Oceanografia

1977: no fundo do Pacífico, o Alvin achou uma comunidade que não vive da luz do Sol

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 17 de fevereiro de 1977, o submersível Alvin desceu a cerca de 2.500 metros no Rifte das Galápagos atrás de fontes de água quente no fundo do mar. Os geólogos buscavam prova da tectônica de placas. Acharam também bivalves de 30 centímetros, vermes tubícolas vermelhos e caranguejos brancos, reunidos em volta de frestas na lava. Era uma comunidade densa num fundo que se supunha pobre em alimento.

A expedição era de geologia: o objetivo era ver de perto fontes hidrotermais, previstas como consequência da tectônica de placas e conhecidas até então só por sinais indiretos, como anomalias de temperatura e depósitos minerais. Não havia biólogos a bordo. Os geólogos recolheram os animais e os conservaram em formaldeído. A explicação do que sustentava aquela vida veio depois: micróbios que usam a quimiossíntese, em vez da fotossíntese, convertem o sulfeto de hidrogênio do fluido das fontes em alimento e formam a base da cadeia alimentar. Em 1981, pesquisadores mostraram que o verme tubícola gigante abriga esses micróbios dentro do corpo. Hoje se conhecem cerca de 800 espécies de animais em ecossistemas de fontes hidrotermais.

Geólogos sem biólogos

Como a expedição de 1977 não levou biólogos, os geólogos conservaram os animais em formaldeído. Quando o estoque acabou, usaram vodca. Os exemplares serviram depois para descrever as espécies novas encontradas no fundo.

Uma expedição de geologia

O mergulho de 1977 partiu do navio Knorr, com a liderança de Richard Von Herzen e Robert Ballard, da WHOI. Expedições anteriores só tinham achado sinais indiretos de fontes hidrotermais, como anomalias de temperatura e depósitos minerais incomuns. A hipótese de que a tectônica de placas as produzia ainda não fora confirmada por observação direta. Era isso que os geólogos foram ver.

O que o Alvin encontrou

O Alvin viu água quente e cintilante saindo de frestas na lava, a cerca de 330 km a nordeste das Galápagos. Em torno delas havia bivalves brancos de 30 cm, vermes tubícolas vermelhos, caranguejos brancos cegos, sifonóforos laranja e um polvo roxo. O fundo do mar, a cerca de 2.500 m, era tido como pobre em nutrientes, e a densidade da vida ali chamou a atenção desde o primeiro mergulho.

Alimento sem fotossíntese

Micróbios das fontes convertem o sulfeto de hidrogênio do fluido em alimento e sustentam cadeias alimentares complexas. Os vermes tubícolas adultos de alguns tipos não têm boca: guardam esses micróbios em câmaras do corpo. Em 1981, Cavanaugh e colaboradores mostraram que células procarióticas habitam os tecidos de Riftia pachyptila, fechando a explicação da quimiossimbiose.

Um ecossistema que continua a crescer

Os fluidos das fontes podem chegar a 400 °C e seguem líquidos pela pressão do fundo do mar. A WHOI conta hoje cerca de 800 espécies de animais em ecossistemas desse tipo, de vermes tubícolas a mexilhões, caranguejos e camarões. Em cerca de uma década, quase todos os animais do Rose Garden já estavam descritos, e novas fontes continuam sendo exploradas.

Como sabemos

Data, local, método e achados conferem em fontes institucionais independentes; o texto separa o que foi visto em 1977 do que só foi explicado depois.

Fontes

  1. Woods Hole Oceanographic Institution — Hydrothermal vents
    consultada em 05/10/2026
  2. EARTH Magazine (American Geosciences Institute) — Benchmarks: February 17, 1977: Hydrothermal vents are discovered
    consultada em 05/10/2026
  3. Marine Biodiversity (Springer), via PubMed Central — Hydrothermal vent fauna of the Galápagos Rift: updated species list with new records
    consultada em 05/10/2026
  4. NOAA Ocean Today — The Depths Below: Life on a Vent
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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