Ciências da Terra
Tambora, 1815: como uma erupção esfriou o Hemisfério Norte e levou ao “ano sem verão” de 1816
Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026
A erupção do Tambora, em abril de 1815, injetou dióxido de enxofre na estratosfera, onde ele virou um véu global de gotículas de sulfato. O véu devolveu parte da luz solar ao espaço e, segundo uma revisão de 2016, esfriou os trópicos e o Hemisfério Norte em cerca de 0,4 a 0,8 °C ao ano em relação às três décadas anteriores. O verão de 1816, frio e chuvoso na Europa e na América do Norte, ficou conhecido como o “ano sem verão”.
O Tambora é um vulcão da ilha de Sumbawa, na Indonésia, a cerca de 8° de latitude sul. A fase culminante da erupção foi em 10 e 11 de abril de 1815. Uma erupção afeta o clima pelo que chega à estratosfera, a camada acima das nuvens de chuva. A cinza grossa cai em dias. Já o dióxido de enxofre (SO2) vira aerossol de sulfato, gotículas minúsculas que se espalham pelo planeta e permanecem cerca de um ano, na média, antes de sair. Elas espalham parte da luz do Sol de volta ao espaço e, por isso, esfriam a superfície. Como o Tambora fica perto do equador, o véu pôde atingir os dois hemisférios, mas o frio ficou mais bem registrado no Norte.
Um verão frio sem tempo extremo
Em Genebra, onde os dados diários de 1816 foram digitalizados, o que mudou foi a frequência dos tipos de tempo, não a violência deles. As situações de baixa pressão triplicaram, as de alta pressão sumiram e a chuva de verão subiu 80%.
Do enxofre ao véu: o mecanismo
A erupção joga cinza e gases na atmosfera. A cinza grossa cai logo. O dióxido de enxofre que chega à estratosfera vira gotículas de sulfato, que ficam cerca de um ano e espalham parte da luz do Sol de volta ao espaço; por isso a superfície esfria, enquanto a própria camada de aerossol aquece a estratosfera. Para o Tambora, a revisão de 2016 estima cerca de 60 milhões de toneladas de SO2, com injeção máxima entre 20 e 25 km, e um forçamento de pico de cerca de −5 W/m². O Pinatubo, em 1991, é a referência: esfriou algumas regiões em até 0,5 °C.
Quanto esfriou: uma faixa, não um número
Os números dependem do que se compara. A revisão de 2016 resume um resfriamento anual de cerca de 0,4 a 0,8 °C nos trópicos e no Hemisfério Norte extratropical, em relação aos 30 anos anteriores. Para o verão de 1816, as reconstruções vão de −0,66 °C a cerca de −1,9 °C no Norte, conforme o estudo e a referência. Textos antigos de divulgação falam em até 3 °C globais, bem acima das estimativas modernas citadas aqui. No Hemisfério Sul o sinal é fraco nos registros, mas lá os dados são poucos.
Genebra, 1816: clima extremo, não tempo extremo
Os dados de Genebra, digitalizados, mostram o que o frio de 1816 foi na prática. A distribuição das temperaturas da tarde deslocou-se −3,8 °C e a do nascer do sol −1,8 °C, com triplicação das situações de baixa pressão, ausência de alta pressão e 80% mais chuva. Não houve mais temporais extremos, mas dias frios e nublados em quantidade fora do normal. Na Inglaterra Central, foi o terceiro verão mais frio desde 1659. Ao mesmo tempo, a Rússia e a Ucrânia tiveram, em poucas séries, verão mais ameno.
Como sabemos: gelo, anéis de árvores, instrumentos e modelos
Ninguém mediu o aerossol em 1815. O sulfato ficou preso no gelo da Groenlândia e da Antártida, e o fluxo de sulfato nos testemunhos é a base para reconstruir o enxofre na estratosfera. Os anéis de árvores, pela densidade da madeira, registram o frio de verão, e as séries meteorológicas europeias existem desde os anos 1780. Modelos de clima testam o mecanismo. O limite: os registros do Sul são escassos, e a divisão do aerossol entre os hemisférios continua em aberto.
Mortes, colheitas e fome: o que as fontes sustentam
Na Indonésia, uma revisão de 2003 fala em mais de 71 mil mortos, em Sumbawa e Lombok, durante e depois da erupção. Longe dali, houve quebras de safra e fomes no Hemisfério Norte, mas a ligação com o clima não é automática: num levantamento de 12 ilhas, só 4 tiveram fome comprovada, e os autores lembram que fome também depende de renda, comércio e socorro. Na Nova Inglaterra, a falha das colheitas levou ao abate de gado por falta de forragem e pressionou a pesca.
Como sabemos
O mecanismo e o frio de 1816 no Hemisfério Norte têm base sólida, mas a amplitude do resfriamento, a partição hemisférica, o número de mortos e a atribuição das fomes têm incerteza e faixa.
Em debate: As reconstruções divergem sobre a amplitude do resfriamento de 1816 (de −0,66 °C a cerca de −1,9 °C no Hemisfério Norte, conforme o estudo e a referência), os registros do Sul mostram sinal fraco enquanto os modelos preveem resfriamento parecido nos dois hemisférios, e as estimativas de sulfato no gelo não concordam sobre a partição do aerossol.
- Consenso científico: A erupção do Tambora (Indonésia) em abril de 1815 teve efeitos substanciais no clima global e levou ao “ano sem verão” de 1816 na Europa e na América do Norte; a fase culminante foi em 10 e 11 de abril de 1815. [1] The Tambora eruption, aerosols, and radiative forcing, §1
Contexto: Efeito sobre o clima do Hemisfério Norte, sobretudo Europa e leste da América do Norte, em 1816. · Limitações: O frio de 1816 teve também outros fatores além do Tambora (ver a8). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: A erupção de 1815 foi provavelmente a maior formadora de caldeira dos últimos séculos. O colapso do cume formou uma caldeira de 6 × 7 km de largura e mais de 1 km de profundidade, e as cinzas mais finas caíram a pelo menos 1.300 km, no oeste de Java. [1] The Tambora eruption, aerosols, and radiative forcing, §2
Contexto: Vulcão Tambora, ilha de Sumbawa. A distância de 1.300 km vem de relatos de testemunhas, segundo a revisão. · Limitações: O volume exato é incerto, pois parte do material caiu no mar ou foi remobilizado em terra; “maior” vale para os últimos séculos, não para toda a história da Terra. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Mecanismo: grandes erupções injetam gases de enxofre na estratosfera, que se convertem em aerossóis de sulfato com tempo de residência (decaimento em 1/e) de cerca de 1 ano, enquanto as partículas grandes de cinza caem muito mais rápido. Os aerossóis esfriam a superfície ao devolver parte da radiação solar ao espaço e aquecem a estratosfera ao absorver radiação. [3] Abstract
Contexto: Revisão geral sobre erupções vulcânicas e clima; vale para erupções tropicais explosivas, como a do Tambora. · Limitações: “Tempo de residência em 1/e” é a medida usada pela fonte (tempo para a quantidade cair a cerca de 37%); a explicação entre parênteses é nossa. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Estimativa: A massa de dióxido de enxofre emitida pelo Tambora é estimada em cerca de 60 milhões de toneladas (Mt, ou Tg) na ponta baixa da faixa de volumes da erupção, e mais se o volume real for maior. Pelos modelos, o máximo da injeção de SO2 ficou entre 20 e 25 km de altitude, e o aerossol foi espalhado pelo mundo pelos ventos da estratosfera. [1] The Tambora eruption, aerosols, and radiative forcing, §7
Contexto: Estimativa de uma revisão de 2016; a altitude é uma suposição baseada em simulações e na erupção do Pinatubo, em 1991. · Limitações: O resumo de Oppenheimer (2003) fala em cerca de 60 Mt de enxofre e em seis vezes o Pinatubo, o que difere em unidade e em razão da estimativa de 3,5 vezes usada na revisão de 2016; não conciliamos as duas aqui. · O valor depende do volume de magma adotado e da altitude de injeção, que são estimados a partir de depósitos, inclusões em cristais e simulações, não medidos em 1815. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Hipótese: Com base em estimativas de testemunhos de gelo, a injeção de SO2 do Tambora foi cerca de 3,5 vezes a do Pinatubo (1991), mas o forçamento radiativo resultante foi só cerca de duas vezes maior, o que se explica, como hipótese, por partículas maiores que duram menos e bloqueiam menos luz por unidade de massa. O pico do forçamento líquido foi de cerca de −5 W/m². Já o Pinatubo esfriou algumas regiões em até 0,5 °C. [1] The Tambora eruption, aerosols, and radiative forcing, §7 [4] Year Without a Summer
Contexto: Forçamento radiativo é a variação de energia que chega à superfície, em watts por metro quadrado; o valor do Tambora é global e de pico. O dado do Pinatubo é da página do USGS. · Limitações: A f4 descreve o Pinatubo com texto de 1996, em página arquivada; o resumo de Oppenheimer (f2) usa outra razão (seis vezes). · A razão 3,5 vem de estimativas de gelo, e o efeito das partículas maiores é uma suposição do modelo citado pela revisão. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: O resfriamento anual dos trópicos e do Hemisfério Norte extratropical foi de cerca de 0,4 a 0,8 °C em relação aos 30 anos anteriores. Para 1816, as reconstruções discordam sobre a amplitude: em relação a 1961–1990, as estimativas vão de −0,66 °C (±0,24) no Hemisfério Norte até cerca de −1,9 °C para as terras emersas globais, e uma página do USGS, de texto antigo, chega a citar até 3 °C. [1] Proxies and proxy‐based reconstructions, §1 [4] Year Without a Summer [5] Introduction
