Botânica

Como a trepadeira acha e agarra o suporte: gavinhas que enrolam ao toque e caules que giram à procura

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Plantas em ação

Trepadeiras usam dois recursos. Os caules giram devagar em círculos (circunutação) até esbarrar num suporte. As gavinhas, órgãos em forma de fio, começam a se enrolar a partir do ponto tocado; a espiral é atribuída à contração de fibras gelatinosas. Numa espécie testada, o enrolamento falha mais em suportes grossos. Não há cérebro: a resposta parece local e automática.

Trepadeiras precisam de apoio externo, em geral outras plantas, para subir e captar luz. Há três modos ativos de fixação: gavinhas (folhas ou ramos modificados em fios), caules volúveis, que se enrolam inteiros no suporte, e raízes adesivas. Circunutação é o movimento lento em círculo da ponta em crescimento, descrito por Darwin. Tigmotropismo é o crescimento ou a curvatura em resposta ao contato. Nas gavinhas, o toque dispara o enrolamento; nos caules volúveis, Darwin concluiu que não há essa irritabilidade, e o suporte é achado pela varredura da circunutação. O que se sabe vem de poucas espécies, estudadas sobretudo em laboratório e estufa.

O lúpulo que desiste

Numa observação relatada em revisão, o lúpulo (Humulus lupulus) parou de circunutar após 5 dias (37 revoluções) sem achar suporte. Em florestas tropicais, brotos-exploradores de algumas lianas que não acham apoio caem e são substituídos por outro broto.

Girar até esbarrar, ou enrolar ao contato

Os caules volúveis, como os da glória-da-manhã, exploram o espaço com a circunutação: a ponta descreve círculos que vão de poucos centímetros a mais de 1 m. Darwin concluiu que esses caules, ao contrário das gavinhas, não são irritáveis, ou seja, não dependem do toque para se mover. As gavinhas ficam esticadas até tocar algo; só então começam a se enrolar. Uma terceira via é crescer em direção ao escuro, associado a troncos, como fazem plântulas de Monstera tenuis.

Como sabemos: o enrolar observado quadro a quadro

Num experimento com Cayratia japonica, uma gavinha recebeu um suporte por 60 s e foi filmada; seguiu se enrolando depois de o suporte sair, até cerca de 25°. Com marcadores a cada 5 mm e três câmeras, o rastreio 3D deu espirais de cerca de 20,4 mm (haste de 1 mm) e 16,1 mm (haste de 40 mm). O autor lê que o enrolamento começa no ponto de contato e tem ângulo mínimo, o que explicaria por que suportes finos são agarrados e grossos, soltos. É interpretação baseada em uma espécie.

O que faz a espiral: fibras gelatinosas e água

Fibras gelatinosas são células de parede espessa que se contraem e criam tensão. Em microscopia, aparecem em gavinhas e caules volúveis e faltam em trepadeiras de raiz e em rastejantes. Em Passiflora caerulea, a força do enrolamento medida em quatro gavinhas foi de 6 a 140 mN e acompanhou a hidratação da planta. Os autores propõem duas fases: enrolamento livre com lignificação de um lado da gavinha, depois estabilização. Cada resultado vem de espécies diferentes.

Por que importa, e o que falta saber

Quem acha suporte tem mais aptidão, e quem fica rasteiro sofre mais com herbívoros. Dano nas folhas e o jasmonato aumentaram o enrolamento em algumas espécies, o que sugere ligação com defesa. Faltam estudos que expliquem, em nível celular, como o toque vira curvatura e por que o ângulo mínimo é fixo. O autor do estudo de Cayratia diz que o mecanismo fisiológico precisa ser investigado, e a revisão de Gianoli lembra que a ecologia dessas respostas é menos estudada que a mecânica.

Como sabemos

Os pontos centrais têm trechos em fonte aberta, mas dependem de poucas espécies, e o mecanismo celular do toque e do enrolamento é descrito como atribuído, não demonstrado.

Fontes

  1. AoB Plants — The behavioural ecology of climbing plants
    Gianoli, E. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/aobpla/plv013
  2. Scientific Reports — A study on diameter-dependent support selection of the tendrils of Cayratia japonica
    Saito, K. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-022-08314-w
  3. American Journal of Botany — Gelatinous fibers are widespread in coiling tendrils and twining vines
    Bowling, A. J.; Vaughn, K. C. · 2009 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3732/ajb.0800373
  4. Advanced Science — Force Generation in the Coiling Tendrils of Passiflora caerulea
    Klimm, F.; Speck, T.; Thielen, M. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1002/advs.202301496
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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