Paleontologia

Peirópolis, em Uberaba (MG): o que os titanossauros do fim do Cretáceo contam e como a lista de espécies mudou

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Fósseis

Peirópolis, distrito de Uberaba (MG), guarda restos de titanossauros, dinossauros herbívoros de pescoço longo, do fim do Cretáceo, preservados em arenitos da Formação Marília. Os fósseis são esqueletos parciais, de vários indivíduos e espécies, e mostram um ambiente quente, seco e sazonal. Em 2022 uma revisão reduziu a lista: Trigonosaurus pricei passou a ser tratado como sinônimo de Baurutitan britoi.

Titanossauros são sauropodes, os dinossauros herbívoros de pescoço e cauda longos, do Cretáceo. Na Bacia Bauru, que cobre partes de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás, os sauropodes conhecidos são todos titanossauros. Em Uberaba, as rochas fossilíferas pertencem à Formação Marília, nome usado em 2008; artigos recentes chamam a mesma unidade de Formação Serra da Galga, e o mesmo termo aparece como membro da Marília. São arenitos e conglomerados depositados por rios entrelaçados e lagoas temporárias, e a idade é maastrichtiana, o último andar do Cretáceo. Os fósseis de Peirópolis vêm de pedreiras escavadas desde os anos 1940, e a maioria é de ossos isolados ou de séries de vértebras, não de esqueletos inteiros.

A coleção de Price não está em Peirópolis

Segundo o museu da UFTM, todo o material que Llewellyn Price coletou em Uberaba está hoje no Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro. O acervo de Peirópolis veio depois, das escavações a partir dos anos 1990.

O que Price escavou e onde está

Os primeiros fósseis apareceram em 1945, em obras de ferrovia. Llewellyn Ivor Price escavou a pedreira Caieira, em Peirópolis, que chamou de Ponto 1, e dali saíram séries de vértebras conhecidas como Séries A, B e C. Segundo o museu da UFTM, esse material está no Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro. O Centro Price e o Museu dos Dinossauros, criados a partir de 1991, deram continuidade às escavações em Peirópolis e hoje fazem parte da UFTM.

As espécies e por que a lista mudou

Em 2005 a Série C virou o holótipo de Baurutitan britoi e a Série B, o de Trigonosaurus pricei. Em 2008 foi descrito Uberabatitan ribeiroi, de outro sítio, a cerca de 40 km. Em 2022, ao descrever ossos da pedreira Rodovia, outro grupo concluiu que T. pricei é sinônimo de B. britoi e que a série caudal MCT 1719-R pertence a uma espécie nova, Caieiria allocaudata. Os nomes são hipóteses taxonômicas que mudam quando surgem ossos novos ou comparações melhores.

Como sabemos a idade e o ambiente

A idade maastrichtiana dos depósitos da Formação Marília foi estimada com microfósseis, como carófitas (algas) e ostracodes (crustáceos pequenos). O ambiente vem das rochas: arenitos e conglomerados de rios entrelaçados e lagoas temporárias, com carbonatos que indicam estações secas, sob clima quente e seco ou semiárido. Os ossos desarticulados e de vários indivíduos foram lidos como mortalidade em massa em época de seca, uma interpretação. Cada passo é uma inferência indireta, e não uma observação do que ocorreu.

O que ainda está em aberto

Em 2008 não havia consenso sobre onde os titanossauros de Uberaba se encaixam na árvore evolutiva do grupo, e os próprios autores diziam que as análises tinham ignorado os brasileiros. Quase todos os esqueletos são parciais: peso, tamanho e hábitos vêm de comparação com formas mais completas. O museu da UFTM cita mais de 26 m de comprimento para o Uberabatitan, número que não foi encontrado no artigo de 2008 lido e que deve ser tratado como estimativa institucional.

Como sabemos

Os fatos de geologia, história e taxonomia vêm de dois artigos revisados e do museu da UFTM; o quadro taxonômico é de 2022 e pode mudar, e o tamanho do Uberabatitan não foi confirmado em artigo.

Em debate: Nomes criados em 2005 foram unificados e um novo foi criado em 2022; o número de espécies válidas depende de revisões, e o lugar de cada uma na árvore dos titanossauros era incerto em 2008.

Fontes

  1. Palaeontology (Palaeontological Association) — Uberabatitan ribeiroi, a new titanosaur from the Marília Formation (Bauru Group, Upper Cretaceous), Minas Gerais, Brazil
    Salgado, L.; Carvalho, I. S. · 2008 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1111/j.1475-4983.2008.00781.x
  2. PeerJ — New specimens of Baurutitan britoi and a taxonomic reassessment of the titanosaur dinosaur fauna (Sauropoda) from the Serra da Galga Formation (Late Cretaceous) of Brazil
    Silva Junior, J. C. G.; Martinelli, A. G.; Marinho, T. S.; da Silva, J. I.; Langer, M. C. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.7717/peerj.14333
  3. Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Complexo Cultural e Científico de Peirópolis — Museu dos Dinossauros (Histórico, Pesquisa, Ensino, Fósseis, Extensão e Geoturismo)
    Universidade Federal do Triângulo Mineiro · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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