Contexto: Hemisfério Norte e trópicos, anos de 1815 a 1817; a referência (30 anos anteriores, 1961–1990 ou 1785–1815) muda o número. · Limitações: A f5 cita o −1,9 °C de outro estudo e a f4 reproduz um texto de 1996; ambas valem como indicação da dispersão das estimativas, não como medida adicional. A f1 diz que, em relação a 1785–1815, as diferenças são bem menores, de −0,4 a −0,8 °C. · A faixa muda conforme a reconstrução, a região e o período de referência; por isso o texto traz a faixa, não um número único. · Conferida em parte (texto integral), conferência automatizada - Incerto: O sinal de resfriamento é fraco nos registros do Hemisfério Sul: as reconstruções de temperatura hemisférica não mostram resfriamento significativo nos anos seguintes. A revisão ressalva que a cobertura de dados no Sul é bem menor que na Europa e na América do Norte e que isso pode explicar a ausência aparente de sinal. [1] Proxies and proxy‐based reconstructions, §5
Contexto: Reconstruções de temperatura para a América do Sul, a Australásia e a Antártida. · Limitações: Pouca cobertura de registros no Sul; a variabilidade interna (El Niño, Modo Anular Sul) é grande e pode mascarar o sinal. · Os modelos de clima costumam simular resfriamento parecido nos dois hemisférios, o que diverge dos registros; o contraste ainda não está resolvido. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: O frio de 1816 não foi só obra do Tambora: o início da década de 1810 já pode ter sido influenciado por uma erupção ainda sem identificação em 1808/1809 e pela baixa insolação do Mínimo de Dalton (1790–1830). Estudos em corais sugerem que o Tambora amplificou, e não iniciou, o esfriamento de escala decadal, que começa por volta de 1800; uma revisão geral afirma ainda que o vulcanismo teve papel grande nas mudanças interdecadais da Pequena Idade do Gelo. [1] Proxies and proxy‐based reconstructions, §6 [3] Abstract
Contexto: Corais dos oceanos Índico e Pacífico; o resfriamento da década de 1810 na Europa. · Limitações: A revisão ressalva que a amplificação não pode ser quantificada só com reconstruções. O papel do vulcanismo na Pequena Idade do Gelo é tema de outro post em preparação. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Em Genebra, os dados de 1816 mostram que a distribuição das temperaturas da tarde se deslocou −3,8 °C em relação ao período de referência 1799–1821 sem os anos vulcânicos, e a do nascer do sol, −1,8 °C. Houve triplicação das situações de baixa pressão, ausência de alta pressão e 80% mais chuva no verão; o artigo conclui que foi um verão de clima extremo, não de tempo extremo. [1] Climate response in observations, §3
Contexto: Um único local, Genebra, que fica na região da Europa com a maior anomalia negativa de temperatura em 1816. · Limitações: A revisão ressalva que é a análise de um só ponto e que parte considerável da variação pode ter sido interna ao clima, não causada pela erupção. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: No verão de 1816 o Atlântico Norte teve alta dos Açores fraca e baixa da Islândia forte, com mais passagens de baixas pressões e ventos de oeste e noroeste. Na série da Inglaterra Central, foi o terceiro verão mais frio desde 1659, e a década de 1810 foi a mais fria na Europa desde que os registros comparáveis começaram, nos anos 1780. [1] Climate response in observations, §2
Contexto: Europa Ocidental e Central; mais a leste, na Rússia e na Ucrânia, poucas séries indicam verão mais ameno. · Limitações: Parte do frio da década de 1810 pode vir da erupção de 1808/1809 e de variação natural. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Simulações de clima mostram, para o Tambora, queda de cerca de 1 °C na temperatura próxima à superfície das terras emersas globais; o mínimo vem cerca de 2 anos depois do pico dos aerossóis, e a temperatura volta à média climatológica em 6 a 10 anos. O oceano esfria menos que a terra por ter maior capacidade de calor. [1] Modeling the climate effect of the Tambora eruption, §1
