerca de seis mil anos, e termina com o wu, dialeto chinês moderno. [1] Introdução da página [2] Título e primeiro parágrafo
Contexto: Lista de saudações publicada pela NASA, com traduções para o inglês. · Limitações: O número 55 e a ordem vêm da NASA; não conferimos cada gravação. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Na lista da NASA, a saudação em português aparece traduzida como "Peace and happiness to all" (em português, "Paz e felicidade a todos", tradução nossa). [2] Lista de saudações, entrada Portuguese
Contexto: A NASA publica o texto em inglês da tradução de cada saudação. · Limitações: O texto original falado em português não consta da página lida; a versão em português aqui é tradução nossa do inglês da NASA. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A Sagan foi dada liberdade para escolher o formato e o conteúdo, com pouco tempo por causa do cronograma de lançamento; Linda Salzman Sagan ficou com as saudações. [2] Segundo parágrafo
Contexto: Relato de página institucional da NASA, que remete ao livro Murmurs of Earth. · Limitações: O livro Murmurs of Earth não foi lido; a NASA o indica como a obra de referência sobre a criação do disco. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os falantes das saudações, muitos deles de Cornell e da região, receberam como única orientação fazer uma saudação breve a possíveis extraterrestres; houve omissões, como o suaíli. [2] Trecho de Linda Salzman Sagan
Contexto: Processo de coleta das saudações, em 1977. · Limitações: A própria NASA observa que há poucas informações sobre cada falante. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A parte de música soma uma seleção de cerca de 90 minutos, com clássicos ocidentais e orientais e músicas de várias culturas, e o áudio foi feito para tocar a 16 2/3 rotações por minuto. [1] Introdução da página
Contexto: Estrutura do disco: imagens codificadas e o restante em áudio. · Limitações: O termo "ethnic music" é da NASA; as peças e seus países de origem estão na lista da página de sons. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A lista de músicas da NASA inclui Bach, da Alemanha, o gamelão de corte de Java e "Johnny B. Goode", de Chuck Berry. [3] Tabela Music from Earth
Contexto: Exemplos da tabela; a seleção inclui peças de países e épocas diferentes. · Limitações: A página de sons da NASA não renderiza a lista dos sons naturais, só a de música. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Cada disco vai dentro de uma jaqueta protetora de alumínio, com um cartucho e uma agulha, e as instruções em linguagem simbólica explicam a origem da sonda e como tocá-lo. [1] Introdução da página
Contexto: Descrição do conjunto que acompanha cada disco. · Limitações: A NASA descreve as instruções como simbólicas; a decodificação por outra civilização é hipotética. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: No desenho da capa, o disco deve ser tocado de fora para dentro, e a duração de uma volta (3,6 segundos) está escrita em binário na unidade de tempo de uma transição do átomo de hidrogênio. [4] Descrição do canto superior esquerdo da capa
Contexto: A transição do hidrogênio serve de escala de tempo comum entre quem fez o disco e quem o recebesse. · Limitações: É a descrição oficial dos diagramas da capa; a eficácia das instruções nunca foi testada com ninguém de fora da Terra. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Para montar as imagens, a capa mostra como o sinal traça a figura em 512 linhas verticais e traz uma réplica da primeira imagem do disco, um círculo, para o receptor conferir a decodificação. [4] Descrição do canto superior direito da capa
Contexto: Método de decodificação descrito pela NASA para as imagens analógicas. · Limitações: É descrição de projeto; não há registro de que alguém tenha decodificado o disco sem o manual humano. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A capa traz também um mapa de pulsares, desenhado antes nas placas das sondas Pioneer 10 e 11, que mostra a posição do Sistema Solar em relação a 14 pulsares com os períodos dados. [4] Descrição do canto inferior esquerdo da capa
Contexto: Pulsares são estrelas de nêutrons que emitem pulsos regulares de rádio; o período de cada um serve como assinatura. · Limitações: A explicação de pulsar é conceito geral, não consta da página lida. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O disco é de cobre banhado a ouro e tem 12 polegadas (30 cm); a capa é de alumínio e leva urânio-238 eletrodepositado, com meia-vida de 4,468 bilhões de anos segundo a página da NASA. [5] Seção sobre o material
Contexto: Materiais de cada disco; meia-vida é o tempo em que metade dos átomos de um isótopo radioativo se desfaz. · Limitações: A página da capa da mesma NASA diz que metade do urânio-238 decai em 4,51 bilhões de anos: as duas páginas divergem; use "cerca de 4,5 bilhões". · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Segundo a NASA, o urânio-238 da capa funciona como um relógio: quem o encontrasse poderia medir os elementos-filhos e calcular o tempo decorrido desde que a amostra foi posta na sonda. [4] Descrição do urânio na capa
Contexto: Princípio de datação radioativa: a proporção entre isótopo-pai e produtos do decaimento indica o tempo. · Limitações: Cenário hipotético; o cálculo exigiria saber a quantidade inicial e entender o desenho da capa. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A galvanoplastia de ouro dos discos ocorreu em 23 de agosto de 1977, e oito discos Voyager foram cortados e banhados a ouro numa fábrica em Gardena, Califórnia. [5] Seção de produção
Contexto: Produção ligada ao lançamento das Voyager, em agosto e setembro de 1977. · Limitações: A página não explica por que foram feitos oito discos, nem diz o destino dos seis que não voaram. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: Um painel de Cornell citou para o disco uma vida útil (shelf life) de 1 a 5 bilhões de anos; é uma estimativa de projeto, não uma medição. [6] Segundo parágrafo
Contexto: Resumo do departamento de Astronomia de Cornell sobre um painel de 19 de outubro de 2017 com participantes do projeto. · Limitações: Relato de notícia universitária sobre um painel, sem método nem autor da estimativa. A NASA não declara duração nas páginas lidas; JPL, Smithsonian e Cornell News bloquearam a leitura automática e não foram usados. · Estimativa citada sem método; ninguém mediu o desgaste do disco no espaço. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- NASA — Golden Record Contents: Images
NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - NASA — Golden Record Greetings (Greetings to the Universe in 55 Different Languages)
NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - NASA — Golden Record Sounds (Music from Earth)
NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - NASA — Golden Record Cover (explicação dos diagramas)
NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - NASA — Making of the Golden Record
NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - Cornell University (Departamento de Astronomia) — Cornellians celebrate the Voyagers' historic Golden Record
Cornell University, Department of Astronomy · 2017 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 20; conferência de trechos automatizada)