Geografia
Os tepuis, como o Roraima, são feitos de arenito de cerca de 1,8 bilhão de anos, e um quarto de suas plantas é endêmico
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Os tepuis são cerca de 60 montanhas de topo plano, feitas de arenito, na região das Guianas. O Monte Roraima, onde se encontram as fronteiras de Brasil, Venezuela e Guiana, é um deles. As rochas do Supergrupo Roraima foram depositadas entre cerca de 1,95 e 1,78 bilhão de anos atrás. Nos topos isolados, catalogaram-se 2.433 espécies de plantas vasculares, das quais cerca de 25% só existem nessa província biogeográfica, chamada Pantepui.
Os topos dos tepuis somam cerca de 6.000 km² e ficam entre 1.500 e 3.014 m de altitude. Por serem separados das terras baixas por paredões, funcionam como um arquipélago de ilhas suspensas, com níveis de endemismo semelhantes aos de ilhas oceânicas. O Roraima, na cordilheira Pacaraima, tem cerca de 14 km de comprimento, é o ponto mais alto da Guiana e alimenta rios das bacias do Amazonas e do Orinoco. O topo tem 34,38 km², e sua altitude máxima aparece como 2.723 m numa fonte científica e 2.772 m na Britannica. Os povos indígenas da região chamam essas montanhas de tepuis e consideram seus topos moradas de deuses. Os tepuis são o 'Mundo Perdido' do romance de Arthur Conan Doyle, de 1912, segundo Rull e Vegas-Vilarrúbia.
Uma flora ameaçada por um clima mais quente
Simulações publicadas em 2017 projetam que cerca de 80% das espécies de plantas dos tepuis podem perder habitat até o fim do século com o aquecimento global, incluindo quase metade das endêmicas. Os autores dizem que as estimativas são preliminares, porque supõem que as plantas só reagem migrando para cima.
Rochas do Paleoproterozoico
As rochas dos tepuis pertencem ao Supergrupo Roraima, um conjunto de arenitos e outras rochas sedimentares depositado durante o Orosiriano, entre cerca de 1,95 e 1,78 bilhão de anos atrás. Zircões de tufos no supergrupo dão 1873 ± 3 milhões de anos, e soleiras que o cortam dão pelo menos 1782 ± 3 milhões de anos. O Bloco Sedimentar Pacaraima ocupa cerca de 73.000 km² na Venezuela, no Brasil e na Guiana.
Um arquipélago no ar
Os topos dos cerca de 60 tepuis somam por volta de 6.000 km². Sem agricultura, pecuária, mineração ou exploração florestal viáveis lá em cima, e quase sem acesso a pé, os topos permanecem muito preservados. O acesso costuma ser de helicóptero, e quase não há infraestrutura turística, segundo Rull e Vegas-Vilarrúbia. As paredes isolam os topos das terras baixas, como as águas isolam as ilhas.
Endemismo comparável ao de ilhas
O banco de dados florístico disponível reúne 2.433 espécies de plantas vasculares nos tepuis, das quais 618 (cerca de 25%) são endêmicas de Pantepui. Os autores consideram esses números extraordinários para a escala global, ainda mais porque muitos topos seguem pouco explorados. O endemismo é comparável ao de ilhas oceânicas.
Proteção e ameaças
As Terras Altas das Guianas são protegidas por parques nacionais, uma reserva da biosfera e um sítio do Patrimônio Mundial, e os tepuis foram declarados monumento natural em 1990. Mesmo assim, simulações projetam que o aquecimento global poderia causar perda de habitat para cerca de 80% das plantas até o fim do século. Os autores destacam que a estimativa é preliminar e depende de a migração ser uniforme para cima.
Como sabemos
Idades e características dos tepuis estão em artigos de geocronologia e de biogeografia revisados por pares; números de espécies e altitudes variam um pouco entre fontes.
