Espaço e exploração
A Voyager 1, lançada em 1977, é o objeto feito por humanos mais distante da Terra
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
A sonda Voyager 1 partiu da Flórida em 5 de setembro de 1977, passou por Júpiter em 1979 e por Saturno em 1980 e seguiu para fora. Em 25 de agosto de 2012, tornou-se o primeiro objeto humano a entrar no espaço interestelar, além da bolha de vento solar que envolve o Sol. A NASA calculou que, em 18 de novembro de 2026, ela estará a 25,9 bilhões de km da Terra: a distância que a luz percorre em 24 horas.
A Voyager 1 é a sonda mais distante desde 17 de fevereiro de 1998, quando ultrapassou a Pioneer 10. A travessia da heliopausa, a fronteira entre o vento solar e o meio interestelar, foi confirmada só em setembro de 2013: uma erupção solar de março de 2012 chegou à sonda em abril de 2013 e fez vibrar o plasma ao redor dela. O instrumento de ondas de plasma mostrou um meio mais de 40 vezes mais denso que o encontrado na camada externa da heliosfera, e a extrapolação das medições situou a passagem em 25 de agosto de 2012, a cerca de 19 bilhões de km do Sol. Espaço interestelar, porém, não é o mesmo que fora do Sistema Solar: para a NASA, a sonda só sai do Sistema Solar depois de atravessar a Nuvem de Oort, o que deve levar uns 30 mil anos. A energia vem de geradores a plutônio que perdem cerca de 4 watts por ano. Em 1990, a pedido do astrônomo Carl Sagan, a sonda virou as câmeras para trás e fez o Pálido Ponto Azul: a Terra como um ponto de um pixel, a 6 bilhões de km.
Um disco de ouro para quem o encontrar
A Voyager 1 leva um disco de cobre banhado a ouro, com saudações em 55 línguas, 90 minutos de música, sons da Terra e 115 imagens codificadas. O comitê que escolheu o conteúdo foi presidido por Carl Sagan. A capa traz instruções gravadas para tocar o disco a 16⅔ rotações por minuto.
Os planetas
A Voyager 1 subiu num foguete Titan IIIE-Centaur, de Cabo Canaveral, em 5 de setembro de 1977. Passou por Júpiter em 5 de março de 1979 e por Saturno em 12 de novembro de 1980. Em Saturno, a sonda passou perto de Titã e descobriu que ela tem uma atmosfera espessa, de cerca de 90% de nitrogênio, que esconde completamente a superfície. Em 1990, já a cerca de 40 vezes a distância entre a Terra e o Sol, a sonda fez um mosaico de 64 imagens do Sistema Solar, que inclui a foto da Terra conhecida como Pálido Ponto Azul.
Carl Sagan e o Pálido Ponto Azul
O astrônomo Carl Sagan, da equipe de imagens da Voyager, teve em 1981 a ideia de virar as câmeras da sonda para trás e fotografar a Terra. A foto foi feita em 14 de fevereiro de 1990, quando a Voyager 1 estava a cerca de 6 bilhões de km do Sol. Dali, a Terra aparece como um ponto de luz de mais ou menos um pixel, dentro de um retrato de família de 60 imagens que mostra também Vênus, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Foram as últimas fotos da sonda: logo depois, as câmeras foram desligadas para poupar energia para a longa viagem. Sagan, cofundador da Planetary Society, transformou a imagem no título de um livro de 1994, Pálido Ponto Azul, e numa frase famosa: "Olhe de novo para esse ponto. É aqui. É a nossa casa. Somos nós."
A fronteira do vento solar
O Sol sopra um vento de partículas carregadas que cria uma bolha, a heliosfera. O limite dela, a heliopausa, é onde esse vento encontra o plasma que vem de outras estrelas. A Voyager 1 cruzou essa fronteira em 25 de agosto de 2012, a cerca de 19 bilhões de km do Sol, mas a confirmação levou um ano. Uma erupção solar de março de 2012 chegou à sonda em abril de 2013 e fez o plasma vibrar. O instrumento de ondas de plasma, cuja análise foi liderada por Don Gurnett, da Universidade de Iowa, mostrou um meio mais de 40 vezes mais denso que o da borda da heliosfera. A NASA anunciou o resultado em 12 de setembro de 2013.
