Ecologia

A torre de 325 metros que mede o que a Amazônia emite e absorve de gases e partículas

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Uma torre de 325 m no meio da floresta, a cerca de 150 km de Manaus, coleta ar e mede gases como CO2 e metano, além de aerossóis. Como o ar do topo vem de centenas de quilômetros, a torre dá um retrato regional, que torres baixas não dão. Ela mede concentrações no ar, não pesa o carbono da floresta: o saldo ainda depende de modelos e tem incertezas.

O ATTO (Amazon Tall Tower Observatory) é um projeto de pesquisadores do Brasil e da Alemanha. Antes da torre de 325 m, o ar foi medido em torres de 80 m, e o artigo-base de 2015 descreve essas medidas-piloto. Uma torre mede concentração: quanto CO2, metano ou partícula há em cada altura. O fluxo (o que a floresta emite ou absorve) é inferido de mudanças nessas concentrações, da turbulência e de modelos. Aerossóis são partículas sólidas ou líquidas suspensas no ar, como poeira, fumaça e partículas de origem vegetal. Compostos orgânicos voláteis (VOC) são gases que as plantas emitem, como o isopreno.

Ar limpo e ar poluído, na mesma torre

Em semanas de exemplo de 2014, o ATTO contou cerca de 282 partículas por cm³ na estação úmida e 1.398 na seca, uma razão de 5 vezes (cálculo nosso, a partir do artigo).

Por que tão alta

Uma torre de fluxo comum, de algumas dezenas de metros, enxerga poucos quilômetros ao redor. No topo de uma torre alta, o ar vem de uma área de ordem de 1.000 km, segundo os autores do artigo-base. Medir continuamente em várias alturas também dá o que aviões, que captam momentos, não dão.

Concentração não é fluxo

A torre mede quanto de cada gás há no ar em cada altura. O saldo de carbono da floresta é o fluxo, e vem de turbulência, da hora do dia e de modelos. Estimativas locais de fluxo deram de um sumidouro de 8 t ha-1 a-1 a uma fonte de 1,4 t ha-1 a-1, e a noite e o terreno acidentado atrapalham.

Estações: ar limpo, ar de queimada, ar do Saara

Na estação úmida o aerossol é escasso e de origem biogênica. Na seca, ventos de leste e sudeste trazem poluição de queimadas e cidades. Episódios de sal marinho, poeira do Saara e fumaça africana também chegam. Isso permite separar o sinal da floresta do que vem de longe.

O que ainda é incerto

Os autores de 2015 dizem que a formação dos aerossóis biogênicos continua enigmática. Num estudo de 2020, picos noturnos de metano acima da copa foram associados ao rio Uatumã e a árvores mortas de floresta alagada, uma hipótese que ainda pede confirmação.

Como sabemos

Método e resultados de 2015 conferidos no texto do artigo; resultados da torre de 325 m e o estado atual não foram revisados.

Fontes

  1. Atmospheric Chemistry and Physics — The Amazon Tall Tower Observatory (ATTO): overview of pilot measurements on ecosystem ecology, meteorology, trace gases, and aerosols
    Andreae, M. O. et al. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.5194/acp-15-10723-2015
  2. ATTO - Amazon Tall Tower Observatory — Frequently Asked Questions (FAQs)
    Projeto ATTO · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. ATTO - Amazon Tall Tower Observatory — ATTO Basics (About ATTO)
    Projeto ATTO · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Atmospheric Chemistry and Physics — Understanding nighttime methane signals at the Amazon Tall Tower Observatory (ATTO)
    Botía, S. et al. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.5194/acp-20-6583-2020
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 1; conferência de trechos automatizada)

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