Civilizações antigas
Teotihuacan: a maior cidade das Américas antigas, e quem a construiu segue em debate
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Teotihuacan, a cerca de 43 km a nordeste da Cidade do México, foi a maior cidade das Américas antigas. Por volta de 400 d.C. ocupava cerca de 21 km² e tinha, estima-se, entre 125 mil e 200 mil habitantes. Os astecas, que deram à cidade o nome atual séculos depois da queda, já não sabiam quem a construíra. Estudos recentes a descrevem como uma cidade multiétnica, com bairros de migrantes de Oaxaca e do litoral do Golfo.
A cidade existiu entre cerca de 100 a.C. e 800 d.C. Seus grandes monumentos foram erguidos por volta de 100–250 d.C.: as pirâmides do Sol, da Lua e da Serpente Emplumada, ao longo de uma avenida de 2,4 km, a Calçada dos Mortos. Entre 250 e 550 d.C. surgiram os conjuntos residenciais coletivos, os chamados conjuntos de apartamentos. Teotihuacan teve contato com capitais maias, como Tikal e Copán, e com os zapotecas de Monte Albán. Por volta de 550, os monumentos do centro foram queimados por pessoas não identificadas, e depois de 600 a população caiu muito. A origem dos fundadores segue incerta.
Uma cidade cujo nome vem de quem já não a conhecia
Para os astecas, as ruínas monumentais eram a Cidade dos Deuses, segundo a Universidade Estadual do Arizona. O nome Teotihuacan é deles e foi dado séculos depois do declínio da cidade, quando já não se sabia quem a construíra.
Uma grade urbana única
Segundo o Museu Metropolitano, Teotihuacan é uma grade urbana complexa, com monumentos públicos e conjuntos residenciais coletivos, única na Mesoamérica pela escala e pela organização. A Calçada dos Mortos, de 1,5 milha, orienta a cidade 15,5 graus a leste do norte verdadeiro, e dela saem ruas em grade. Arqueoastrônomos veem no posicionamento de edifícios importantes alinhamentos com o Sol e com Vênus, em datas relevantes para o calendário religioso e agrícola.
As pirâmides
As pirâmides do Sol e da Lua ecoam a forma das montanhas ao redor do vale. A do Sol, concluída por volta de 200 d.C., tinha cerca de 63 m de altura e 215 m de lado, uma das maiores estruturas das Américas antigas, e sua aparência atual vem de uma reconstrução do início do século XX. Em 1971 foi achada sob ela uma caverna em forma de túnel, com câmaras em trevo, onde parece ter havido rituais de fogo e água. Sob as pirâmides há estruturas mais antigas.
Uma cidade de muitas origens
A arqueóloga Linda Manzanilla, do México, defende que Teotihuacan nasceu multiétnica e que grupos de outras regiões, sobretudo de Oaxaca e do Golfo, se fixaram em bairros da periferia. Enterros, cerâmica importada e isótopos de restos humanos, inclusive de sacrificados em oferendas das pirâmides, apontam estrangeiros. Para ela, parte do povoamento inicial veio de populações deslocadas por erupções vulcânicas. Esse quadro é interpretação de pesquisa, e a origem dos fundadores e sua língua continuam incertas.
O incêndio e o declínio
Por volta de 550 d.C., os monumentos centrais foram queimados por pessoas não identificadas. Depois de 600 a população caiu muito, e de 600 a 800 a cidade provavelmente tinha 30 mil habitantes ou menos. Manzanilla sugere que a competição entre bairros e a estrutura multiétnica geraram tensões que podem ter levado a uma revolta que queimou o centro. É uma hipótese, não um consenso. O Museu Metropolitano diz que o legado da cidade ecoou por toda a Mesoamérica por pelo menos mil anos.
Como sabemos
Cronologia e monumentos estão bem documentados (Museu Metropolitano); população, planejamento, composição étnica e fim da cidade são estimativas ou hipóteses apresentadas como tais.
Em debate: Quem construiu Teotihuacan: os astecas, que viram a cidade em ruínas, já não sabiam, e não há texto da própria cidade que resolva. Estudos como o de Linda Manzanilla veem uma sociedade multiétnica desde as origens, mas a identidade dos grupos fundadores segue incerta.
Em debate: Planejamento: alguns estudiosos defendem que os monumentos seguiram um plano mestre; outros, que foram construídos sem plano, mas seguindo princípios orientadores.
Em debate: O fim: o centro foi queimado por volta de 550 d.C. por quem não se sabe; uma hipótese é revolta interna ligada às tensões entre bairros, mas não há consenso.
