Fenômenos naturais

Os tornados mais fortes têm ventos acima de 300 km/h, e a maioria dos violentos nasce de uma supercélula

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Na escala usada nos Estados Unidos desde 2007, um tornado EF5 tem rajadas estimadas acima de 322 km/h. Um radar Doppler móvel mediu cerca de 486 km/h dentro do tornado de Bridge Creek–Moore, em Oklahoma, em 1999. Os tornados mais destrutivos nascem quase sempre de supercélulas, tempestades que giram por inteiro. Mesmo assim, a maioria das supercélulas nunca forma um tornado, e os meteorologistas ainda não sabem dizer exatamente por quê.

Uma supercélula precisa de ar quente e úmido, instabilidade, algo que empurre o ar para cima e cisalhamento do vento, isto é, vento que muda de velocidade ou de direção com a altura. O cisalhamento faz o ar rolar como um tubo deitado; a corrente ascendente da tempestade inclina esse tubo até a vertical. Nasce o mesociclone, um giro de 3 a 10 km de diâmetro que o radar detecta. Só uma parte das supercélulas, em alguns casos apenas 20%, produz tornado. Os Estados Unidos registram cerca de 1.200 por ano, mais que qualquer outro país. Mas há tornados em todos os continentes habitados, e uma das áreas secundárias mais ativas do mundo fica no sul do Brasil, no norte da Argentina e arredores.

A escala que ia até a velocidade do som

A escala original de Theodore Fujita foi montada por interpolação entre a força de furacão da escala Beaufort e a velocidade do som (Mach 1, cerca de 1.190 km/h). No papel, ela ia até F12. Na prática, só se usou de F0 a F5, e a escala melhorada também termina no EF5: não existe EF6, por mais forte que seja o vento.

Como nasce o giro

O ingrediente que separa uma supercélula de uma tempestade comum é o cisalhamento: perto do chão o vento é freado pelo atrito e sopra fraco de uma direção; a 1,5 km de altura pode soprar mais forte e de outra. Entre as duas camadas, o ar rola como um tubo deitado. Quando a corrente ascendente da tempestade passa por ali, ergue o tubo e o põe em pé. Surge o mesociclone. O tornado, quando vem, é bem menor que esse giro e, segundo medições com radar móvel, se forma de baixo para cima, a partir do chão.

O que ainda não se sabe

Só uma parte das supercélulas gera tornado; o NSSL fala em até apenas 20%. Por que uma gera e a vizinha não, ninguém sabe dizer com segurança. Os projetos de campo VORTEX ligaram a formação a contrastes de temperatura no ar frio que desce e envolve o mesociclone, mas modelos de computador produzem tornados sem esse contraste. Nem todo tornado vem de supercélula: cerca de 20% nos EUA nascem em linhas de tempestades, e costumam ser mais fracos e mais breves.

Medir pelo estrago

Quase nenhum instrumento sobrevive a um tornado forte, por isso a intensidade é estimada pelos danos. A escala de Theodore Fujita foi substituída nos EUA em 2007 pela escala melhorada, feita com engenheiros: 28 indicadores, de celeiros a arranha-céus e árvores, cada um com 8 graus de dano. EF0 vai de 105 a 137 km/h, EF3 de 219 a 266 km/h e EF4 de 267 a 322 km/h; EF5 fica acima disso. São rajadas de 3 segundos estimadas, não medidas, e o topo da escala é o EF5.

Do Tornado Alley ao sul do Brasil

Os EUA têm cerca de 1.200 tornados por ano. O Tornado Alley é um apelido, não uma região definida, e o risco migra ao longo do ano do Sudeste para as Grandes Planícies. Na América do Sul, o padrão lembra o norte-americano: a leste dos Andes, um jato de vento em baixa altitude traz ar quente e úmido da Amazônia, e cavados que cruzam a cordilheira aumentam o cisalhamento. O sul do Brasil e o norte da Argentina estão entre as áreas secundárias mais ativas do mundo, mas o Brasil não tem registro oficial de tornados.

Como sabemos

Escala EF, formação, ingredientes e climatologia conferidos no SPC, no NSSL e no JetStream (NOAA); a parte sul-americana se apoia em dois artigos revisados por pares da American Meteorological Society.

Em debate: Como exatamente um tornado se forma dentro de uma supercélula ainda é debatido. Resultados dos projetos VORTEX ligam a formação a diferenças de temperatura na borda da corrente descendente que envolve o mesociclone, mas modelos numéricos mostram que pode haver tornado sem esse contraste, e tornados muito destrutivos de 3 de maio de 1999 ocorreram com pouca variação de temperatura por perto (SPC/NOAA).

Em debate: Fora dos Estados Unidos, a frequência de tornados é incerta: a maior parte dos países não tem registro sistemático, e o mapa das regiões mais ativas mistura relatos com inferência estatística a partir de condições atmosféricas favoráveis.

Fontes

  1. NOAA/NWS Storm Prediction Center — The Online Tornado FAQ
    consultada em 05/10/2026
  2. NOAA/NWS Storm Prediction Center — Enhanced F Scale for Tornado Damage
    consultada em 05/10/2026
  3. NOAA National Severe Storms Laboratory — Severe Weather 101: Tornado Basics
    consultada em 05/10/2026
  4. NOAA National Severe Storms Laboratory — Severe Weather 101: Tornado Types
    consultada em 05/10/2026
  5. NOAA National Weather Service — Thunderstorm Hazards: Tornadoes (JetStream)
    consultada em 05/10/2026
  6. American Meteorological Society / Colorado State University — Tornadoes in Southeast South America: Mesoscale to Planetary-Scale Environments (Monthly Weather Review, 152, 2024)
    consultada em 05/10/2026
  7. American Meteorological Society — An Increase in the Number of Tornado Reports in Brazil (Weather, Climate, and Society, 3, 2011)
    consultada em 05/10/2026
  8. NOAA National Severe Storms Laboratory — Severe Weather 101: Tornado FAQ
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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