Fenômenos naturais
Por que às vezes aparece um anel luminoso de 22 graus em volta do Sol ou da Lua?
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O anel é o halo de 22 graus. Ele nasce quando a luz do Sol ou da Lua atravessa cristais de gelo hexagonais, em geral de nuvens altas finas como os cirrostratos. Cada cristal funciona como um prisma de 60 graus e desvia a luz em, no mínimo, cerca de 21,8 graus. Como há milhões de cristais voltados para todos os lados, esse desvio mínimo desenha um círculo inteiro com raio de cerca de 22 graus.
O halo de 22 graus é o tipo de halo mais comum. A luz entra por uma face lateral do cristal hexagonal e sai por outra, e as duas faces formam um ângulo de 60 graus, como num prisma. Com o índice de refração do gelo, perto de 1,31, o desvio nunca fica abaixo de cerca de 21,84 graus. A luz vermelha desvia um pouco menos (21,54 graus) e a azul um pouco mais (22,37 graus), por isso a borda interna do anel costuma ter um tom avermelhado. O céu entre o astro e o anel parece mais escuro que o de fora. A mesma física vale para o Sol e para a Lua.
Um anel de uma palma de mão
Com o braço esticado, o raio de 22 graus equivale aproximadamente ao vão de uma mão aberta, do polegar ao mindinho. O halo já foi fotografado a apenas 1 grau do Equador, na Indonésia, em 2011: não é fenômeno só de regiões frias.
Um prisma de gelo
Os cristais responsáveis são hexagonais. A luz entra por uma face lateral e sai por outra, e o ângulo entre essas faces é de 60 graus, como no prisma de vidro de um laboratório. A luz é desviada duas vezes, uma na entrada e outra na saída, e o desvio total depende do ângulo com que ela chega ao cristal.
Por que o desvio mínimo importa
Para um prisma, existe um menor desvio possível. Com índice de refração 1,31, ele é de 21,84 graus. Nenhum raio é desviado menos que isso, então não chega luz refratada para dentro do anel. É por isso que o céu entre o astro e o halo parece mais escuro que o de fora.
Cores e anel completo
O índice de refração varia com a cor: 1,306 para o vermelho e 1,317 para o azul. O desvio mínimo vai de 21,54 a 22,37 graus, o que dá ao anel a borda interna avermelhada. Para o círculo fechar, é preciso haver cristais em todas as orientações; parélios, ao contrário, vêm de cristais planos.
Parélios e halos da Lua
Os parélios são pontos brilhantes de cada lado do Sol, na altura dele, e costumam aparecer no cruzamento com o halo. O halo da Lua segue a mesma física, só que com luz bem mais fraca: precisa de uma Lua brilhante e de nuvem fina o bastante para deixar o astro visível.
Como sabemos
Geometria do prisma de 60 graus e valores do desvio mínimo confirmados em fontes acadêmicas e meteorológicas concordantes.
- Consenso científico: O halo de 22 graus se forma quando a luz do Sol ou da Lua é refratada por pequenos cristais de gelo hexagonais. [1] [3]
- Consenso científico: Os cristais ficam em nuvens altas e finas, como cirros e cirrostratos (também cirrocúmulos ou diamond dust, gelo próximo ao chão). [3] [4]
- Fato estabelecido: A luz atravessa o cristal por faces que formam um ângulo de 60 graus, como num prisma. [1]
- Fato estabelecido: Com índice de refração 1,31, o ângulo de desvio mínimo é de 21,84 graus. [1] [2]
- Fato estabelecido: Para a luz vermelha (n = 1,306) o desvio mínimo é 21,54 graus; para a azul (n = 1,317), 22,37 graus. [1]
- Fato estabelecido: A borda interna do anel costuma ter um tom avermelhado. [1] [4]
- Fato estabelecido: A região do céu entre o Sol e o halo parece mais escura que a região logo fora do anel. [4]
- Estimativa: O halo de 22 graus é o halo mais frequentemente visto; na Europa Ocidental aparece em cerca de 100 dias por ano. [3] [4]
A contagem de dias vem da Cloud Appreciation Society e se refere à Europa Ocidental. - Fato estabelecido: O raio do halo equivale aproximadamente ao vão de uma mão esticada, com o braço estendido. [4]
- Fato estabelecido: O mesmo princípio vale para halos em volta da Lua. [1]
- Fato estabelecido: Um halo de 22 graus foi fotografado a 1 grau do Equador, na Indonésia, em 22 de janeiro de 2011. [2]
- Evidência forte: Os parélios (sun dogs) são pontos brilhantes nos lados do Sol, associados a cristais hexagonais planos; o anel completo exige cristais em todas as orientações. [2] [3]
Fontes
- HyperPhysics, Georgia State University — The 22° Halo
consultada em 06/10/2026 - HyperPhysics, Georgia State University — A 22° halo from the equator
consultada em 06/10/2026 - Met Office (Reino Unido) — Optical effects: nature's light show
consultada em 06/10/2026 - Cloud Appreciation Society — 22° halo: can appear for all altitudes of the Sun/Moon
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão