Fenômenos naturais
Em 2004, um terremoto no fundo do mar perto de Sumatra lançou ondas que chegaram à Somália sete horas depois
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Na manhã de 26 de dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,1 rompeu o contato entre duas placas tectônicas sob o mar, a oeste de Sumatra. O fundo do oceano subiu vários metros de uma vez e empurrou para cima a água acima dele. Em mar profundo, um tsunami pode andar a mais de 800 km/h, como um avião a jato, com menos de 1 metro de altura. Perto da costa, ele freia e cresce. As ondas chegaram a Aceh em menos de 20 minutos e à Somália, do outro lado do oceano, sete horas depois.
Ali, a placa da Índia mergulha sob a microplaca de Burma, e o movimento entre as placas, de cerca de 60 mm por ano na região, acumulou tensão elástica durante séculos. Em 2004 essa tensão se soltou em minutos: a ruptura durou mais de 500 segundos, avançou para o norte por cerca de 1.300 km, numa faixa de uns 150 km de largura, e um lado da falha deslizou mais de 20 m sobre o outro. A velocidade de um tsunami depende da profundidade do mar, não da distância até a origem. No oceano aberto a onda é baixa e tem comprimento de centenas de quilômetros. Ao entrar em águas rasas, cai para cerca de 30 a 50 km/h, o comprimento encurta e a altura aumenta. Em Aceh, a água passou de 30 m de altura e avançou até 5 km terra adentro. Cerca de 230 mil pessoas morreram ou desapareceram.
A onda chegou ao Canadá
Marégrafos registraram o tsunami no Pacífico e no Atlântico. Em Halifax, no Canadá, ele chegou depois de percorrer mais de 24 mil km. Segundo modelo publicado na Science em 2005, as cordilheiras submarinas do sudoeste do Índico e do meio do Atlântico funcionaram como guias, canalizando a energia da onda até lá.
Uma falha de 1.300 km
A oeste de Sumatra, a placa da Índia mergulha sob a microplaca de Burma, na fossa de Sunda. Esse encontro, chamado de megaempurrão, ficou travado por séculos. Em 26 de dezembro de 2004 a falha deslizou de uma vez, por mais de 500 segundos. Para o USGS, foi o terceiro maior terremoto desde 1900, atrás do Chile (1960) e do Alasca (1964), e à frente do de Kamchatka (1952). Todos aconteceram em zonas de subducção e todos produziram tsunamis destrutivos.
Por que a onda é tão rápida
O que dá origem ao tsunami é o próprio fundo do mar, que se ergue de uma vez sob a água. A velocidade da onda depende da profundidade: no oceano aberto passa de 800 km/h, com crista a centenas de quilômetros da seguinte e menos de 1 m de altura. Quando o fundo fica raso, a onda desacelera para 30 a 50 km/h, o comprimento encurta, a altura aumenta e as correntes se intensificam. A NOAA lembra que a primeira onda pode não ser a maior nem a mais destrutiva.
Medida do espaço
Cerca de duas horas depois do terremoto, os satélites altimétricos Jason-1 e Topex/Poseidon cruzaram a baía de Bengala e registraram a frente da onda em mar aberto, com 50 a 70 cm de altura. Como a energia da onda é proporcional ao quadrado da altura em mar aberto, esses dados ajudaram a testar os modelos que reconstituíram a propagação pelo planeta.
Um oceano sem alarme
Em 2004, o Pacífico tinha sistema de alerta de tsunamis, mas o Índico não. Segundo a NOAA, o monitoramento ali era visto como desnecessário porque o último grande evento datava de 1883. Sem aviso, as ondas atingiram 17 países da Ásia e do leste e sul da África, mataram cerca de 230 mil pessoas e desalojaram 1,7 milhão. Depois do desastre, os países da região criaram centros nacionais de alerta de tsunami.
Como sabemos
Mecanismo, horários e propagação conferidos no USGS, em três páginas da NOAA e em artigo da Science (Titov et al., 2005); mortos, alturas máximas e comprimento da ruptura são estimativas que variam entre fontes.
Em debate: Os números do desastre variam entre fontes oficiais: a NOAA fala em cerca de 230 mil mortos ou desaparecidos e 1,7 milhão de desalojados; o resumo de impacto do USGS, em mais de 283 mil mortos e 14 mil desaparecidos. A magnitude também foi estimada em 9,0 a 9,3 nos primeiros estudos; o USGS adota 9,1.
