Zoologia

O urso-polar tem a pele preta e os pelos sem pigmento

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Por baixo da pelagem que parece branca, a pele do urso-polar é preta. Os pelos também não são brancos: cada fio de cobertura é um tubo transparente e oco, cheio de ar. O branco que vemos é luz espalhada dentro desses fios, o mesmo efeito que deixa a neve e o gelo brancos. O calor vem de outro lugar: um subpelo denso, pelos longos que o protegem da água e uma camada de gordura de 5 a 10 cm.

O isolamento funciona tão bem que, segundo o Zoológico de San Diego, o urso-polar às vezes esquenta demais e precisa se refrescar na água gelada. Para pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, o superaquecimento é um problema maior para ele do que a perda de calor. O território do animal é o gelo marinho, porque é ali que estão as focas, sua presa principal. A tática é esperar: o urso pode ficar horas imóvel junto ao buraco onde a foca sobe para respirar. Esse modo de vida custa caro. Um estudo de 2018 na Science, que acompanhou ursos no gelo marinho na primavera, mediu taxas metabólicas 1,6 vez maiores do que se supunha e encontrou déficit de energia em mais da metade dos animais. Os autores concluem que o gelo mais fragmentado, que obriga o urso a se deslocar mais, tende a aumentar esse gasto.

O mito dos pelos de fibra óptica

Em 1980, um artigo na Applied Optics propôs que os pelos ocos guiariam luz ultravioleta até a pele preta, como fibras ópticas. A ideia se espalhou. Em 1998, o físico Daniel Koon mediu nos pelos uma perda de 2 a 8 decibéis de luz visível por milímetro, alta demais para que a luz chegasse à pele. A hipótese foi descartada.

Um casaco em duas camadas

A pelagem do urso-polar tem duas partes. Por baixo, um subpelo denso. Por cima, pelos longos de cobertura, que se grudam quando molhados e mantêm o subpelo seco. Esses fios são tubos transparentes e ocos, cheios de ar. Não há pigmento branco: o núcleo oco espalha a luz visível em todas as direções, como fazem os cristais de gelo e a neve, e o pelo parece branco.

Pele preta e gordura

Por baixo de tudo está a pele preta. O Serviço de Parques dos EUA associa essa cor à absorção de calor, mas o isolamento que conta, segundo a Universidade Estadual de Ohio, vem da pelagem densa e da gordura, que pode ter de 5 a 10 cm, ou um pouco mais. O resultado é um corpo que perde pouco calor: o urso aquece com facilidade ao se esforçar e às vezes precisa entrar na água para se refrescar.

Como a fibra óptica caiu

Em 1980, Grojean e colegas sugeriram na Applied Optics que os pelos ocos conduziriam luz ultravioleta até a pele, como fibras ópticas. A hipótese circulou por anos antes de ser testada a fundo. Em 1998, Daniel Koon mediu diretamente quanta luz os pelos absorvem: de 2 a 8 decibéis por milímetro no visível. Com perda tão alta, a luz some em poucos milímetros. Ele reanalisou também dados de 1990 e listou quatro condições que qualquer versão do modelo teria de cumprir.

O gelo como território de caça

O urso-polar caça sobretudo focas, e as focas estão no gelo marinho. Em vez de persegui-las, ele espera imóvel junto ao buraco de respiração. Em 2018, pesquisadores do Serviço Geológico dos EUA e da Universidade da Califórnia em Santa Cruz mediram o gasto de energia de ursos no gelo na primavera: era 1,6 vez maior do que se supunha, e mais da metade dos animais estava em déficit. Quanto mais o urso se desloca, mais gasta.

Como sabemos

Pele preta, pelos transparentes e a refutação da fibra óptica estão em fontes de zoológico, universidade, governo e periódico; os números de gordura variam pouco entre as fontes e vêm como faixa.

Fontes

  1. San Diego Zoo Wildlife Alliance — Polar Bear
    consultada em 05/10/2026
  2. The Ohio State University — Polar Bears: Much More than a Polar Pin-Up (Beyond Penguins and Polar Bears)
    consultada em 05/10/2026
  3. U.S. National Park Service — Polar Bear — Bering Land Bridge National Preserve
    consultada em 05/10/2026
  4. Applied Optics, vol. 37, n. 15, p. 3198–3200 (1998) — Is polar bear hair fiber optic?
    consultada em 05/10/2026
  5. Science, vol. 359, p. 568–572 (2018); U.S. Geological Survey e Universidade da Califórnia em Santa Cruz — High-energy, high-fat lifestyle challenges an Arctic apex predator, the polar bear
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos