Zoologia
Tardígrados sobreviveram ao vácuo do espaço em órbita, e o ultravioleta solar foi o que mais os matou
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Tardígrados são animais de 0,1 a 1,5 mm que, ao secar, entram em criptobiose: contraem o corpo numa forma chamada tun e suspendem o metabolismo até voltarem a ter água. Em setembro de 2007, cerca de 3.000 deles foram levados à órbita na missão Foton-M3, da Agência Espacial Europeia. O vácuo e a radiação cósmica não foram problema para eles; o ultravioleta solar reduziu muito a sobrevivência, mas alguns indivíduos ainda se recuperaram.
O experimento, chamado TARDIS e liderado por Ingemar Jönsson, da Universidade de Kristianstad, usou duas espécies, Milnesium tardigradum e Richtersius coronifer. A missão passou 12 dias em órbita, a cerca de 270 km de altitude. Os pesquisadores concluíram que o vácuo, que implica desidratação extrema, e a radiação cósmica não eram um problema para eles. O ultravioleta do Sol, mais de mil vezes mais intenso que na superfície da Terra, foi o fator mais danoso, mas alguns tardígrados sobreviveram a doses acima de 7.000 kJ por metro quadrado, e os sobreviventes ainda se reproduziram. Como eles conseguiram se reanimar após essa dose permanece sem explicação, segundo os autores.
O tun, uma pausa que dura décadas
Na desidratação, o tardígrado recolhe cabeça e patas e forma o tun, em que o metabolismo para e a estrutura se mantém por décadas até a reidratação, segundo uma revisão de 2026. Há outras formas de criptobiose, desencadeadas por congelamento, alta pressão osmótica ou toxinas.
A criptobiose
Quando falta água, o tardígrado suspende a vida sem morrer. Essa condição, a criptobiose, tem subestados: anidrobiose (desidratação), criobiose (congelamento), osmobiose (alta pressão osmótica) e quimiobiose (toxinas). Em todos há formação do tun: o corpo se contrai muito e cabeça e patas se recolhem. Estudos recentes investigam defesas antioxidantes, reparo de DNA e proteínas que mantêm a estrutura das células no tun.
A missão Foton-M3
Em setembro de 2007, cerca de 3.000 tardígrados foram ao espaço na Foton-M3, missão orbital da ESA de 12 dias. Houve três projetos com tardígrados: TARSE, TARDIS e RoTaRad. O TARDIS, liderado por Ingemar Jönsson, testou Milnesium tardigradum e Richtersius coronifer em órbita baixa, a cerca de 270 km.
O que sobreviveu e o que não
O vácuo e a radiação cósmica, segundo o líder do projeto, não foram problema. O ultravioleta solar, mais de mil vezes mais forte que na superfície terrestre, reduziu muito a sobrevivência, mas alguns animais resistiram a doses acima de 7.000 kJ por metro quadrado e se reproduziram depois. Uma revisão de 2017 resume o resultado: o vácuo é tolerado, mas a soma de ultravioleta, radiação ionizante solar e radiação cósmica reduz bastante a sobrevivência.
Limites da expressão 'indestrutível'
Os resultados valem para as condições testadas em 2007; eles não fazem do animal um ser imune a tudo. Os autores do estudo dizem que não sabem como os animais se reanimaram após a dose de ultravioleta. Estudos posteriores, citados em revisões, buscam explicações em defesas antioxidantes, proteção e reparo de DNA e proteínas que preservam o tun, mas ainda sem resposta completa.
Como sabemos
Os números do experimento vêm do comunicado da ESA e do comunicado do estudo na Current Biology, com uma divergência menor sobre a radiação cósmica registrada no texto.
Em debate: Os resumos divergem sobre o papel da radiação cósmica: o comunicado da ESA diz que ela não foi problema, enquanto uma revisão de 2017 afirma que o ultravioleta solar, a radiação ionizante e a radiação cósmica juntos reduziram significativamente a sobrevivência. Os dois concordam que o vácuo isolado é tolerado e que o ultravioleta é o fator mais danoso. O resultado vale para as condições testadas; 'sobreviver ao espaço' não equivale a ser indestrutível.
- Fato estabelecido: Tardígrados medem de 0,1 a 1,5 mm e vivem, por exemplo, em liquens e musgos úmidos. [2]
- Evidência forte: Na criptobiose por dessecação, o tardígrado contrai o corpo e forma o tun, suspendendo o metabolismo e preservando a integridade estrutural por décadas até ser reidratado. [3]
'Décadas' vem de uma revisão de 2026; o tempo máximo de permanência no tun varia entre espécies e condições. - Fato estabelecido: A criptobiose ocorre em subestados, como osmobiose, anidrobiose, criobiose e quimiobiose. [3]
- Fato estabelecido: Em setembro de 2007, cerca de 3.000 tardígrados foram levados na missão Foton-M3 da ESA, que passou 12 dias em órbita. [1]
- Evidência forte: Segundo o líder do projeto TARDIS, o vácuo do espaço, que implica desidratação extrema, e a radiação cósmica não foram problema para os tardígrados. [1]
- Fato estabelecido: Duas espécies, Milnesium tardigradum e Richtersius coronifer, foram testadas no projeto TARDIS. [4]
- Evidência forte: A adição de ultravioleta solar e de outras radiações reduziu significativamente a sobrevivência em relação ao vácuo isolado. [4]
A revisão de 2017 inclui também radiações ionizantes e cósmica entre os fatores que reduziram a sobrevivência; o comunicado da ESA diz que a radiação cósmica não foi problema. O ultravioleta aparece nas duas fontes como o fator mais danoso. - Evidência forte: Alguns tardígrados sobreviveram a doses de ultravioleta acima de 7.000 kJ por metro quadrado no vácuo, e os sobreviventes se reproduziram. [2]
- Incerto: Como os tardígrados se reanimaram após essa dose de ultravioleta permanece sem explicação, segundo os autores do estudo. [2]
Mecanismo desconhecido em 2008; pesquisas posteriores sobre antioxidantes e reparo de DNA discutem hipóteses.
Fontes
- Agência Espacial Europeia (ESA) — Tiny animals survive exposure to space
consultada em 04/10/2026 - Cell Press (comunicado sobre estudo na Current Biology, Jönsson et al., 2008) — 'Water Bears' Able To Survive Exposure To Vacuum Of Space
consultada em 04/10/2026 - Molecular Ecology — At the Edge of Survival: Exploring the Frontiers of Tardigrade Extreme Stress Tolerance
consultada em 04/10/2026 - Origins of Life and Evolution of Biospheres — Tardigrades in Space Research - Past and Future
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
- Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)