Um dia-luz
A luz atravessa cerca de 26 bilhões de km em 24 horas. Segundo os cálculos da NASA, a Voyager 1 chega a essa distância da Terra em 18 de novembro de 2026, às 2h16min07s do horário do Pacífico, a 25,902 bilhões de km, 49 anos, 2 meses e 11 dias depois do lançamento. Será o primeiro objeto humano a ficar a um dia-luz de casa. Na prática, um comando enviado da Terra levará um dia inteiro para chegar à sonda, e a resposta, outro dia para voltar. A Voyager 1 ultrapassou a Pioneer 10 como a sonda mais distante em 17 de fevereiro de 1998 e nunca mais perdeu a posição.
Energia que se esgota
A eletricidade da sonda vem de geradores termoelétricos que convertem em energia o calor do decaimento do plutônio, e a potência cai cerca de 4 watts por ano. Para economizar, a equipe vai desligando instrumentos segundo um plano traçado há anos. Cada Voyager partiu com 10 conjuntos de instrumentos. Na Voyager 1, o detector de raios cósmicos foi desligado em 25 de fevereiro de 2025, e o de partículas carregadas de baixa energia, em 17 de abril de 2026. Restam dois instrumentos científicos: o de ondas de plasma e o magnetômetro. A NASA estima que as sondas fiquem ao alcance da Rede de Espaço Profundo até cerca de 2036.
Fora da heliosfera, ainda dentro do Sistema Solar
Espaço interestelar e saída do Sistema Solar são coisas diferentes. A NASA considera que a Voyager 1 só deixa o Sistema Solar depois de passar pela Nuvem de Oort: serão uns 300 anos até a borda interna e possivelmente 30 mil anos para atravessá-la. A sonda segue na direção da estrela AC +79 3888, também chamada Gliese 445, a mais de 17 anos-luz. Em cerca de 40 mil anos, passará a 1,7 ano-luz dela.
Como sabemos
Datas, distâncias e estado da missão vêm de páginas e comunicados da NASA e do JPL, incluindo atualizações de 2026.
Em debate: 'Saiu do Sistema Solar?' depende da definição. A Voyager 1 cruzou a heliopausa em 2012 e está no espaço interestelar, mas a NASA considera que ela só deixa o Sistema Solar após atravessar a Nuvem de Oort, daqui a dezenas de milhares de anos.
Em debate: Houve debate entre 2012 e 2013 sobre quando exatamente a sonda cruzou a heliopausa; o anúncio oficial só veio em setembro de 2013, após a medição da densidade do plasma.
- Fato estabelecido: A Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977, de Cabo Canaveral, num foguete Titan IIIE-Centaur. [1]
- Fato estabelecido: A Voyager 1 passou por Júpiter em 5 de março de 1979 e por Saturno em 12 de novembro de 1980. [1]
- Fato estabelecido: A Voyager 1 é o objeto feito por humanos mais distante. [1] [2]
- Fato estabelecido: A Voyager 1 ultrapassou a Pioneer 10 como a sonda mais distante em 17 de fevereiro de 1998. [1]
- Evidência forte: A Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 25 de agosto de 2012, sendo o primeiro objeto humano a fazê-lo. [5] [3]
Data inferida por extrapolação das medições de densidade do plasma; aceita pela equipe da Voyager. - Fato estabelecido: O anúncio de que a Voyager 1 estava no espaço interestelar foi feito em 12 de setembro de 2013, com artigo na Science. [3]
- Evidência forte: Uma ejeção de massa coronal de março de 2012 chegou à Voyager 1 em abril de 2013 e fez o plasma ao redor oscilar; o instrumento de ondas de plasma registrou um meio mais de 40 vezes mais denso que o da camada externa da heliosfera. [3]
- Fato estabelecido: Na travessia, a Voyager 1 estava a cerca de 19 bilhões de km do Sol. [3]
- Estimativa: Em 18 de novembro de 2026, às 2h16min07s (horário do Pacífico), a Voyager 1 estará a 25,902 bilhões de km da Terra, a distância que a luz percorre em 24 horas. [2] [4]
Cálculo de trajetória da NASA publicado antes da data; previsão de alta precisão. - Estimativa: A Voyager 1 será o primeiro objeto humano a chegar a um dia-luz da Terra, depois de 49 anos, 2 meses e 11 dias de viagem. [4]
Previsão da NASA para 18/11/2026. - Estimativa: Para deixar o Sistema Solar, segundo a NASA, a Voyager precisa passar além da Nuvem de Oort: levará cerca de 300 anos para chegar à borda interna e possivelmente cerca de 30 mil anos para atravessá-la. [5]
