Ciências da Terra
Os continentes se movem alguns centímetros por ano, e hoje esse movimento é medido por satélite
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Em 1912, Alfred Wegener propôs que os continentes já estiveram unidos, mas foi rejeitado porque não explicava como eles se moveriam. A resposta veio do fundo do mar, nos anos 1960: faixas magnéticas simétricas dos dois lados das dorsais mostraram crosta nova se formando. Hoje, medições por satélite confirmam o movimento. Na Dorsal Meso-Atlântica, o afastamento é de cerca de 2,5 cm por ano, perto da velocidade com que crescem as unhas.
Wegener, um meteorologista alemão de 32 anos, apoiou a ideia em fósseis idênticos nos dois lados do Atlântico, em rochas que se correspondiam entre continentes e em depósitos de carvão na Antártida, sinal de um clima antigo bem mais quente. O geofísico Harold Jeffreys objetou que um bloco sólido de rocha não poderia abrir caminho pelo fundo oceânico sem se quebrar. Wegener morreu em 1930 na Groenlândia, sem ver a ideia aceita. Nas décadas seguintes, o mapeamento do fundo do mar revelou dorsais, fossas e um padrão de faixas magnéticas, e a teoria das placas tectônicas se firmou. Desde então, o GPS e outras técnicas espaciais passaram a medir o deslocamento direto, ano a ano.
O Atlântico já foi um pequeno braço de mar
Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), a expansão do fundo do mar nos últimos 100 a 200 milhões de anos fez o Atlântico crescer de um pequeno braço de água entre Europa, África e as Américas até o oceano de hoje. Já a Elevação do Pacífico Leste, perto da Ilha de Páscoa, se abre a mais de 15 cm por ano.
A proposta de Wegener
Em 1912, Wegener sustentou que o supercontinente Pangeia começou a se partir há cerca de 200 milhões de anos. Os fósseis idênticos em lados opostos do Atlântico, as rochas que se correspondiam entre continentes e o carvão tropical encontrado na Antártida apontavam para continentes que já estiveram em outras posições. O que faltava era um motor: Harold Jeffreys mostrou que a ideia, como Wegener a formulara, parecia fisicamente impossível.
O fundo do mar fala
Com o mapeamento do assoalho oceânico, nos anos 1950 e 1960, apareceram dorsais, fossas e um padrão de listras magnéticas. Hess e Dietz explicaram: nas dorsais, rocha nova sobe e empurra o fundo para os lados. Em 1963, Vine e Matthews combinaram essa ideia com a cronologia das inversões do campo magnético e mostraram que as faixas ficam simétricas em torno das dorsais, o que permitiu datar o fundo do mar em até 180 milhões de anos.
As provas finais
A perfuração do Glomar Challenger, em 1968, deu a evidência decisiva: o fundo ficava mais antigo longe da dorsal. Ao mesmo tempo, sismógrafos distribuídos pelo mundo confirmaram a posição das zonas de subducção, onde a crosta oceânica desce ao manto, como Wadati e Benioff haviam identificado desde os anos 1920. Com o conjunto, a ideia rejeitada de Wegener foi substituída pela teoria das placas tectônicas, com um mecanismo que ele não tinha.
Medir o movimento hoje
Em vez de inferir o passado, hoje os cientistas medem o presente. Receptores GPS, instalados em pontos fixos e medidos por 10 a 20 anos, mostram a velocidade de cada placa. Segundo o USGS, os dados de geodesia espacial concordam com as taxas médias de milhões de anos. A velocidade é pequena: a placa de Cocos, por exemplo, avança cerca de 8 cm por ano, e a Dorsal Meso-Atlântica se abre cerca de 2,5 cm por ano.
Como sabemos
Tectônica de placas é teoria consolidada; datas e taxas conferidas em publicações do USGS e do JPL/NASA.
- Fato estabelecido: Em 1912, Alfred Wegener, meteorologista alemão de 32 anos, propôs a deriva continental. [1]
- Fato estabelecido: A teoria foi rejeitada por não ter mecanismo; Harold Jeffreys argumentou que seria fisicamente impossível uma massa sólida de rocha atravessar o fundo oceânico sem se quebrar. [1]
- Fato estabelecido: Wegener apontou fósseis idênticos na África e na América do Sul, estruturas rochosas correspondentes e carvão tropical na Antártida. [1]
- Fato estabelecido: Wegener morreu em 1930 numa expedição à Groenlândia. [1]
- Fato estabelecido: Hess propôs que as dorsais são zonas fracas onde o fundo do mar se abre; Dietz cunhou 'expansão do fundo oceânico'. [2]
O USGS data a formulação de Hess e Dietz de 1961; a obra de Hess é frequentemente citada como de 1962. - Fato estabelecido: Em 1963, Vine e Matthews associaram as faixas magnéticas simétricas às inversões do campo magnético terrestre. [3]
- Fato estabelecido: Em 1968, o Glomar Challenger perfurou a Dorsal Meso-Atlântica e forneceu evidência decisiva para a expansão do fundo oceânico. [2]
- Fato estabelecido: Wadati e Benioff identificaram zonas sísmicas inclinadas de 40 a 60 graus sob as fossas oceânicas; a rede WWSSN confirmou previsões da teoria nos anos 1960. [2]
- Estimativa: A Dorsal Meso-Atlântica se abre cerca de 2,5 cm por ano; a Elevação do Pacífico Leste, mais de 15 cm por ano; a Dorsal Ártica, menos de 2,5 cm por ano. [4]
Taxas médias de abertura; variam ao longo de cada dorsal. - Consenso científico: A expansão do fundo do mar nos últimos 100 a 200 milhões de anos fez o Atlântico crescer de um pequeno braço de água até o oceano atual. [4]
- Evidência forte: O GPS é a técnica espacial mais útil para medir o movimento das placas, e as velocidades médias de poucos anos coincidem com as de milhões de anos. [4]
- Fato estabelecido: Medições por GPS indicaram a placa de Cocos movendo-se a cerca de 8 cm por ano, a de Nazca a cerca de 6 cm e a do Caribe a 2 cm, velocidades próximas à do crescimento das unhas. [5]
Estudo regional da América Central feito com campanhas de GPS.
Fontes
- U.S. Geological Survey — Continental drift (Historical perspective), This Dynamic Earth
consultada em 04/10/2026 - U.S. Geological Survey — Developing the theory, This Dynamic Earth
consultada em 04/10/2026 - U.S. Geological Survey — Magnetic stripes and seafloor spreading, This Dynamic Earth
consultada em 04/10/2026 - U.S. Geological Survey — Understanding plate motions, This Dynamic Earth
consultada em 04/10/2026 - NASA Jet Propulsion Laboratory — Tectonic plates movements studied using satellites
consultada em 04/10/2026
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