Fenômenos naturais
O maior terremoto já medido: Valdivia, Chile, 1960
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Às 15h11 de 22 de maio de 1960, um domingo, o sul do Chile tremeu com magnitude 9,5, o maior terremoto já registrado por instrumentos. Em minutos, ondas de até cerca de 25 metros atingiram a costa chilena. O tsunami seguiu pelo Pacífico: chegou ao Havaí em cerca de 15 horas e ao Japão em 22 horas, onde matou cerca de 140 pessoas, do outro lado do oceano.
O terremoto aconteceu numa zona de subducção, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. A ruptura se estendeu por cerca de 1.000 km de falha e mais de 160 km de largura, e a borda da placa Sul-Americana deslizou até cerca de 18 metros de uma vez. Na véspera, uma sequência de tremores de até magnitude 8 havia sacudido a região, uns 160 km mais ao norte. As estimativas de mortos no Chile variam muito conforme a fonte, de cerca de 500 a 5.700; perto de 2 milhões de pessoas ficaram sem casa. No Havaí morreram 61 pessoas, todas em Hilo, embora o alerta tivesse sido dado horas antes. Foi o primeiro tsunami registrado no mundo inteiro: marégrafos captaram as ondas até nos oceanos Atlântico e Índico.
O relógio parado de Waiakea
Em Hilo, o relógio de Waiakea parou à 1h04 da madrugada de 23 de maio, hora em que a maior onda atingiu a cidade. Nunca foi reajustado: ainda marca esse horário e virou monumento à tragédia. No porto de Onagawa, no Japão, ninguém morreu: um bombeiro de vigia notou o movimento estranho da água e a população subiu para áreas altas.
A falha que se rompeu
Ao longo da costa chilena, a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. Em 22 de maio de 1960, cerca de 1.000 km dessa fronteira se romperam de uma vez, numa faixa de mais de 160 km de largura, e a borda da placa Sul-Americana deslizou até cerca de 18 metros. O USGS dá ao evento magnitude 9,5, valor calculado por Kanamori e Anderson em 1975. Na véspera, tremores de até magnitude 8 já haviam atingido a região, cerca de 160 km mais ao norte.
A costa chilena
As ondas atingiram o litoral em minutos, com alturas de até cerca de 25 metros em alguns pontos. Na região de Maullín, Quenuir e La Pasada, todos sobreviveram ao tremor, mas pelo menos 122 pessoas morreram no tsunami que veio depois. Era o primeiro grande tsunami em Valdivia e Maullín desde 1575, e a memória de como escapar havia se perdido. No total, as estimativas de mortos no Chile vão de cerca de 490 a 5.700.
Hilo: o alerta que não bastou
Às 18h47, hora do Havaí, foi emitido alerta oficial de que as ondas chegariam a Hilo por volta da meia-noite; as sirenes tocaram às 20h30. A primeira onda, pequena, chegou pouco depois da meia-noite, e muita gente que tinha saído voltou achando que o perigo passara. A maior onda chegou à 1h04 e matou 61 pessoas. Hilo já tinha perdido 98 moradores no tsunami vindo das Aleutas em 1946.
Do outro lado do Pacífico
Cerca de 22 horas depois do tremor, as ondas chegaram ao Japão e mataram cerca de 140 pessoas. Em Onagawa, o bombeiro Kimura Kunio notou o movimento estranho da água no porto e deu o alerta; não houve mortos ali. O tsunami de 1960 foi o primeiro registrado no mundo todo, com sinais até no Atlântico e no Índico, e levou à criação do Sistema de Alerta de Tsunamis do Pacífico em 1965.
Como sabemos
Magnitude, horários, tempos de viagem e mortes fora do Chile vêm do USGS e da NOAA; o número de mortos no Chile, que diverge, aparece como faixa.
Em debate: O número de mortos no Chile é incerto: fontes institucionais dão de cerca de 490 a 5.700 mortes, porque os registros da época foram incompletos e as contagens misturam vítimas do tremor e do tsunami.
