Ciências da Terra
Como se mede a temperatura global: anomalias de estações, navios e boias em séries que concordam
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Assuntos: Tempo e clima
A temperatura global não sai de um termômetro único: é uma média de anomalias, isto é, de diferenças em relação a um período de referência, calculadas em grade a partir de dezenas de milhares de estações em terra e de centenas de milhões de medições de navios e boias. NASA, NOAA, Met Office e Berkeley Earth tratam esses dados de modos diferentes e chegam a séries que sobem e descem em sintonia.
Anomalia é a diferença entre a temperatura medida e a média de um período de referência no mesmo lugar e mês. Ela é usada porque estações em montanhas, no litoral e em cidades têm temperaturas absolutas muito diferentes, mas variam de forma parecida. As anomalias são calculadas em células de grade (de 5° por 5° em vários conjuntos) e depois combinadas numa média global. Em terra entram termômetros de estações; no mar, medições de navios e boias, a temperatura da superfície da água. Cada grupo escolhe estações, correções, período de referência e preenchimento de lacunas, e por isso há mais de uma série.
Em 1850 só um pouco mais da metade do planeta entrava na conta
No registro terra-oceano do Berkeley Earth, a cobertura da superfície era de cerca de 57% em 1850, 75% em 1880, 95% em 1960 e 99,9% em 2015, parte dela estimada por interpolação.
Por que a medida é uma anomalia
Uma média de temperaturas absolutas mudaria só porque estações entram e saem do cálculo, por exemplo uma estação de serra deixando a série. A anomalia reduz esse efeito, porque compara cada estação com ela mesma no mesmo mês do período de referência. Isso explica por que as séries trazem referências diferentes: GISTEMP 1951-1980, HadCRUT5 1961-1990, NOAAGlobalTemp 1991-2020. Trocar de referência desloca a curva para cima ou para baixo, e é preciso alinhá-las para comparar valores.
O mar entra com navios e boias
As séries aqui descritas combinam a temperatura do ar sobre a terra com a da superfície do mar. O HadSST4 parte de medições de navios e boias, descarta as que falham no controle de qualidade e ajusta mudanças no modo de medir. O NOAAGlobalTemp reúne temperatura do mar e do ar sobre a terra num conjunto que a agência descreve como completo.
Cidades, estações e o efeito local
A ilha de calor urbana é um viés local, e as séries tratam dele: a NASA informa que seu algoritmo considera o espaçamento das estações e o efeito de ilha de calor, e o HadCRUT5 inclui a urbanização entre as incertezas que a coleção amostra. O artigo sobre ilhas de calor mostra como esse efeito aparece numa cidade; aqui a questão é como ele é separado do sinal global, e a homogeneização, que corrige saltos nas estações, tem artigo próprio.
Quando a medição direta começa
A NASA começa a série em 1880 porque antes disso as observações não cobriam o suficiente do planeta, e o HadCRUT5 e o NOAAGlobalTemp trazem dados mensais desde 1850. O registro de Berkeley Earth cobria cerca de 57% da superfície em 1850 e 75% em 1880, em parte por interpolação. Estimativas de períodos anteriores dependem de evidências indiretas, não de termômetros, e são outro assunto.
Como sabemos
Métodos descritos nas páginas oficiais dos produtos e num artigo revisado por pares; o GISTEMP vem só da página da NASA, pois o servidor do GISS não abriu.
- Fato estabelecido: Os grupos não publicam a temperatura absoluta do planeta, e sim anomalias: quanto cada região ficou mais quente ou mais fria que um período de referência (no GISTEMP da NASA, 1951-1980). [1] World of Change, texto sob os mapas
Contexto: Série GISTEMP, do Goddard Institute for Space Studies (NASA). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Estimativa: A média global absoluta de 1951-1980 foi de cerca de 14 °C, com incerteza de várias décimas de grau. [1] World of Change, texto sob os mapas
Contexto: Período-base 1951-1980 do GISTEMP. · Limitações: Que a anomalia seja mais confiável que o valor absoluto é inferência nossa a partir da incerteza declarada; a página não enuncia isso. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A análise da NASA reúne mais de 20.000 estações meteorológicas, observações de temperatura da superfície do mar feitas por navios e boias e medições de estações de pesquisa na Antártida. [1] World of Change, texto sob os gráficos
Contexto: GISTEMP, descrição da página de 2026. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os grupos tratam o efeito de ilha de calor urbana: o algoritmo da NASA considera o espaçamento irregular das estações e a ilha de calor, e o conjunto HadCRUT5 inclui os possíveis impactos da urbanização entre as incertezas que amostra. [1] World of Change, texto sob os gráficos [3] Página HadCRUT5, Brief description
Contexto: GISTEMP (NASA) e versão sem preenchimento do HadCRUT5 (Met Office). · Limitações: No HadCRUT5, a página atribui esse conjunto de incertezas à versão não preenchida do dado. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O HadCRUT5, do Met Office e da Universidade de East Anglia, traz anomalias mensais desde janeiro de 1850, em grade de 5 graus, em relação ao período de 1961-1990. [3] Página HadCRUT5
Contexto: Versão HadCRUT.5.2.0.0, de 18/09/2026. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O HadSST4 é feito com medições de navios e boias: descarta as que falham no controle de qualidade, subtrai valores climatológicos para obter anomalias e calcula uma média robusta em grade de 5° por 5°, por mês. [4] Página HadSST4, Brief description