Contexto: Modelos acoplados de clima forçados por aerossóis estimados para o Tambora. · Limitações: Os modelos tendem a simular resfriamento parecido nos dois hemisférios, o que os registros do Sul não mostram (a7). · Resultado de modelos (conjuntos de simulações), com faixa de −0,8 a −1,3 °C entre estudos na tabela da revisão; depende do forçamento adotado. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Sabe-se o que a erupção fez por vários registros independentes: o sinal de sulfato preservado no gelo polar, que fundamenta a reconstrução do enxofre na estratosfera e do forçamento; os anéis de árvores, em que a densidade é hoje o indicador mais exato da resposta anual de temperatura a erupções; e as observações meteorológicas, que na Europa Ocidental e Central se tornaram amplas a partir dos anos 1780. [1] Climate response in observations, §1
Contexto: Métodos de paleoclimatologia e de climatologia histórica aplicados a 1815–1817. · Limitações: Cada registro tem cobertura desigual: os dados são abundantes na Europa e na América do Norte e escassos no Hemisfério Sul. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Incerto: Em aberto: não se sabe como o aerossol do Tambora se dividiu entre os hemisférios, nem a altitude exata em que o enxofre foi injetado. As estimativas de fluxo de sulfato no gelo da Antártida e da Groenlândia divergem e, em parte, não combinam com o contraste de efeitos entre Norte e Sul. [1] Abstract
Contexto: Estado do conhecimento em 2016. · Limitações: Podem ter surgido estudos posteriores a 2016 que não foram verificados aqui. · A revisão de 2016 declara as duas questões como incertas; não houve consenso nem solução posterior que tenhamos verificado. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Mais de 71 mil pessoas morreram durante e após a erupção, em Sumbawa e na vizinha Lombok, segundo uma revisão de 2003. A erupção matou milhares de imediato e, nos meses seguintes, dezenas de milhares morreram de fome e doença em Sumbawa e nas ilhas vizinhas. [2] Resumo [1] Introduction
Contexto: Mortes na Indonésia, ligadas à erupção e às suas consequências imediatas (não à fome na Europa e na Ásia). · Limitações: A f2 foi lida só no resumo; as estimativas variam entre autores. · Número de uma única revisão, baseado em fontes históricas; as estimativas de mortos em desastres do século XIX são imprecisas. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: O frio e a chuva de 1816 provocaram quebras de safra e fomes em partes do Hemisfério Norte (China, América do Norte e Europa), mas a fome não segue só o clima. Num levantamento de 12 ilhas com dados, só 4 (Grã-Bretanha, Irlanda, Islândia e Terra Nova) tiveram fome comprovada, e os autores lembram que fome depende também de renda, comércio e socorro. Na Nova Inglaterra, as colheitas fracassaram a ponto de fazendeiros abaterem gado por falta de forragem. [1] Introduction [2] Resumo [5] Discussion [6] Results, Tambora (1816–1820)
Contexto: O levantamento de ilhas (f5) cobre só as ilhas grandes e com dados; a f6 trata do golfo do Maine, na Nova Inglaterra, em 1816. · Limitações: As ilhas não representam os continentes, onde a fome foi mais citada. Dados de safra e de fome do século XIX são esparsos e a atribuição ao Tambora é, em parte, inferência dos autores. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
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Robock, A. · 2000 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1029/1998RG000054 - U.S. Geological Survey, Cascades Volcano Observatory — Tambora Volcano, Indonesia: description of the 1815 eruption (página do USGS Cascades Volcano Observatory, arquivada)
Newhall, C.; Dzurisin, D. (1988); Kious, W. J.; Tilling, R. I. (1996), textos reproduzidos pelo USGS · 1988/1996 (página arquivada em 2010) · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - Scientific Reports — Impact of the Tambora volcanic eruption of 1815 on islands and relevance to future sunlight-blocking catastrophes
Wilson, N.; Valler, V.; Cassidy, M.; Boyd, M.; Mani, L.; Brönnimann, S. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/s41598-023-30729-2 - Science Advances — Tambora and the mackerel year: Phenology and fisheries during an extreme climate event
Alexander, K. E.; Leavenworth, W. B.; Willis, T. V.; Hall, C.; Mattocks, S.; Bittner, S. M.; Klein, E.; Staudinger, M.; Bryan, A.; Rosset, J.; Carr, B. H.; Jordaan, A. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.1601635
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