Física

Como se mostrou que tubarões reagem a campos elétricos de presas: eletrodos no lugar do peixe

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Sentidos dos animais

Para testar se tubarões e raias sentem o campo elétrico de uma presa, pesquisadores trocaram o animal por um par de eletrodos. Kalmijn relatou em 1982 respostas de alimentação a esses dipolos no mar, com gradientes de apenas 5 nV/cm. Testes posteriores repetiram o resultado com controles: dipolos inativos e cheiro afastado.

Tubarões, raias e arraias (elasmobrânquios) têm as ampolas de Lorenzini: câmaras sob a pele, cheias de gel, ligadas por um canal a um poro na superfície. Qualquer animal vivo na água gera um campo elétrico fraco, que se aproxima de um dipolo, com um polo positivo e outro negativo. Para provar que o tubarão usa isso, é preciso separar o campo elétrico dos outros sinais da presa: cheiro, imagem, som e movimento. A solução é montar uma presa só elétrica, com dois eletrodos, e comparar a reação com eletrodos desligados. O sinal é medido em nanovolts por centímetro (nV/cm), um bilionésimo de volt por centímetro.

Uma presa de dois fios

Num dos estudos, os dois eletrodos ficavam a 2 cm um do outro, distância parecida com a entre as brânquias de peixes ósseos. A presa de teste era só isso: um campo elétrico, sem corpo, sem cheiro e sem movimento.

Como se monta uma presa que só tem eletricidade

Nos testes de 2012, cada dipolo tinha dois eletrodos de prata a 2 cm de distância. Eles ficavam presos sob um tapete de borracha no fundo, para imitar presa enterrada, ou pendurados 20 a 30 cm acima do fundo, para imitar presa que nada. A corrente variava de dezenas de microampères. Um dipolo ficava ativo; os outros eram controles. Assim, mordidas no dipolo ativo não se explicam por visão ou cheiro.

Quão fraco é o sinal

Kalmijn relatou respostas com 5 nV/cm. No estudo de 2012, o campo mediano que iniciava uma resposta ficou entre 5,15 e 79,6 nV/cm, conforme a espécie. Esses autores citam respostas a distâncias de cerca de 40 cm. Os valores não são iguais porque as espécies, os tanques e os critérios de resposta diferem; o número de 1982 não deve ser lido como limiar de todos os tubarões.

O que o experimento não prova

Provar que o animal responde ao campo não prova que a eletricidade basta para o ataque. Em tubarões-lixa, tubarões-limão-negros e cabeças-de-martelo-bonnet, bloquear visão e linha lateral deixou o animal sem atacar, mesmo dentro do alcance elétrico. Os autores concluíram que esses tubarões precisam de pista visual ou de cheiro além da elétrica. As raias dos testes de dipolo, ao contrário, mordiam o dipolo.

Como sabemos

Resultados sustentados por fontes abertas, mas os experimentos originais de Kalmijn (1971) só foram lidos pelo resumo de 1982.

Fontes

  1. Science — Electric and magnetic field detection in elasmobranch fishes
    Kalmijn AJ · 1982 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.7134985
  2. Philosophical Transactions of the Royal Society B — Detection and processing of electromagnetic and near-field acoustic signals in elasmobranch fishes
    Kalmijn AD · 2000 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rstb.2000.0654
  3. PLoS ONE — Electric field detection in sawfish and shovelnose rays
    Wueringer BE, Squire L, Kajiura SM, Tibbetts IR, Hart NS, Collin SP · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0041605
  4. PLoS ONE — Electrosensitive spatial vectors in elasmobranch fishes: implications for source localization
    Rivera-Vicente AC, Sewell J, Tricas TC · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0016008
  5. PLoS ONE — Multisensory integration and behavioral plasticity in sharks from different ecological niches
    Gardiner JM, Atema J, Hueter RE, Motta PJ · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0093036
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 12; conferência de trechos automatizada)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos