Arqueologia
Como sabemos que os vikings estiveram na América em 1021: as árvores cortadas de L'Anse aux Meadows
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Cerca de cinco séculos antes de Colombo, nórdicos vindos da Groenlândia construíram um acampamento em L'Anse aux Meadows, na ponta norte da Terra Nova, no Canadá. Sabemos disso pelas ruínas de oito construções de turfa, por objetos de padrão nórdico e por escória de ferro. Em 2021, anéis de três troncos cortados com ferramentas de metal mostraram que as árvores foram abatidas em 1021 d.C., a única data exata da presença europeia na América antes de Colombo.
O ano 1021 é o do corte das árvores. Ele não diz quanto tempo os nórdicos ficaram nem quem eram: as sagas, escritas séculos depois, falam de Leif Eiriksson, mas não se sabe se foi ele quem esteve ali. O sítio parece ter sido uma base de onde outras regiões, até mais ao sul, eram exploradas. Povos indígenas usaram o local por até 6 mil anos; os dorset acamparam ali mais de dois séculos antes dos nórdicos, e nenhum grupo estava presente no século das explorações nórdicas. L'Anse aux Meadows é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1978 e é o único sítio nórdico confirmado nas Américas.
Um relógio feito por raios cósmicos
Em 993 d.C., um evento de raios cósmicos fez subir de repente o carbono-14 na atmosfera de todo o planeta, e os anéis de árvore guardaram esse pico. Contando os anéis entre o pico e a casca, os pesquisadores chegaram ao ano exato em que a árvore foi derrubada.
As sagas e o achado de 1960
As sagas islandesas contam que, nas viagens da Groenlândia, os nórdicos chegaram a uma terra que chamaram Vinlândia. Mas só em 1960 apareceu prova material: o norueguês Helge Ingstad, guiado por um morador, achou montes cobertos de grama na Terra Nova. Com a arqueóloga Anne Stine Ingstad, liderou oito anos de escavações internacionais e identificou os alicerces de oito construções nórdicas do século XI.
O que os objetos mostram
Dentro das ruínas apareceram um alfinete de bronze, um fuso e uma agulha de osso, como se usavam na Islândia e na Groenlândia. O fuso e a agulha são ferramentas de mulheres, o que indica que nem todos os colonos eram homens. A escória de fundição e os muitos rebites de barco levaram a identificar o sítio como nórdico. A pequena forja foi o primeiro lugar do Novo Mundo em que se fundiu ferro.
O problema da data
Por décadas, o sítio só tinha uma data aproximada, 'por volta do ano 1000', baseada em estilo de construção e nas sagas. As mais de 150 datações de radiocarbono, 55 delas ligadas aos nórdicos, davam intervalos que cobriam toda a Era Viking (793–1066). O método dos anos 1960 e 1970 tinha incerteza grande e exigia amostras grandes, e muitas amostras traziam uma 'idade embutida', porque a árvore já era velha quando foi cortada.
O relógio de 993
Em 993 d.C., raios cósmicos aumentaram o carbono-14 da atmosfera, e o pico está nos anéis de árvore do mundo todo. Em 2021, uma equipe mediu o carbono-14 em 83 anéis de madeiras com cortes de ferramenta metálica e casca preservada. O pico de 993 aparece cerca de 29 anéis antes da casca nas três peças analisadas, e isso fixa o corte em 1021. As madeiras vêm de ao menos duas espécies, abeto e zimbro ou tuia, e foram cortadas em épocas diferentes do ano.
Como sabemos
A presença nórdica e a data de 1021 vêm de um artigo da Nature e de páginas oficiais do Parks Canada; o que não se sabe (quem, quanto tempo, ligação com as sagas) está dito no texto.
Em debate: A relação entre o sítio e as sagas não está fechada. Parks Canada diz que a ocupação pode ter vindo da viagem de Leif Eiriksson, da de Karlsefni ou da de outro capitão, e que não se sabe por quanto tempo ficaram. O artigo de 2021 diz que o ano 1021 é um ponto de referência, e que como ele se liga à atividade nórdica na América é matéria de pesquisas futuras.
Em debate: A data de 1021 é o melhor ajuste estatístico para o corte das três madeiras; para algumas delas, anos próximos entre 1019 e 1022 também passam em teste de ajuste. A estimativa depende do pico de carbono-14 de 993 e da preservação da casca nas peças.
- Evidência forte: L'Anse aux Meadows, na Terra Nova, é o único sítio nórdico confirmado nas Américas e foi uma base de onde outras regiões, até mais ao sul, foram exploradas. [1]
- Fato estabelecido: O sítio foi descoberto em 1960 por Helge Ingstad, com Anne Stine Ingstad, e escavado por equipe internacional durante oito anos. [2]
- Fato estabelecido: Os Ingstad encontraram alicerces de oito construções nórdicas do século XI, de turfa sobre armação, do mesmo tipo usado na Islândia e na Groenlândia no ano 1000. [2]
- Fato estabelecido: Entre os achados havia um alfinete de bronze, um fuso e uma agulha de osso, estes dois de uso feminino, o que mostra que nem todos os colonos eram homens; a escória de ferro e os rebites de barco foram o que mais levou a identificar o sítio como nórdico. [2]
- Fato estabelecido: Os nórdicos tinham uma pequena forja no local, onde pela primeira vez se fundiu ferro no Novo Mundo. [3]
- Fato estabelecido: L'Anse aux Meadows é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1978. [5]
- Fato estabelecido: As sagas contam as viagens dos nórdicos à América, cinco séculos antes de Colombo; as versões escritas mais antigas são do século XII e a Saga dos Groenlandeses é do século XIII. [3]
- Incerto: A ocupação de L'Anse aux Meadows pode ter sido durante a viagem de Leif, a de Karlsefni ou a de outro capitão, e não se sabe quanto tempo os nórdicos ficaram. [3]
Parks Canada diz explicitamente que não se sabe qual viagem nem a duração, e que pode ter sido apenas alguns anos. - Fato estabelecido: Mais de 150 datações de radiocarbono foram feitas no sítio, 55 ligadas à ocupação nórdica, mas os intervalos calibrados cobrem toda a Era Viking (793–1066), por limitações das técnicas dos anos 1960 e 1970 e pela 'idade embutida' de amostras de madeira. [1]
- Fato estabelecido: Um evento de raios cósmicos em 993 d.C. aumentou o carbono-14 na atmosfera em cerca de 9‰ e aparece em anéis de árvore do mundo todo, o que serve de marcador de tempo. [1]
- Fato estabelecido: Os pesquisadores fizeram 127 medições de carbono-14 em 83 anéis de quatro peças de madeira do depósito nórdico; três delas foram usadas na análise, e são de ao menos duas espécies (abeto e zimbro ou tuia), cortadas em estações diferentes, primavera e verão ou outono. [1]
- Fato estabelecido: As três madeiras tinham cortes limpos de ferramentas de metal e estavam no depósito nórdico; os indígenas da região não fabricavam esse tipo de ferramenta. [1]
- Evidência forte: As três árvores foram cortadas em 1021 d.C., a única data calendárica segura da presença europeia na América antes de Colombo. [1]
É o melhor ajuste; para algumas peças, outros anos próximos (1019 a 1022) também passam em teste estatístico a 95%. - Fato estabelecido: Povos indígenas usaram o sítio por até 6 mil anos, os dorset acamparam ali mais de dois séculos antes dos nórdicos, e nenhum grupo estava presente no século das explorações nórdicas. [4]
Fontes
- Nature (Kuitems et al., 2021) — Evidence for European presence in the Americas in ad 1021
consultada em 04/10/2026 - Parks Canada (Governo do Canadá) — Culture and history, L'Anse aux Meadows National Historic Site
consultada em 04/10/2026 - Parks Canada (Governo do Canadá) — A Saga of Discovery, L'Anse aux Meadows National Historic Site
consultada em 04/10/2026 - Parks Canada (Governo do Canadá) — Indigenous Sites, L'Anse aux Meadows National Historic Site
consultada em 04/10/2026 - Parks Canada (Governo do Canadá) — L'Anse aux Meadows National Historic Site
consultada em 04/10/2026
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