Astronomia
Como se viu a superfície de Vênus sob as nuvens: o radar da Magellan e a dúvida sobre vulcões ativos
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
A superfície de Vênus foi mapeada por radar de abertura sintética pela sonda Magellan: cerca de 98% dela, com resolução melhor que 100 m, apesar das nuvens espessas. Se há vulcanismo em curso ainda é discutido. Em 2023, uma reanálise das imagens achou uma abertura vulcânica de cerca de 2,2 km² que mudou de forma em 8 meses, mas os autores admitem que parte do que viram pode vir da geometria de imageamento.
Vênus tem atmosfera de CO2 com pressão de 92 bar e temperatura média de 464 °C na superfície, sob nuvens que impedem de ver o chão em luz visível. O radar contorna o problema: emite ondas de rádio e registra o eco, e o radar de abertura sintética usa o movimento da nave para obter imagens detalhadas. Antes da Magellan (1990–1994), só sondas soviéticas Venera, que pousaram, e radares menos nítidos haviam mostrado o solo. A Magellan revelou um mundo dominado por lava, com idade média de superfície estimada em 500 milhões de anos. A pergunta aberta é se esse vulcanismo continua hoje.
Um panorama em cores a 464 °C
Em 1º de março de 1982, a Venera 13 ficou 2 h 7 min na superfície e fez 14 imagens, entre elas um panorama colorido de 170 graus. A NASA lembra que a cor real é difícil de julgar, porque a atmosfera filtra a luz azul.
Por que radar, e o que a imagem mostra
A ESA descreve a superfície de Vênus como difícil de ver por causa da atmosfera espessa, e foi o radar que a revelou coberta de vulcões e fluxos de lava antigos. Em radar de abertura sintética a nave emite pulsos de rádio e registra o eco, e o movimento da nave ao longo da órbita permite imagens muito mais nítidas do que a antena sozinha daria. O resultado não é uma foto: mostra quanto sinal cada ponto devolve, o que depende de rugosidade e inclinação.
Como sabemos: o mapa da Magellan
A Magellan chegou a Vênus em 10 de agosto de 1990 e operou em ciclos de 243 dias, o tempo para a superfície passar por inteiro sob a órbita. Reuniu 4.225 órbitas de imagem utilizáveis, cada uma com cerca de 20 km por 17.000 km, a 75 m por pixel. O balanço da NASA é de 98% da superfície com resolução melhor que 100 m, muitas áreas imageadas várias vezes. Essa repetição é o que permite comparar imagens e, em 2023, procurar mudanças.
Antes do radar: os pousos da Venera
As Venera soviéticas incluíram sondas que pousaram em Vênus. A Venera 13 sobreviveu 2 h 7 min em 1982 e obteve 14 imagens, com rochas planas e solo, e a NASA aponta composição semelhante a basalto terrestre. Foram pontos isolados, de poucos metros de visão, que complementam o mapa global do radar.
A dúvida sobre vulcões ativos
Há indícios de tipos diferentes. Herrick e Hensley viram uma abertura de 2,2 km² mudar de forma em 8 meses nas imagens da Magellan, mas admitem que parte das diferenças pode vir da geometria de imageamento. A Venus Express sugeriu fluxos jovens (menos de 2,5 milhões de anos) e pontos de brilho variável. Nenhuma erupção foi observada em andamento, então o assunto segue em aberto até novas missões.
Como sabemos
Mapeamento e métodos bem documentados em fontes institucionais; a atividade atual repousa em resumos de estudos e em uma notícia da ESA, e é tratada como questão aberta.
Em debate: Estudos da Magellan (2023) e da Venus Express (2010, 2015) apontam atividade, cada um com limites declarados; nenhuma erupção foi observada em tempo real.