Em debate: A altitude do topo do Roraima varia entre fontes (2.723 m em Huber, 1995; 2.772 m na Britannica). Os números de espécies e de endêmicas dependem de coletas, e muitos topos de tepuis seguem pouco explorados.
Em debate: A estimativa de extinção de cerca de 80% das espécies até 2100 é uma projeção preliminar, baseada em simulações que supõem que todas as plantas migrem para cima no mesmo ritmo.
- Fato estabelecido: Os tepuis são os topos planos de cerca de 60 montanhas de arenito na região da Guayana, cujas características bióticas únicas definem a província biogeográfica de Pantepui. [3]
- Estimativa: Os topos somam cerca de 6.000 km² e variam de 1.500 a 3.014 m de altitude. [3]
Áreas e altitudes vêm de levantamentos de Huber (1995) citados no artigo. - Estimativa: Uma base de dados florísticos reúne 2.433 espécies de plantas vasculares nos tepuis, das quais 618 (cerca de 25%) são endêmicas de Pantepui. [3]
Contagem de Safont et al. (2012); muitos topos permanecem pouco explorados e os números mudam com novas coletas. - Fato estabelecido: O Monte Roraima fica na cordilheira Pacaraima, nas Terras Altas das Guianas, no ponto em que se encontram as fronteiras de Brasil, Venezuela e Guiana; tem cerca de 14 km de comprimento, é o ponto mais alto da Guiana e fonte de rios do Amazonas e do Orinoco. [4]
- Estimativa: O topo do Roraima tem 34,38 km² e altitude máxima de 2.723 m, segundo Huber (1995); a Britannica dá 2.772 m. [3] [4]
As fontes divergem em cerca de 50 m; o post usa 'cerca de 2.700 a 2.800 m' onde necessário. - Evidência forte: O Supergrupo Roraima foi depositado durante o Orosiriano, com idades máxima e mínima de 1,95 e 1,78 bilhão de anos. [1]
- Fato estabelecido: O Bloco Sedimentar Pacaraima cobre cerca de 73.000 km² do Escudo das Guianas, em partes da Venezuela, do Brasil e da Guiana. [1]
- Evidência forte: Zircões de tufos dentro do supergrupo deram idade de 1873 ± 3 milhões de anos, e soleiras máficas dão idade mínima de 1782 ± 3 milhões de anos. [2]
- Fato estabelecido: Os povos indígenas da região chamam essas montanhas de 'tepuis' e consideram os topos a morada de deuses, de onde os humanos são proibidos. [3]
- Fato estabelecido: Os tepuis são protegidos por parques nacionais, uma reserva da biosfera e um sítio do Patrimônio Mundial, e foram declarados monumento natural em 1990. [3]
- Hipótese: Simulações em SIG projetam perda potencial de habitat de cerca de 80% das espécies de plantas até o fim do século por aquecimento global, incluindo quase metade das endêmicas. [3]
Projeção preliminar; os próprios autores dizem que supor migração uniforme para cima é improvável. - Fato estabelecido: As Terras Altas das Guianas são o 'Mundo Perdido' do romance de Arthur Conan Doyle (1912), segundo Rull e Vegas-Vilarrúbia. [3]
Referência feita no artigo; a ligação da obra com os tepuis é uma associação cultural, não geológica.
Fontes
- Brazilian Journal of Geology — Stratigraphy of the Roraima Supergroup along the Brazil-Guyana border in the Guiana shield, Northern Amazonian Craton
consultada em 04/10/2026 - Geological Society of America Bulletin — Age, source, and regional stratigraphy of the Roraima Supergroup and Roraima-like outliers in northern South America based on U-Pb geochronology
consultada em 04/10/2026 - Frontiers in Plant Science — Potential responses of vascular plants from the pristine 'Lost World' of the Neotropical Guayana Highlands to global warming: review and new perspectives
consultada em 04/10/2026 - Encyclopaedia Britannica — Mount Roraima
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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