Evolução

Seleção estabilizadora, direcional e disruptiva: três jeitos de uma população ser moldada

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Evolução biológica

A seleção natural pode agir sobre uma característica de três modos. Na estabilizadora, os valores intermediários são favorecidos; na direcional, um extremo; na disruptiva, dois extremos superam o meio. Mede-se regredindo a aptidão contra o valor da característica: a inclinação indica seleção direcional, e a curvatura indica estabilizadora (negativa) ou disruptiva (positiva). O bico do pássaro africano Pyrenestes ostrinus é um exemplo de livro-texto de seleção disruptiva.

Uma característica quantitativa, como o tamanho do bico, varia entre indivíduos e forma uma distribuição: muitos valores perto da média, poucos nos extremos. Aptidão, aqui, é a contribuição de descendentes. A seleção age quando indivíduos com valores diferentes deixam números diferentes de descendentes. Desenhando a aptidão em função do valor da característica, obtém-se uma curva: um pico no meio (estabilizadora), uma rampa (direcional) ou um vale entre dois picos (disruptiva). Os modos não se excluem: a mesma população pode ter componentes de mais de um, e o modo pode variar de um local para outro. A média só muda de geração em geração se a característica tiver base hereditária.

Um locus para o tamanho do bico

Cruzamentos de pedigree indicaram que a diferença entre bicos pequenos e grandes do Pyrenestes depende de um único locus, com o alelo do bico grande dominante. Em 2018, um estudo apontou uma região de cerca de 300 kb, com o gene IGF1, associada a essa diferença.

Como se mede cada modo

Em campo, mede-se a característica e uma estimativa de aptidão em cada indivíduo e ajusta-se uma regressão da aptidão sobre a característica. Em girinos de sapo, um coeficiente linear significativo indicou seleção direcional; um quadrático positivo sugeriu seleção disruptiva e um negativo, estabilizadora. Como o sinal sozinho não basta, os autores ajustaram também curvas flexíveis para ver se havia máximo ou mínimo de aptidão dentro da faixa observada. Nos Pyrenestes, Smith (1990) usou um método paramétrico (Lande e Arnold, 1983) e um não paramétrico (Schluter, 1988).

O bico dos Pyrenestes ostrinus

Pyrenestes ostrinus come sementes nas florestas da África equatorial. O tamanho do bico não varia de forma contínua: há três classes, pequena, grande e mega, sem relação com sexo ou idade. Na estação seca, as classes dividem as sementes: a pequena prefere sedges de semente mole, e as maiores se especializam em sementes cada vez mais duras. A seleção disruptiva atua sobretudo na largura da mandíbula inferior, ligada ao desempenho em quebrar sementes de dureza diferente.

Genética e lacunas

Cruzamentos indicam que a diferença entre bico pequeno e grande vem de um único locus autossômico, com o alelo do bico grande dominante. Em 2018, o sequenciamento de 20 aves de bico pequeno, 20 de bico grande e 21 mega localizou uma região de cerca de 300 kb com o gene IGF1 e um haplótipo de cerca de 5 milhões de anos associado ao bico grande. É uma associação, não prova do papel do gene. A base genética da classe mega continua desconhecida.

Competição e os limites do caso

Em 15 populações de girinos, a disruptiva foi mais forte onde a competição era mais intensa, e a estabilizadora só apareceu com competição fraca. Se isso vale para os Pyrenestes, as fontes lidas não mostram. O estudo de campo de Smith (1990) também não é limpo: os padrões dependeram do método, a disruptiva apareceu na largura do bico pelo método não paramétrico e a direcional foi comum nos caracteres do bico. Os modos descrevem a forma local da aptidão, não um rótulo fixo da espécie.

Como sabemos

Definições e métodos conferidos em texto integral; o caso Pyrenestes se apoia em um artigo genômico lido na íntegra e em dois resumos, sem acesso aos artigos de 1987 e 1993.

Fontes

  1. BMC Evolutionary Biology — Widespread disruptive selection in the wild is associated with intense resource competition
    Martin, R. A.; Pfennig, D. W. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1186/1471-2148-12-136
  2. Nature Communications — Growth factor gene IGF1 is associated with bill size in the black-bellied seedcracker Pyrenestes ostrinus
    vonHoldt, B. M. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-018-07374-9
  3. Evolution — Natural selection on bill characters in the two bill morphs of the African finch Pyrenestes ostrinus
    Smith, T. B. · 1990 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/j.1558-5646.1990.tb03808.x
  4. Ecology and Evolution — Trade-off between fecundity and survival generates stabilizing selection on gall size
    Weaver, A. K.; Hood, G. R.; Foster, M.; Egan, S. P. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1002/ece3.6682
  5. Evolution & Development — Development of beak polymorphism in the African seedcracker, Pyrenestes ostrinus
    Clabaut, C.; Herrel, A.; Sanger, T. J.; Smith, T. B.; Abzhanov, A. · 2009 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/j.1525-142x.2009.00371.x
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 2; conferência de trechos automatizada)

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