- Fato estabelecido: Teotihuacan (cerca de 100 a.C.–800 d.C.) fica a cerca de 27 milhas (43 km) a nordeste da Cidade do México e foi a maior cidade das Américas antigas. [1]
- Estimativa: Por volta de 400 d.C., a cidade cobria cerca de 8 milhas quadradas (cerca de 21 km²) e tinha população estimada em 125 mil a 200 mil habitantes. [1]
A população é estimativa do Museu Metropolitano a partir de dados arqueológicos; não há censo. - Evidência forte: A arquitetura monumental foi construída por volta de 100–250 d.C.; os conjuntos residenciais coletivos (apartamentos) surgiram entre cerca de 250 e 550 d.C. [1]
- Fato estabelecido: Três grandes plataformas de templo, as pirâmides do Sol, da Lua e da Serpente Emplumada, ficam ao longo de uma calçada norte-sul de 1,5 milha (cerca de 2,4 km), conhecida como Calçada dos Mortos, com cerca de 130 pés (40 m) de largura em média. [1]
- Fato estabelecido: A Pirâmide do Sol, concluída por volta de 200 d.C., tinha cerca de 63 m de altura e 215 m de lado; sua aparência atual resulta de reconstrução do início do século XX. [2]
- Evidência forte: A Pirâmide da Lua foi provavelmente concluída por volta de 250 d.C.; escavações recentes acharam junto à escadaria o túmulo de um homem com oferendas de obsidiana e pedra verde. [2]
A data é dada como provável pelo Museu Metropolitano. - Fato estabelecido: Teotihuacan teve relações com capitais maias, como Tikal e Copán, e com os zapotecas de Monte Albán. [1]
- Fato estabelecido: Por volta de 550 d.C., os monumentos do centro foram queimados por pessoas não identificadas; depois de 600 a população caiu muito. [1]
- Fato estabelecido: Os astecas, que deram à cidade seu nome atual, não sabiam quem a construíra e a chamavam de Cidade dos Deuses. [4]
- Interpretação: Teotihuacan surgiu como um assentamento multiétnico e, nos bairros periféricos, havia grupos de outras regiões, como o Bairro de Oaxaca (Tlailotlacan) e o Bairro dos Mercadores, de gente do litoral do Golfo. [3]
Interpretação da arqueóloga Linda Manzanilla (PNAS, 2015), apoiada em enterros, cerâmica importada e análises isotópicas. - Evidência forte: Análises isotópicas de pessoas sacrificadas, encontradas em oferendas nas pirâmides da Lua e da Serpente Emplumada, indicam estrangeiros. [3]
- Hipótese: A cidade pode ter recebido grupos deslocados por erupções vulcânicas na bacia do México, a do Popocatépetl no século I d.C. e a do Xitle por volta de 320 d.C. [3]
A autora usa 'provavelmente' e 'pode ter'; é uma hipótese de trabalho. - Em debate: Alguns estudiosos sugerem que a arquitetura monumental seguiu um plano mestre; outros, que foi erguida sem plano, mas segundo princípios orientadores. [1]
O debate é citado no ensaio do Museu Metropolitano. - Hipótese: A estrutura multiétnica da cidade pode ter gerado tensões que levaram a uma revolta que incendiou o centro por volta de 550 d.C. [3] [5]
Hipótese de Manzanilla (apresentada como 'possivelmente'); a causa do incêndio segue sem consenso. - Estimativa: Entre 600 e 800 d.C. a cidade provavelmente tinha 30 mil habitantes ou menos, e seu legado ecoou na Mesoamérica por pelo menos mil anos. [1]
Estimativa do Museu Metropolitano.
Fontes
- The Metropolitan Museum of Art, Heilbrunn Timeline of Art History — Teotihuacan (ca. 100 B.C.–800 A.D.)
consultada em 04/10/2026 - The Metropolitan Museum of Art — Teotihuacan: Pyramids of the Sun and the Moon
consultada em 04/10/2026 - PNAS (PubMed Central) — Cooperation and tensions in multiethnic corporate societies using Teotihuacan, Central Mexico, as a case study
consultada em 04/10/2026 - Arizona State University, via ScienceDaily — Sacrificial Burial Deepens Mystery At Teotihuacan, But Confirms The City's Militarism
consultada em 04/10/2026 - Center for Latin American & Caribbean Studies, University of California, Berkeley — Teotihuacan: An Exceptional Multiethnic City in Pre-Hispanic Central Mexico
consultada em 04/10/2026
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