História do Brasil

Villa-Lobos reuniu em nove suítes, entre 1930 e 1945, o contraponto de Bach e temas da música brasileira

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Entre 1930 e 1945, Heitor Villa-Lobos compôs nove suítes, as Bachianas Brasileiras, para formações muito diferentes, aplicando técnicas de contraponto e de harmonia de Bach a temas de origem brasileira. A n.º 1 é para oito violoncelos; a n.º 5, a mais célebre, para soprano e oito violoncelos. A ária da n.º 5 foi composta em 1938 e estreou em 25 de março de 1939.

Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 1887. O pai, Raul, o iniciou no violoncelo e no violão, e uma tia o pôs em contato com O Cravo Bem Temperado, de Bach, que marcou sua música para sempre. Depois da Semana de Arte Moderna de 1922 e de temporadas em Paris, voltou ao Brasil e, nos anos 1930, passou a se dedicar ao Canto Orfeônico, projeto de educação musical apoiado pelo governo que juntava multidões em estádios. As Bachianas surgem nesse período, e ele via ligações entre a liberdade das vozes na polifonia de Bach e a música popular brasileira. O resultado são movimentos de título duplo, um de forma barroca e outro de origem brasileira.

A ária que esperou sete anos pela segunda parte

A ária da Bachianas n.º 5, de 1938, só ganhou o segundo movimento, a Dança (Martelo), em 1945, com texto de Manuel Bandeira. A obra completa estreou em Paris, em 10 de outubro de 1947.

O que une Bach e o Brasil

O nome Bachianas Brasileiras junta o compositor alemão e o adjetivo do país. Villa-Lobos procurava ligações entre o contraponto de Bach, em que cada linha tem importância própria, e a liberdade com que as vozes se entrelaçam na música popular brasileira. Muitos movimentos recebem por isso dois nomes, um barroco e outro brasileiro. A n.º 1, por exemplo, para oito violoncelos, começa com uma embolada, passa por uma modinha e termina com uma fuga cujo tema, como dizem as notas de programa, está mais perto do Rio que de Leipzig.

Uma série que se formou aos poucos

As nove suítes não nasceram de um plano único. Em 1930 e 1931, durante uma excursão pelo interior paulista, Villa-Lobos transcreveu prelúdios e fugas do Cravo Bem Temperado e escreveu peças que entrariam mais tarde nas Bachianas n.º 2 e 4. Em 1938 estrearam as versões completas das n.º 1 e 2, e ele anunciou o projeto no sentido atual. Em 1939, as n.º 1, 2 e 5 já tinham a numeração que conhecemos. Um estudo da UFRJ descreve o método como um trabalho em andamento, que reaproveitava material antigo.

A n.º 5: uma ária e uma dança

A Bachianas n.º 5 foi escrita para soprano e oito violoncelos. A Ária (Cantilena) é de 1938, com texto de Ruth Valadares Corrêa, e estreou em 25 de março de 1939. O segundo movimento, Dança (Martelo), só veio em 1945, com versos de Manuel Bandeira. A obra completa estreou em Paris, em 10 de outubro de 1947. Existem versões para soprano e violão, de 1947, e para soprano e piano, de 1948.

Do compositor à instituição

Villa-Lobos foi também educador e organizador. Ao lado da composição, conduziu o Canto Orfeônico, que reunia multidões em estádios com apoio do governo, e em 1945 fundou a Academia Brasileira de Música, à qual deixou seus direitos autorais. Seu catálogo passa de 700 obras. Ele morreu no Rio, em 17 de novembro de 1959. O Museu Villa-Lobos, no bairro de Botafogo, guarda hoje mais de 53 mil itens, entre partituras manuscritas e impressas, cartas, discos, filmes, condecorações, instrumentos e objetos pessoais.

Como sabemos

Datas, composição das nove suítes e estreias conferem entre as fontes; a leitura do compositor sobre Bach e o folclore vem de texto de programa e foi marcada como interpretação.

Fontes

  1. Academia Brasileira de Música — Heitor Villa-Lobos
    consultada em 04/10/2026
  2. Los Angeles Philharmonic (notas de programa) — Bachianas Brasileiras No. 1, Heitor Villa-Lobos
    consultada em 04/10/2026
  3. Revista Brasileira de Música, Escola de Música da UFRJ — Villa-Lobos nos anos 1930 e 1940: transcrições e "work in progress"
    consultada em 04/10/2026
  4. Orquestra Filarmônica (notas de concerto) — Bachianas Brasileiras nº 5
    consultada em 04/10/2026
  5. Brasiliana Museus / Instituto Brasileiro de Museus — Museu Villa-Lobos
    consultada em 04/10/2026
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