- Fato estabelecido: O terremoto de 26 de dezembro de 2004 teve magnitude 9,1, começou às 00h58min53 UTC, a cerca de 30 km de profundidade, ao largo da costa oeste do norte de Sumatra. [1] [2]
Magnitude do USGS; o artigo de Titov et al. (2005) usa 9,3, estimativa da época. A hora local (07h58) foi calculada a partir do UTC pelo fuso de Sumatra (UTC+7). - Fato estabelecido: O terremoto resultou de falhamento de empurrão na interface entre a placa da Índia, que mergulha (subducção), e a microplaca de Burma; a falha liberou em minutos tensões elásticas acumuladas durante séculos; as placas convergem a cerca de 60 mm por ano na região. [1]
- Fato estabelecido: O fundo do mar sobre a falha foi soerguido em vários metros, o que causou o tsunami. [1] [4]
O USGS fala em 'vários metros'; Titov et al. citam deslocamentos verticais de até 10 m. - Estimativa: A ruptura durou mais de 500 segundos (cerca de 8 minutos), teve cerca de 150 km de largura e deslizamento máximo acima de 20 m, e se estendeu por cerca de 1.300 km. [1] [2] [4]
O comprimento varia entre fontes: cerca de 1.300 km (NOAA, Titov et al.), zona de réplicas de mais de 1.300 km e deslizamento significativo até cerca de 1.500 km ao norte do epicentro (USGS). - Consenso científico: Em mar profundo, um tsunami pode se mover tão rápido quanto um avião a jato, a mais de 500 mph (mais de 800 km/h), com comprimento de onda de centenas de milhas e altura que raramente passa de 3 pés (cerca de 1 m). [3]
- Consenso científico: Ao entrar em águas rasas, o tsunami desacelera para 20 a 30 mph (cerca de 30 a 50 km/h); o comprimento de onda diminui, a altura aumenta e as correntes se intensificam. [3]
- Fato estabelecido: A velocidade das ondas depende da profundidade do oceano, não da distância da origem; o tsunami de 2004 se espalhou pelo mundo em cerca de um dia. [5]
- Fato estabelecido: As ondas chegaram à Indonésia e às ilhas Andamã e Nicobar em menos de 20 minutos e à Somália cerca de sete horas depois, com ondas de 11 a 31 pés (cerca de 3 a 9 m). [2]
- Estimativa: Em Aceh, as ondas passaram de 30 m de altura e a inundação avançou até cerca de 5 km terra adentro. [2]
A NOAA (JetStream) cita ondas de até 51 m em Aceh; o USGS (centro PCMSC) cita alcance local de quase 32 m. O texto usa 'mais de 30 m', compatível com as duas. - Estimativa: Cerca de 230 mil pessoas morreram ou desapareceram. [2] [5]
NOAA: 227.899 mortos ou desaparecidos (JetStream) e cerca de 230 mil, 168 mil só na Indonésia (Science On a Sphere). O resumo de impacto do USGS traz número maior: mais de 283.100 mortos e 14.100 desaparecidos. - Fato estabelecido: Os satélites Jason-1 e Topex/Poseidon mediram cerca de 50 a 70 cm na frente da onda na baía de Bengala, cerca de 2 horas após o terremoto. [4]
- Fato estabelecido: O tsunami foi registrado em marégrafos do Pacífico e do Atlântico; em Callao, no Peru, a 19 mil km a leste do epicentro, e em Halifax, no Canadá, depois de percorrer mais de 24 mil km. [4] [1]
- Evidência forte: As dorsais do sudoeste do Índico e meso-atlântica funcionaram como guias de onda para a energia do tsunami chegar ao Atlântico. [4]
Conclusão baseada em modelo numérico comparado com registros de marégrafos (Titov et al., Science, 2005). - Consenso científico: É o terceiro maior terremoto do mundo desde 1900 e o maior desde o do Alasca, em 1964; os maiores do período (Kamchatka 1952, M 9,0; Chile 1960, M 9,5; Alasca 1964, M 9,2) também foram megaempurrões em zonas de subducção e produziram tsunamis destrutivos. [1] [2]
O resumo de impacto da mesma página do USGS diz 'quarto maior'; o resumo tectônico e a NOAA dizem 'terceiro'. - Fato estabelecido: Em 2004 não havia sistema oficial de alerta de tsunami no oceano Índico, embora houvesse um no Pacífico; o monitoramento era considerado desnecessário porque o último grande evento na região datava de 1883. Depois do desastre, foram criados centros nacionais de alerta na região. Cerca de 1,7 milhão de pessoas ficaram desalojadas, em 17 países da Ásia e da África. [2] [5]
O número de países varia: 17 na NOAA (JetStream), 10 no resumo de impacto do USGS, que também traz 1.126.900 desalojados. - Consenso científico: A primeira onda de um tsunami pode não ser a última, a maior nem a mais destrutiva. [3]
Fontes
- U.S. Geological Survey (USGS) — M 9.1 - 2004 Sumatra - Andaman Islands Earthquake (resumo tectônico e de impacto)
consultada em 05/10/2026 - NOAA National Weather Service — JetStream Max: 2004 Indian Ocean Tsunami
consultada em 05/10/2026 - NOAA Education — Tsunamis
consultada em 05/10/2026 - Science / NOAA Pacific Marine Environmental Laboratory — The Global Reach of the 26 December 2004 Sumatra Tsunami
consultada em 05/10/2026 - NOAA Science On a Sphere — Tsunami Wave Propagation: Indian Ocean - December 26, 2004
consultada em 05/10/2026
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