Astronomia

Por que Vênus é mais quente que Mercúrio: atmosfera de CO2 com pressão 93 vezes a da Terra e estufa extrema

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

A superfície de Vênus fica em cerca de 467 °C, mais quente que a de Mercúrio, planeta mais próximo do Sol. A diferença vem da atmosfera: feita sobretudo de dióxido de carbono, com pressão de cerca de 93 vezes a do nível do mar na Terra, ela deixa chegar ao chão só cerca de 10% da luz solar incidente, mas retém o calor que a superfície emite.

Mercúrio é o planeta mais interno e quase não tem atmosfera: de dia o solo chega a 430 °C, mas, sem nada que retenha o calor, a noite cai a cerca de −180 °C. Vênus, o segundo planeta, tem o oposto: uma camada densa de gás, formada sobretudo por dióxido de carbono (CO2), coberta por nuvens de ácido sulfúrico. Efeito estufa é o aquecimento de um planeta por gases que deixam a luz do Sol entrar, mas dificultam a saída do calor emitido pela superfície. Em Vênus ele é, segundo a ESA, o mais potente do Sistema Solar. O resultado é uma superfície quente o bastante para derreter chumbo. A distância ao Sol, portanto, não explica sozinha a temperatura.

O lugar mais parecido com a Terra fica a 50 km de altura

A cerca de 50 km acima da superfície de Vênus, a NASA informa temperaturas de 30 a 70 °C e pressão semelhante à do chão da Terra. O inferno de 467 °C está embaixo; a camada de nuvens fica muito acima dele.

Menos luz no chão, mais calor retido

Mercúrio está mais perto do Sol, mas Vênus é mais quente. A pista está no balanço de energia: segundo a ESA, cerca de 80% da radiação solar que chega a Vênus é refletida pelas nuvens e só cerca de 10% atinge a superfície. O que importa é o destino do calor depois: a radiação térmica emitida pelo solo fica presa pela atmosfera. É a combinação entre pouca luz que entra e quase nenhuma saída do calor que sustenta a temperatura.

Os gases e a pressão

A ESA lista três agentes da estufa venusiana: vapor d'água, dióxido de carbono e aerossóis de ácido sulfúrico. O CO2 domina a composição da atmosfera, e a pressão na superfície é cerca de 93 vezes a do nível do mar terrestre, ou seja, há muito mais gás acima de cada metro quadrado do chão. A diferença de cerca de 500 °C entre o solo e o topo das nuvens mostra o tamanho do efeito.

Como sabemos

Os números vêm de medições feitas por naves. A NASA conta que dez sondas do programa soviético Venera, entre 1961 e 1984, chegaram à superfície, e que a que durou mais funcionou por duas horas: dados de pouco tempo, em poucos pontos. A missão Venus Express, da ESA, estudou a atmosfera e as nuvens a partir da órbita. O limite é que o chão de Vênus nunca foi monitorado por muito tempo nem em muitos lugares.

E a água que sumiu?

Vênus hoje é muito seco. Um cenário, apresentado pela ESA como o que cientistas pensam, é que houve água há mais de 4 bilhões de anos e que ela evaporou e escapou. A razão deutério/hidrogênio, cerca de 150 vezes a da Terra, foi proposta como indício, mas um artigo de modelagem de 2023 lembra que ela tem outras leituras possíveis. É hipótese, não história confirmada.

Como sabemos

Temperatura, pressão e composição vêm de páginas institucionais da NASA e da ESA; a história da água é hipótese.

Em debate: Existe um cenário de água líquida há mais de 4 bilhões de anos, apoiado em indícios como a razão deutério/hidrogênio, mas o próprio artigo de modelagem de 2023 trata a era habitável como hipotética e mostra que a razão D/H admite outras explicações.

Fontes

  1. NASA — Venus: Facts
    NASA Science · 2026-09-28 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Agência Espacial Europeia (ESA) — Greenhouse effect, clouds and winds (Venus Express)
    ESA · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Agência Espacial Europeia (ESA) — Venus has potential, but not for water
    ESA · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. NASA — Mercury Facts
    NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. Proceedings of the National Academy of Sciences — Narrow range of early habitable Venus scenarios permitted by modeling of oxygen loss and radiogenic argon degassing
    Warren, A. O.; Kite, E. S. · 2023-03-06 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2209751120
  6. Science Advances — The punctuated evolution of the Venusian atmosphere from a transition in mantle convective style and volcanic outgassing
    Weller, M. B.; Kiefer, W. S.; et al. · 2025-01-10 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.adn9861
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 4; conferência de trechos automatizada)

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