- Fato estabelecido: A sonda Magellan, da NASA, mapeou por radar cerca de 98% da superfície de Vênus com resolução melhor que 100 m, e muitas áreas foram imageadas mais de uma vez. [2] Descrição da missão
Contexto: Missão Magellan, órbita de Vênus, 1990–1994. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: As imagens da Magellan usadas no estudo de 2023 foram feitas entre 1990 e 1992 com radar de abertura sintética. [1] Resumo
Contexto: Período das imagens usadas no estudo de 2023. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: A atmosfera espessa de Vênus dificulta ver a superfície; foram observações de radar de missões anteriores que a revelaram coberta de vulcões e antigos fluxos de lava. [4] Introdução
Contexto: Texto da ESA sobre a missão Venus Express. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Cada órbita de imageamento da Magellan cobria, em geral, uma faixa de 20 km de largura por 17.000 km de comprimento, a 75 m por pixel; foram obtidas 4.225 órbitas utilizáveis. [2] Descrição da missão
Contexto: Dados brutos de radar, depois processados em faixas e mosaicos. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Comparando áreas vulcânicas imageadas duas ou três vezes pela Magellan, Herrick e Hensley identificaram uma abertura vulcânica de cerca de 2,2 km² que mudou de forma num intervalo de 8 meses entre duas imagens de radar. [1] Resumo
Contexto: Uma estrutura vulcânica, reanálise publicada na Science em 2023. · Limitações: Estudo sobre uma única estrutura. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os autores não descartam que os fluxos de lava vistos na segunda imagem já existissem e estivessem invisíveis na primeira, por diferenças na geometria de imageamento. [1] Resumo
Contexto: Aplica-se aos fluxos a jusante da abertura, não à mudança de forma da abertura em si. · Limitações: Limite declarado pelos próprios autores. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Interpretação: Herrick e Hensley interpretam o resultado como evidência de atividade vulcânica em curso em Vênus. [1] Resumo
Contexto: Interpretação de um estudo; a Magellan observou em 1990–1992, não hoje. · Limitações: Não é uma observação de erupção em tempo real. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Segundo a NASA, pelo menos 85% da superfície de Vênus está coberta por fluxos vulcânicos; o restante, por cinturões de montanhas muito deformados. [2] Resultados da missão
Contexto: Balanço da missão Magellan feito pela NASA. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: A idade média da superfície de Vênus é estimada em cerca de 500 milhões de anos; se ela foi renovada em grandes eventos ou aos poucos continua sem resposta. [2] Resultados da missão
Contexto: Estimativa da NASA para a superfície como um todo. · Limitações: A página da NASA não detalha o método da estimativa. · Estimativa média; a própria NASA lista a forma de renovação como pergunta em aberto. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: Com dados da Venus Express, Smrekar e colegas estimaram que fluxos de lava em três pontos quentes são mais novos que 2,5 milhões de anos, provavelmente cerca de 250.000 anos ou menos. [3] Resumo
Contexto: Três pontos quentes analisados por emissividade térmica no infravermelho; a idade vem da ausência de intemperismo. · Limitações: Idade inferida da composição da superfície, não de observação direta de erupção. · Estimativa por inferência; atividade atual é conclusão dos autores. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: A câmera VMC da Venus Express registrou mudanças locais de brilho da superfície entre imagens feitas com poucos dias de diferença, em quatro pontos quentes na zona de rifte Ganiki Chasma. [4] Texto da notícia
Contexto: Estudo de Shalygin e colegas na Geophysical Research Letters, 2015, descrito pela ESA. · Limitações: Foi lida a notícia da ESA, não o artigo. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: Para o ponto chamado Objeto A, a equipe calculou uma área de cerca de 1 km² e uma temperatura de 830 °C, contra 480 °C de média global. [4] Texto da notícia
Contexto: Valores calculados pela equipe a partir de uma emissão térmica espalhada por mais de 100 km. · Limitações: Observação perto do limite do instrumento, segundo os autores. · Cálculo indireto, não uma erupção observada diretamente. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Hipótese: Um aumento brusco de dióxido de enxofre na alta atmosfera em 2006–2007, seguido de queda gradual, foi outro indício, mas mudanças nos ventos também poderiam causá-lo. [4] Texto da notícia
Contexto: Dados da Venus Express, estudo de 2012 citado pela ESA. · Limitações: Explicação vulcânica não é a única possível. · Hipótese, com explicação alternativa reconhecida na própria fonte. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A Venera 13 sobreviveu 2 horas e 7 minutos na superfície, obteve 14 imagens em 1º de março de 1982, e a superfície vista é semelhante a basalto terrestre. [5] Legenda
Contexto: Local de pouso a 7,5° S, 303° L, a leste de Phoebe Regio. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Na superfície de Vênus a pressão é de 92 bar e a temperatura média, de 737 K (464 °C). [6] Venus Atmosphere
Contexto: Valores médios; a página da missão Magellan cita 475 °C, diferença entre fontes. · Limitações: Duas páginas da NASA dão valores um pouco diferentes (464 °C e 475 °C). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- Science — Surface changes observed on a Venusian volcano during the Magellan mission
Herrick, R. R.; Hensley, S. · 2023 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.abm7735 - NASA Space Science Data Coordinated Archive — Magellan Mission to Venus
NASA NSSDCA · 2005 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Science — Recent hotspot volcanism on Venus from VIRTIS emissivity data
Smrekar, S. E. et al. · 2010 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1186785 - Agência Espacial Europeia — Hot lava flows discovered on Venus
ESA · 2015 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NASA Space Science Data Coordinated Archive — Venus - Venera 13 Lander (color image of the surface)
NASA NSSDCA · 2015 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NASA Space Science Data Coordinated Archive — Venus Fact Sheet
NASA NSSDCA · 2024 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)