Astronomia

A teia cósmica: galáxias se alinham em filamentos e paredes ao redor de vazios imensos

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em escalas de dezenas a centenas de milhões de anos-luz, as galáxias não estão espalhadas ao acaso. Mapas tridimensionais, feitos medindo o desvio para o vermelho de centenas de milhares de galáxias, mostram filamentos e paredes que cercam regiões quase vazias. Simulações indicam que essa rede cresceu pela gravidade a partir de pequenas variações de densidade logo após o Big Bang.

Para mapear o universo em três dimensões, astrônomos medem o desvio para o vermelho da luz de cada galáxia, que dá a distância aproximada, e a posição no céu. Os primeiros levantamentos desse tipo, como o CfA Redshift Survey, iniciado em 1977, já mostraram que as galáxias não são distribuídas ao acaso: ficam em superfícies que cercam vazios. Levantamentos posteriores, como o Sloan Digital Sky Survey (SDSS), mapearam o agrupamento de um milhão de galáxias e 100 mil quasares. Simulações de computador, como a Millennium, reproduzem a mesma arquitetura: pequenas flutuações de densidade, presentes pouco depois do Big Bang, amplificadas pela gravidade durante a expansão. O resultado é uma rede de nós densos, filamentos, paredes e vazios, chamada teia cósmica.

Filamentos são longos, mas têm limite

Em um levantamento de galáxias, filamentos de 50 a 70 Mpc/h de comprimento resultaram estatisticamente significativos; acima disso, o alinhamento pode ser coincidência. Em outra análise com o SDSS, filamentos ocupam só 5 a 8% do volume, mas reúnem 35 a 40% da luminosidade das galáxias.

Do quase uniforme à rede

Pouco depois do Big Bang, o universo era quase uniforme, com pequenas variações de densidade. Onde havia um pouco mais de matéria, a gravidade atraiu ainda mais, enquanto a expansão do espaço diluía as regiões menos densas. Simulações como a Millennium acompanham esse processo e mostram o surgimento de nós densos ligados por filamentos.

Filamentos, paredes e vazios

A teia reúne nós, filamentos, paredes e vazios. As galáxias servem de traçadores, enquanto a matéria escura e a gravidade moldam a arquitetura. Em um catálogo de filamentos do SDSS, eles ocupam cerca de 5 a 8% do volume e concentram de 35 a 40% da luminosidade das galáxias. Os números dependem do método de detecção.

A Grande Muralha

No CfA2, uma faixa de galáxias com cerca de 600 x 250 x 30 milhões de anos-luz chamou atenção como possivelmente a maior estrutura detectada em um levantamento de desvio para o vermelho até então. Ela contém aglomerados, grupos e filamentos. Mostra que o universo tem estrutura em escalas enormes, mas não contradiz a uniformidade em escalas maiores.

Até onde vai um filamento?

Há limite estatístico para o que se chama de filamento. No Las Campanas Redshift Survey, filamentos de 50 a 70 Mpc/h são significativos, mas acima disso o alinhamento pode surgir por acaso. Em simulações recentes, filamentos de regiões densas encurtam com o tempo, enquanto os próximos de vazios se alongam.

Como sabemos

Estrutura geral bem estabelecida em fontes institucionais; números de filamentos dependem do método e vêm de simulações ou catálogos específicos.

Fontes

  1. Sloan Digital Sky Survey — SDSS surveys
    consultada em 06/10/2026
  2. Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian — CfA Redshift Survey (zcat)
    consultada em 06/10/2026
  3. Max Planck Institute for Astrophysics — The Millennium Simulation
    consultada em 06/10/2026
  4. arXiv / MNRAS — Detecting filamentary pattern in the cosmic web: a catalogue of filaments for the SDSS
    consultada em 06/10/2026
  5. arXiv — The Size of the Longest Filaments in the Universe
    consultada em 06/10/2026
  6. Max Planck Institute for Astrophysics — Understanding the cosmic web: the evolution of cosmic filaments with MillenniumTNG
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos