Zoologia

A toupeira-de-nariz-estrelado explora com 22 raios e uma fóvea tátil, e pode achar e comer uma presa em 120 ms

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Sentidos dos animais

O nariz da toupeira-de-nariz-estrelado (Condylura cristata) tem 22 apêndices cobertos por cerca de 25 mil órgãos de Eimer, estruturas sensíveis ao toque. Os dois do centro, os de número 11, funcionam como uma fóvea tátil: ela os usa para examinar de perto o que os outros apêndices detectaram. Em registros de vídeo, achar e comer uma presa pequena levou a partir de 120 ms.

Fóvea é a região da retina com maior resolução: movemos os olhos para olhar de frente o que queremos ver em detalhe, e o resto da cena fica em baixa definição. A toupeira-de-nariz-estrelado vive em áreas úmidas e tem olhos pequenos; quem explora o ambiente é o focinho. Cada apêndice da estrela (chamado raio) é coberto por milhares de pequenas cúpulas de pele, os órgãos de Eimer, que existem em quase todas as espécies de toupeira e, nessa espécie, ocupam toda a estrela. O que sustenta o relato são vídeos de alta velocidade, registros elétricos de nervos e neurônios e a anatomia do cérebro, e não apenas observação a olho nu.

Parece nariz, mas não é para cheirar

As narinas ficam no centro da estrela, mas os órgãos de Eimer são mecanorreceptores: respondem à deformação da pele, não a moléculas de cheiro. O olfato da espécie é outro assunto, fora deste artigo.

Como o nariz "lê" uma forma

Cada órgão de Eimer é uma cúpula de pele com uma coluna de terminações nervosas livres no centro, receptores de toque logo abaixo e um anel de fibras mais finas. Registros nos nervos de outra toupeira (a toupeira-da-costa) mostraram que muitas unidades respondem conforme a direção em que a cúpula é deslocada. A hipótese de Catania é que, somando as respostas de milhares de órgãos, o cérebro distingue formas e texturas. Nesse modelo, os órgãos são comprimidos pelo objeto, não deslizados sobre ele.

Como sabemos: vídeo, nervos e cérebro

A fóvea tátil foi descrita combinando três métodos. O vídeo de alta velocidade registra a sequência de toques e mostra o 11º apêndice sendo levado ao alimento em centenas de ensaios. Registros elétricos de nervos e de neurônios medem quais pontos da pele ativam cada célula e em quanto tempo. A anatomia do cérebro mostra quanto espaço cada apêndice ocupa. Limites: os testes usam animais em laboratório, e parte dos registros nervosos vem de outra espécie de toupeira.

Por que o 11º apêndice ocupa tanto espaço no córtex

O 11º apêndice recebe 11% das fibras da estrela, ocupa 14% do mapa no tronco encefálico e 25% no córtex somatossensorial primário. Ele tem menos órgãos de Eimer (em média 870) que a maioria dos outros, mas é o mais usado. É uma ampliação do mapa cerebral parecida com a da fóvea da retina no córtex visual: região pequena na pele, grande no cérebro. Quanto maior a área cortical, mais neurônios disponíveis para analisar o que aquele ponto toca.

O que 120 ms realmente mede

O valor de 120 ms é o tempo de manuseio da presa: do primeiro contato, passando pelo toque no 11º apêndice, até a boca e o recomeço da busca. Inclui a ingestão, portanto não é só o tempo de reconhecimento. A média é de 227 ms. A explicação evolutiva (a estrela como adaptação à caça de presas pequenas em áreas úmidas) é uma hipótese a partir de um modelo de forrageio ótimo, e não foi testada diretamente.

Como sabemos

Números e comportamento vêm de duas revisões e de um artigo original do grupo de Catania, lidos integralmente; a origem evolutiva da estrela aparece como hipótese.

Fontes

  1. Philosophical Transactions of the Royal Society B — The sense of touch in the star-nosed mole: from mechanoreceptors to the brain
    Catania, K. C. · 2011 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rstb.2011.0128
  2. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Evolution of brains and behavior for optimal foraging: a tale of two predators
    Catania, K. C. · 2012 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. PLoS ONE — A star in the brainstem reveals the first step of cortical magnification
    Catania, K. C.; Leitch, D. B.; Gauthier, D. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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