- Fato estabelecido: O terremoto de 22 de maio de 1960 no Chile, de magnitude 9,5, é o maior já registrado por instrumentos; ocorreu às 19h11 UTC. O valor de magnitude é atribuído pelo USGS a Kanamori e Anderson (1975). [4] [1] [3]
- Fato estabelecido: O terremoto ocorreu às 15h11, hora local, de 22 de maio de 1960, um domingo. [3] [1]
Hora local na página da NOAA (Science On a Sphere); 'domingo' na Circular 1187 do USGS. - Estimativa: O tsunami atingiu a costa chilena com ondas de até cerca de 25 metros. [3]
Altura máxima relatada pela NOAA; a altura variou muito de um ponto a outro da costa. - Fato estabelecido: O tsunami chegou ao Havaí em cerca de 15 horas e ao Japão em cerca de 22 horas. [1] [3]
- Estimativa: O tsunami matou cerca de 140 pessoas no Japão. [1] [3]
A Circular 1187 do USGS dá 138 mortos; a NOAA (Science On a Sphere) dá 139. - Evidência forte: O terremoto ocorreu numa zona de subducção onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana; a borda da placa Sul-Americana deslizou até cerca de 18 m (60 pés) numa área de cerca de 1.000 km (600 milhas) de comprimento e mais de 160 km (100 milhas) de largura. [1]
Conversão de pés e milhas para metros e quilômetros feita pela redação. - Fato estabelecido: Na véspera do choque principal, uma sequência de tremores de até magnitude 8 ocorreu cerca de 160 km (100 milhas) ao norte. [1]
A Circular situa os tremores 100 milhas ao norte de Queule; conversão para km feita pela redação. - Estimativa: As estimativas de mortos no Chile variam de cerca de 490 a 5.700, conforme a fonte; cerca de 2 milhões de pessoas ficaram sem casa. [2] [1] [3]
NCEI/NOAA dá a faixa de 490 a 5.700; a Circular 1187 diz 'mais de 2.000'; a NOAA (Science On a Sphere) dá 2.000. - Fato estabelecido: No Havaí o tsunami matou 61 pessoas, em Hilo, apesar de alertas e sirenes horas antes da chegada das ondas. [1] [2]
- Fato estabelecido: Foi o primeiro tsunami registrado globalmente; marégrafos registraram as ondas também nos oceanos Atlântico e Índico. [2]
- Fato estabelecido: Em Hilo, as ondas chegaram a cerca de 10,7 m de altura. [3]
- Fato estabelecido: O relógio de Waiakea, subúrbio de Hilo, parou à 1h04 da madrugada, quando a maior onda atingiu a cidade, e ainda marca esse horário como monumento ao tsunami de 1960. [1]
- Evidência forte: Em Onagawa ninguém morreu, provavelmente porque muita gente subiu para áreas altas, alertada pelo bombeiro Kimura Kunio, que notou o movimento estranho da água no porto. [1]
A Circular diz 'provavelmente' ao atribuir a ausência de mortes à evacuação. - Fato estabelecido: Na região de Maullín, Quenuir e La Pasada, no Chile, pelo menos 122 pessoas morreram no tsunami. [1] [2]
- Evidência forte: O tsunami de 1960 foi o primeiro grande tsunami em Valdivia e Maullín desde 1575. [1]
- Fato estabelecido: Em 22 de maio de 1960, às 18h47 (hora do Havaí), foi emitido alerta oficial de que as ondas chegariam a Hilo por volta da meia-noite; as sirenes tocaram por volta das 20h30; a primeira onda, pequena, chegou pouco depois da meia-noite, e muitos voltaram à zona baixa achando que o perigo havia passado. [1]
- Fato estabelecido: O tsunami do Alasca/Aleutas de 1946 matou 98 pessoas só em Hilo. [1]
- Fato estabelecido: O Sistema de Alerta de Tsunamis do Pacífico foi criado em 1965, na esteira do tsunami de 1960. [2] [3]
Fontes
- U.S. Geological Survey — Surviving a Tsunami — Lessons from Chile, Hawaii, and Japan (Circular 1187)
consultada em 05/10/2026 - NOAA National Centers for Environmental Information — On This Day: 1960 Chilean Earthquake and Tsunami
consultada em 05/10/2026 - NOAA Science On a Sphere — Tsunami Historical Series: Chile - 1960
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey, Earthquake Hazards Program — 20 Largest Earthquakes in the World Since 1900
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +4 imagem(ns)
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