Os limites da Nuvem de Oort são mal conhecidos; as durações são aproximadas. - Fato estabelecido: A Voyager 1 usa geradores termoelétricos de radioisótopos, que convertem o calor do plutônio em eletricidade, e perde cerca de 4 watts de potência por ano. [6]
- Fato estabelecido: Cada Voyager levou 10 conjuntos de instrumentos; em 17 de abril de 2026, a NASA desligou o experimento de partículas carregadas de baixa energia (LECP) da Voyager 1. [6] [7]
- Fato estabelecido: Depois desse desligamento, a Voyager 1 tem dois instrumentos científicos em operação: um que capta ondas de plasma e um magnetômetro. [6]
- Fato estabelecido: O subsistema de raios cósmicos da Voyager 1 foi desligado em 25 de fevereiro de 2025. [8]
- Estimativa: As Voyager devem continuar ao alcance da Rede de Espaço Profundo até cerca de 2036. [5]
Estimativa da NASA; depende também da energia disponível. - Estimativa: A Voyager 1 segue na direção da estrela AC +79 3888 (Gliese 445), a mais de 17 anos-luz, e passará a cerca de 1,7 ano-luz dela em uns 40 mil anos. [4] [5]
Projeção de trajetória da NASA; o FAQ situa a passagem no ano 40.272. - Fato estabelecido: O disco de ouro das Voyager é de cobre banhado a ouro e traz 115 imagens, saudações em 55 línguas, uma seleção de 90 minutos de música e sons naturais da Terra. [9]
Outra página da NASA (legenda da imagem da capa) fala em 60 línguas; o número 55 vem da página dedicada ao conteúdo do disco. - Fato estabelecido: O comitê que escolheu o conteúdo do disco foi presidido por Carl Sagan, da Universidade Cornell. [9]
- Fato estabelecido: O disco foi feito para ser tocado a 16⅔ rotações por minuto, e a capa traz instruções simbólicas. [9]
- Fato estabelecido: A capa do disco leva uma fonte de urânio-238 de alta pureza, que funciona como relógio radioativo. [5]
- Fato estabelecido: A Voyager 1 descobriu que Titã tem uma atmosfera densa que esconde a superfície, composta por cerca de 90% de nitrogênio. [1]
- Fato estabelecido: Em 1990, a Voyager 1 fez a foto conhecida como 'Pálido Ponto Azul', parte de um mosaico de 64 imagens do Sistema Solar feito a cerca de 40 UA (40 vezes a distância Terra-Sol). [1]
- Fato estabelecido: Don Gurnett, da Universidade de Iowa, liderou a análise da equipe de ondas de plasma. [3]
- Fato estabelecido: Carl Sagan, membro da equipe de imagens da Voyager, teve em 1981 a ideia de fotografar a Terra com as câmeras da sonda. [10] [11]
- Fato estabelecido: A foto do Pálido Ponto Azul foi feita em 14 de fevereiro de 1990, com a Voyager 1 a cerca de 6 bilhões de km do Sol; a Terra ocupa cerca de um pixel. [10]
- Fato estabelecido: O retrato de família do Sistema Solar reuniu 60 imagens e mostra seis planetas. [10]
- Fato estabelecido: Foram as últimas fotos da Voyager 1; as câmeras foram desligadas para poupar energia. [10] [11]
- Fato estabelecido: Sagan, cofundador da Planetary Society, publicou o livro Pálido Ponto Azul em 1994. [11]
Fontes
- NASA Science — Voyager 1
consultada em 03/10/2026 - NASA Science — Where Are Voyager 1 and Voyager 2 Now?
consultada em 03/10/2026 - NASA Jet Propulsion Laboratory — NASA Spacecraft Embarks on Historic Journey Into Interstellar Space
consultada em 03/10/2026 - NASA Science — Voyager 1: What Is a Light-Day?
consultada em 03/10/2026 - NASA Science — Voyager: Frequently Asked Questions
consultada em 03/10/2026 - NASA Science (blog da missão Voyager) — NASA Shuts Off Instrument on Voyager 1 to Keep Spacecraft Operating
consultada em 03/10/2026 - NASA Jet Propulsion Laboratory — NASA Shuts Off Instrument on Voyager 1 to Keep Spacecraft Operating
consultada em 03/10/2026 - NASA Jet Propulsion Laboratory — NASA Turns Off 2 Voyager Science Instruments to Extend Mission
consultada em 03/10/2026 - NASA Science — Golden Record Contents
consultada em 03/10/2026 - NASA Science — Voyager 1's Pale Blue Dot
consultada em 04/10/2026 - The Planetary Society — A Pale Blue Dot
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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