Contexto: HadSST.4.2.0.0; dados de boias à deriva entram como complemento desde janeiro de 2016. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Depois da grade, o HadSST4 aplica ajustes de viés para reduzir o efeito das mudanças nos modos de medir a temperatura do mar, e a incerteza desses ajustes é descrita por 200 realizações. [4] Página HadSST4, abertura
Contexto: HadSST.4.2.0.0. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O NOAAGlobalTemp combina a temperatura da superfície do mar e a do ar sobre a terra para obter um retrato completo das tendências globais, com anomalias em relação à climatologia de 1991-2020. [5] Página NOAAGlobalTemp, Methodology
Contexto: Versão 6.1.0, que usa a normal climatológica 1991-2020 da OMM. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Cada grupo usa um período de referência diferente (1951-1980, 1961-1990, 1991-2020, 1850-1900), por isso o valor numérico da anomalia só pode ser comparado entre séries depois de alinhar a referência. [1] World of Change [3] Página HadCRUT5 [5] Página NOAAGlobalTemp, Methodology [6] Relatório de 2025
Contexto: NASA (GISTEMP), Met Office (HadCRUT5), NOAA (NOAAGlobalTemp 6.1.0) e Berkeley Earth (relatório de 2025). · Limitações: Que o alinhamento de referências seja necessário para comparar é inferência nossa; as fontes só informam a referência de cada série. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O Berkeley Earth combina 23 milhões de médias mensais de termômetros, de 57.685 estações, com cerca de 500 milhões de observações instantâneas da temperatura do oceano feitas por navios e boias. [6] Relatório de 2025, abertura
Contexto: Análise do Berkeley Earth sobre 2025, publicada em 14/01/2026. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: As séries diferem na estatística, mas usam em boa parte os mesmos dados de base: medições de temperatura do mar do banco ICOADS e a maioria dos mesmos registros de estações em terra. [2] Introduction, §2
Contexto: Comparação feita por Rohde e Hausfather (2020) entre Berkeley Earth, NASA, NOAA, HadCRUT4 e Cowtan e Way. · Limitações: A frase se refere à geração de séries vigente em 2020; as versões atuais mudaram (HadSST4, ERSST v6, GHCNm v4) e a fonte não garante que a sobreposição seja a mesma hoje. · Aplica-se às versões de 2020. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: GISTEMP e NOAAGlobalTemp usam o algoritmo de homogeneização por pares da NOAA para detectar e corrigir descontinuidades em estações de terra, como mudanças de lugar ou de instrumento. [2] Introduction, §3
Contexto: Versões vigentes em 2020; o método tem pauta própria neste feed. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: O registro terra-oceano do Berkeley Earth cobria cerca de 57% da superfície do planeta em 1850, 75% em 1880, 95% em 1960 e 99,9% em 2015; a NASA começa sua série em 1880 porque antes disso as observações não cobriam o suficiente do planeta. [1] World of Change, texto sob os gráficos [2] Abstract
Contexto: Cobertura do produto Berkeley Earth Land/Ocean de 2020, que usa interpolação (krigagem) para estimar áreas sem medição direta. · Limitações: A cobertura do Berkeley Earth inclui áreas preenchidas por interpolação; não é fração com termômetro direto. · Valores aproximados dados pelos autores. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Para anos recentes, a incerteza da temperatura média de um ano é de cerca de 0,03 °C no Berkeley Earth, e 2025 foi o terceiro ano mais quente desde 1850, atrás de 2024 e 2023. [6] Relatório de 2025, abertura
Contexto: Análise do Berkeley Earth; outros grupos podem ordenar os anos de forma ligeiramente diferente. · Limitações: Classificação e incerteza são de um único grupo. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Consenso científico: A NASA afirma que as cinco séries que compara (NASA, NOAA, Berkeley Earth, Met Office Hadley Centre e Cowtan e Way) mostram picos e vales em sincronia e todas indicam a última década como a mais quente. [1] World of Change, texto sob os gráficos
Contexto: Comparação feita pela NASA no gráfico de 1880 a 2020 da página. · Limitações: A frase se refere ao gráfico até 2020; outros trechos da página foram atualizados em 2026. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- NASA Earth Observatory — World of Change: Global Temperatures
NASA Earth Observatory · 2026-01-15 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - Earth System Science Data (Copernicus) — The Berkeley Earth Land/Ocean Temperature Record
Rohde, R. A.; Hausfather, Z. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.5194/essd-12-3469-2020 - Met Office Hadley Centre — HadCRUT5
Met Office Hadley Centre; Climatic Research Unit (Universidade de East Anglia) · 2026-09-21 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - Met Office Hadley Centre — HadSST.4.2.0.0
Met Office Hadley Centre · 2026-09-15 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA NCEI — NOAA Merged Land Ocean Global Surface Temperature Analysis (NOAAGlobalTemp)
NOAA National Centers for Environmental Information · 2026 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - Berkeley Earth — Global Temperature Report for 2025
Berkeley Earth (Robert Rohde) · 2026-01-14 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)